Os franceses da DS, a marca de luxo do Grupo PSA, continuam a reforçar a sua gama, agora com o anúncio do DS 4. O novo modelo, agendado para chegar no início de 2021, assume-se como uma berlina apontada a uma concorrência formada pelo Audi A3, pelo BMW Série 1 e pelo Mercedes Classe A, precisamente o segmento que mais vende em solo europeu.

Para enfrentar estes rivais germânicos, o grupo dirigido pelo CEO português Carlos Tavares optou por recorrer a todos os trunfos, inclusivamente o factor “casa”, para utilizar uma terminologia futebolística, deslocando para a fábrica da Opel em Rüsselsheim a produção da primeira berlina do segmento C da jovem marca francesa.

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Com uma estética (que a DS só revelará mais tarde) de hatchback de cinco portas, como os seus rivais, o DS 4 será proposto com motores diesel e gasolina, mas igualmente na versão E-Tense, um híbrido plug-in que o construtor promete ser “tecnologicamente muito avançado na electrificação”. Apesar disso, a berlina recorrerá aos motores já conhecidos e utilizados no DS 7 E-Tense, do 1.6 sobrealimentado que fornece 180 cv (e que continua a funcionar segundo o ciclo Otto e não Miller, o que lhe permitiria maior eficiência), à unidade eléctrica de 110 cv que se encontra dentro da habitual caixa automática fornecida pelos japoneses da Aisin, ocupando o espaço do conversor de binário.

A base do DS 4 é a plataforma EMP2 do grupo, que o fabricante afirma surgir numa versão mais avançada, usufruindo de um maior número de uniões coladas por cordão contínuo, solução que permite incrementar a rigidez e a qualidade de construção. Sob o assento traseiro é montada a bateria (cuja capacidade não foi revelada, mas será recarregável até 7,4 kW, em AC), que vai recorrer a um tipo de células mais eficientes, provavelmente com maior densidade energética para reduzir o volume ocupado, compensando assim as menores dimensões do DS 4, face ao DS 7. Ainda assim, a autonomia em modo eléctrico deverá rondar 50 km, valor sujeito a confirmação mas calculado segundo o método WLTP.

Se na parte eléctrica o DS4 não parece impressionar, pelo menos segundo os dados que o fabricante avançou para já, o mesmo não acontece com o nível de sofisticação e equipamento a bordo. Começa por oferecer um head-up display (HUD) projectado no pára-brisas, sistema que até aqui só era utilizado pela Opel (as marcas francesas da PSA recorrem a um pequeno vidro independente instalado no tablier, em frente ao condutor). Só que o DS 4 vai mais longe, propondo uma solução gigantesca (que a DS apelida DS Extended HUD), onde pode ser projectado todo o tipo de informação, da navegação à velocidade, sinais de trânsito e tudo o mais. Ainda a bordo, surge a possibilidade de controlar algumas funções através de voz ou gestos, com a DS a afirmar que possui uma solução similar à utilizada nos telemóveis, por sensores e não por câmaras, em prol de uma melhor eficiência.

Em matéria de ajudas ao condutor, a suspensão pilotada DS Active Scan Suspension “vê” a estrada através de uma câmara colocada no topo do pára-brisas e adapta-se, em termos de dureza dos amortecedores, para maximizar o conforto, em linha com o que oferece a Citroën, para o DS Night Vision recorrer a uma câmara de infravermelhos e conseguir detectar peões e animais até 200 m de distância. Isto enquanto os faróis Matrix LED Vision, com 15 segmentos que se ligam e desligam independentemente, evitam encandear outros condutores e peões.

A pensar no conforto e na segurança do condutor está o DS Drive Assist 2.0, a mais recente versão das ajudas à condução. Capaz de manter o DS 4 na sua faixa de rodagem, sempre ao centro, ou onde quer que quem vai ao volante achar mais apropriado, o Lane Assist com Lane Centering é similar ao já utilizado nos DS 7 e DS 9, permitindo ultrapassagens semiautomáticas e a adaptação da velocidade à curva que se aproxima, informando ainda de forma antecipada acerca do limite de velocidade que se aproxima, expediente interessante para optimizar a regeneração de energia. Além da câmara de vídeo e do radar dianteiro, que detecta veículos e peões para evitar embates e atropelamentos, travando se necessário para evitá-los, o Drive Assist 2.0 recorre ainda a mais quatro radares, instalados em cada um dos cantos dos veículos, para controlar o trânsito que o rodeia.

Em breve, a DS revelará as primeiras fotos do modelo, para anunciar depois o mês em que o DS 4 estará disponível na Europa e também em Portugal. Os preços serão comunicados mais próximo do início da comercialização, sabendo-se de antemão que o DS 4 se posicionará entre o DS 3 e os DS 7 e DS 9, em termos de custos.