O vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido do Governo), Diosdado Cabello, voltou a pedir aos eleitores que não se confundam nas eleições parlamentares de domingo e acusou a oposição de traição à pátria.

“Que ninguém se confunda, o Grande Polo Patriótico (aliança de partidos que apoiam o Governo) é a única força revolucionária em apoio aos deputados patriotas”, disse durante um ato de campanha no Estado venezuelano de Apure, 400 quilómetros a sul de Caracas.

Diosdado Cabello instou os partidos aliados a se organizarem para ganhar a batalha eleitoral, para governar unidos e avançar pela pátria em todas as áreas políticas, sociais e económicas do país.

Por outro lado, acusou a oposição de em cinco anos ter feito muito dano às famílias venezuelanas, numa alusão ao atual parlamento onde a oposição é maioria.

“Essa gente foi capaz de chamar a uma invasão à nossa Pátria (…) Chamaram ao Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) para propiciar um ataque à Venezuela”, disse.

Diosdado Cabello, que é tido como o segundo homem mais forte do chavismo, sublinhou ainda que os opositores tiveram uma oportunidade que usaram para causar muito dano.

Demos-lhes uma oportunidade e já vimos o que fizeram. Não podemos dizer que não fizeram nada, sim, fizeram muito dano (…) são traidores da Pátria. Essa gente foi capaz de pedir, na Assembleia Nacional, que a Venezuela fosse invadida por forças estrangeiras”.

Na segunda-feira, Diosdado Cabello, que também é candidato ao parlamento, disse, no Estado venezuelano de Zúlia (780 quilómetros a oeste de Caracas) que na nova Assembleia Nacional (AN) os deputados revolucionários devem “preparar uma lei para castigar os deputados que fizeram dano ao país, com sanções e bloqueios”.

Em 5 de janeiro entramos na AN, o povo, os deputados e as deputadas (…). No dia 6, pela manhã, estaremos a aprovar uma lei que aplique todo o peso da justiça aos que pediram sanções”.

Cabello, que é também presidente da Assembleia Constituinte (AC, composta unicamente por simpatizantes do regime), recordou que nas eleições parlamentares de 2015, as forças revolucionárias assumiram que perderam a maioria do parlamento.

Agora temos a oportunidade histórica de recuperar um espaço perdido”.

Nesse mesmo dia, em Bolívar (580 quilómetros a sudeste de Caracas), Diosdado Cabello referiu-se ao poder de decisão das mulheres e à sua capacidade mobilização, dizendo, em tom de piada, que poderiam deixar sem comida quem não fosse votar nas eleições parlamentares de domingo.

As mulheres ganham sempre e vão estar à frente desta batalha. Eu sei que as mulheres vão levantar-se cedo e dizer em casa que se levantem (…) porque há que ir votar. Claro, e quem não vota não come, para quem não votar não há comida. Quem não votar, não come, lhe aplicamos uma quarentena aí, sem comer”.

A oposição venezuelana, em reação, acusou o vice-presidente do PSUV de “ameaçar a população” de que suspenderia a entrega de produtos a preços subsidiados pelo Estado.

Os venezuelanos elegem no dia 6 de dezembro o novo parlamento, que entrará em funções em janeiro de 2021, dois anos depois de Juan Guaidó se autoproclamar Presidente interino da Venezuela e prometer afastar Nicolás Maduro do poder.

A oposição, liderada por Juan Guaidó, não participará nas eleições, que considera uma “fraude”, enquanto a comunidade internacional, incluindo a União Europeia e a Organização dos Estados Americanos (OEA), questiona a transparência do processo face à intervenção dos partidos políticos pelo Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), que foi acusado de ser pró-Chávez.