Pela primeira vez em 10 anos, um candidata a vacina contra o HIV/Sida entrou na última fase de testes, na fase 3. E este é um protótipo, criado pela Janssen, que usa o mesmo mecanismo que a (possível) vacina da mesma farmacêutica para a Covid-19.

Nesta terceira fase de testes será possível obter mais dados sobre a eficácia (e segurança) da vacina, se ela é capaz de proteger contra a transmissão do vírus que origina a Sida.

Esta vacina, tal como a que a Janssen está a desenvolver para a Covid-19, trata-se de um adenovírus modificado para transportar, até ao interior das células do indivíduo, o ADN das suas proteínas mais representativas, para que o organismo crie anticorpos contra elas.

Os primeiros ensaios clínicos em ambiente controlado indicaram que a vacina – com duas variantes, em rigor – é segura e leva à criação de anticorpos mas nesta terceira fase será possível testar a vacina em condições reais, num estudo que irá durar entre 24 e 36 meses, segundo o El País.

Há mais de 10 anos, em 2009, fracassaram os testes de fase 3 de uma outra vacina, já que se verificou que o produto então produzido só evitava 30% das infeções com HIV – isto porque este é um vírus que se caracteriza por uma grande variabilidade, mudando de características e “escapando” quando confrontado com o sistema imunitário. Haverá 3.800 voluntários em todo o mundo que vão ter a vacina.

Em Portugal, o acesso à profilaxia pré-exposição (PrEP), indicada para pessoas que não têm VIH mas que se encontram em maior risco de o vir a contrair, está assegurado para grande parte das pessoas em maior risco na medida do que está previsto nas normas da Direcção-Geral da Saúde (DGS), concluiu um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) citado esta terça-feira pelo Público. Os investigadores identificaram, contudo, alguma margem para melhorar os critérios usados para a prescrição deste medicamento de prevenção do VIH.