A comissão de trabalhadores do Arsenal do Alfeite, S.A. afirmou esta quarta-feira recear que os salários de dezembro não sejam pagos, numa audição parlamentar onde PS, PSD e BE reconheceram a situação financeira grave que a empresa atravessa.

As preocupações da comissão de trabalhadores do Arsenal do Alfeite, S.A. foram transmitidas esta tarde aos deputados da Assembleia da República, numa audição ‘online’, requerida pelo PSD, BE e PCP, na comissão parlamentar de Defesa Nacional.

“Estamos preocupados sobre se logo a seguir [ao pagamento do subsídio de Natal] irá haver dinheiro para a situação do salário de dezembro”, apontou António Pereira, membro da comissão de trabalhadores.

Em novembro, a nova administração do Arsenal comunicou aos trabalhadores que a empresa vive uma situação “crítica” e que falta a verba para o subsídio de Natal, normalmente pago com o salário de novembro, garantindo que vai obter liquidez para o pagamento do subsídio até à data limite legal, dia 15 de dezembro.

Sobre as relações com a nova administração, a comissão adiantou que “tem existido diálogo”, à semelhança de conselhos anteriores, e que as dificuldades da empresa têm sido transmitidas “sem qualquer rodeio”.

Entre as principais preocupações dos trabalhadores estão a “situação de tesouraria dramática” da empresa, as dificuldades em pagar salários que se arrasta desde setembro, o não descongelamento de promoções e a diminuição do efetivo de trabalhadores.

“O ano passado foram admitidos 38 trabalhadores, mas poderíamos ter admitido 52 segundo o despacho do decreto de lei de execução orçamental e tal não aconteceu”, aditou António Pereira.

Aquela estrutura representativa dos trabalhadores considerou ainda urgentes as obras de ampliação da doca do arsenal, ocupada de momento com um submarino, para que a empresa consiga dar resposta a outros serviços, lamentando que a antiga escola de formação não esteja ativa, apesar de equipada.

O deputado Diogo Leão, do PS, apontou a obrigação de pagamento de salários tem que ser cumprida mas ao mesmo tempo disse ter noção de que “a situação financeira é grave” e que a administração tomou posse há pouco tempo. Já a deputada Ana Miguel Santos focou as suas perguntas nos trabalhos pendentes ou em curso na doca do arsenal.

Pelo Bloco de Esquerda, o deputado João Vasconcelos considerou que o arsenal é “um ativo nacional que está a morrer lentamente”, apontando o dedo aos “sucessivos governos PS e PSD” e acrescentando que a passagem do arsenal para sociedade anónima, em 2009, foi “um erro histórico e o resultado está à vista”.

“Somos trabalhadores essenciais, no início da pandemia estivemos sempre no estaleiro para que a Marinha tivesse os meios prontos e aptos para executar as suas funções. Daí a nossa tristeza e indignação por não nos terem pago o subsídio de natal na hora prevista”, lamentaram.

No passado dia 20 de novembro, o ministro da Defesa Nacional remeteu para a administração dos estaleiros navais do Arsenal do Alfeite a resolução da falta de verbas para pagar os subsídios de Natal aos mais de 400 trabalhadores, apontando que a empresa tem um problema financeiro estrutural grave “há cerca de 10 anos”.

Os órgãos representativos dos trabalhadores já enviaram um ofício a Gomes Cravinho pedindo a “intervenção urgente da tutela para que, em articulação com a administração, seja encontrada uma solução célere e duradoura para o financiamento desta entidade no curto e médio prazo”.