O Benfica financiou a compra de um jogador pelo Vitória de Setúbal e, ao fazê-lo, infringiu a lei aos olhos da FIFA. Em causa está a compra, no verão de 2019, do jogador marroquino Khalid Hachadi, no qual o Benfica e o Sporting estavam interessados.

O Vitória de Setúbal pagou um total de 1.250 milhões de euros pela transferência: 800 mil para o Olympique Club Khourigba, 150 mil para o jogador e 300 mil para o empresário que mediou a negociação. Segundo o Público, foi o Benfica quem financiou a operação ao pagar 900 mil euros por um contrato de direito de preferência ilegal.

O contrato em causa não foi registado na Transfer Matching System (TMS) da FIFA, plataforma na qual é obrigatório inserir os dados das transferências internacionais de jogadores. Além disso, o Regulamento Sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores (RSET) esclarece que “nenhum clube poderá celebrar um contrato em que qualquer contraparte desse contrato, bem como terceiro, adquira a capacidade de influenciar, em temas laborais ou de transferência, a independência, as políticas ou o desempenho das equipas desse clube”.

O contrato a que o Público teve acesso previa que se o futebolista fosse transferido para um terceiro clube ou rescindisse por mútuo acordo ou por justa causa, sem que aos “encarnados” fosse concedido o direito de preferência, o clube de Luís Filipe Vieira seria compensado em 1,5 milhões de euros — o valor ascenderia aos 6,5 milhões caso o jogador fosse parar ao FC Porto, ao Sporting ou ao Braga.

Em setembro deste ano o Benfica foi multado pela Comissão Disciplinar da FIFA, num valor de 37 mil euros, por cláusulas consideradas abusivas impostas ao clube Avaí do Brasil considerando a transferência do jogador Vinícius Jaú.

No passado mês de outubro, aquando a despromoção administrativa do Vitória para o Campeonato de Portugal, o clube deixou de ter condições para pagar salários — Hachadi aceitou revogar o contrato por mútuo acordo. Clube e jogador não terão recebido qualquer reclamação do Benfica.