O secretário de Estado Adjunto e da Saúde afirmou esta quarta-feira que estão a ser realizadas colheitas de água devido ao surto de legionella na região Norte do país, mas recusou comprometer-se com prazos ou adiantar medidas preventivas.

“Estamos a recolher análises de água das torres de refrigeração de diferentes espaços, águas de consumo e secreções dos doentes para verificarmos se as estirpes de legionella são as mesmas ou não (…). Estamos numa fase inicial“, disse António Lacerda Sales.

E causa está um surto de legionella que está a afetar os concelhos de Vila do Conde, Póvoa de Varzim e Matosinhos, no distrito do Porto, cujo número de mortes aumentou na terça-feira para seis, divulgou à Lusa fonte de Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte.

No total, e segundo fonte da ARS/Norte, já se registaram, desde o início do mês, 56 casos de legionella em concelhos da região Norte, sendo que a origem do surto ainda está por determinar.

Confrontado com esta situação, António Lacerda Sales, que falava aos jornalistas em Valongo, à margem de reuniões e visitas relacionadas com a pandemia da Covid-19, não se comprometeu com prazos para avanço de medidas preventivas, nem com datas para conclusões sobre as colheitas e análises que estão a ser realizadas.

“As colheitas estão a ser dirigidas para o INSA [Instituto Nacional De Saúde Dr. Ricardo Jorge]. Mais tarde tiraremos as conclusões (…). Estamos a ter cuidados como depois da colheita fazermos os choques térmicos e químicos que são necessários e tratamento de águas”, disse o governante que, perante a insistência dos jornalistas, garantiu que o processo será acelerado.

Neste momento estamos a trabalhar. Não me consigo comprometer com o tempo. Teremos de acelerar. O INSA está atento a isso. A população tem de estar sempre alerta”.

A doença do legionário, provocada pela bactéria Legionella pneumophila, contrai-se por inalação de gotículas de vapor de água contaminada (aerossóis) de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

No Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, mantêm-se 20 pessoas internadas, de acordo com dados de terça-feira.

Também no Centro Hospitalar da Póvoa de Varzim o número de internamentos devido à doença tem vindo a aumentar, com mais dois casos diagnosticados, elevando para 13 o número de pessoas que estão a receber assistência na unidade, onde já se registaram duas mortes, confirmou, também, fonte desta unidade.

Já no Hospital de São João, no Porto, estão seis pessoas internadas, duas das quais em Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), revelou à Lusa fonte oficial daquela unidade hospitalar, também na terça-feira.