“O Melhor Ainda Está para Vir”

Um “filme de amigos” à maneira clássica francesa, com Fabrice Luchini e Patrick Bruel muito bons num par de amigos de infância com personalidades e existências totalmente diferentes,  que decidem ir gozar a vida em pleno quando um deles é diagnosticado com cancro – só que este pensa que é o outro que está doente, devido a uma confusão no hospital. Os realizadores e argumentistas Alexandre de La Patellière e Mathieu Delaporte equilibram comédia e drama, e espirituosidade e gravidade, sem darem uma só fífia, e Luchini e Bruel fazem o resto, o primeiro num coca-bichinhos aborrecido, o segundo num “playboy” espalha-brasas.

“Protótipo”

Num futuro próximo em que se intensificou a pesquisa sobre inteligência artificial e a consciência de quem morre pode ser preservada durante um tempo finito por meios tecnológicos, um cientista procura dar vida à mulher morta num acidente de automóvel, construindo, com os recursos da sua empresa e às escondidas destas, um androide que possa receber a consciência dela. Gavin Rothery estreia-se a realizar com esta bem concebida e intrigante fita de ficção científica, passada em pleno Inverno, num solitário laboratório “high tech” situado no interior do Japão. Há robôs ciumentos, toques “cyberpunk” e uma reviravolta acrobática no final.

“Miss”

Nesta segunda longa-metragem de Ruben Alves, o autor de “A Gaiola Dourada”, o andrógino modelo Alexandre Wetter interpreta Alex, um rapaz efeminado cujo maior desejo é ser Miss França. E atreve-se a isso, com a ajuda do extravagante grupo de amigos e amigas da pensão parisiense em que vive. Ruben Alves quis fazer um filme que fosse ao mesmo tempo uma comédia espalhafatosa de grande público e uma história sobre a diferença para agradar ao nicho LGBT, mas “Miss” acaba por não ser nem carne nem peixe. Mesmo assim, há vários bons momentos cómicos e o elenco está cheio de personagens secundárias bem desarrincadas.

“Lamento de Uma América em Ruínas”

Ron Howard adapta para a Netflix o livro Hillbilly Elegy: A Memoir of a Family and a Culture in Crisis (publicado em Portugal em 2017 pela Dom Quixote como “Lamento de uma América em Ruínas”), um “best-seller” em que J.D. Vance, formado em Direito em Yale, recordava a sua infância e juventude no Ohio, no seio de uma família da classe trabalhadora originária do Kentucky, com problemas de violência doméstica e dependência  de fármacos e estupefacientes, e como a avó o salvou dessa fatalidade. “Lamento de uma América em Ruínas” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.