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“O Voltaire de Central Park West” e “O homem mais engraçado de Nova Iorque”, era o que os amigos de Herman J. “Mank” Mankiewicz lhe chamavam. Irmão mais velho do grande realizador Joseph L. Mankiewicz (“A Condessa Descalça”, “Cleópatra”, “Bruscamente no Verão Passado”), jornalista, crítico e argumentista tão indisciplinado como sobredotado, cínico emérito e espirituoso cintilante, alcoólico suicida e jogador compulsivo, Mank, de entre as muitas coisas que escreveu em Hollywood entre os anos 20 e 40, deixou duas que entraram para a grande e a pequena história do cinema. O argumento de “O Mundo a Seus Pés” (1941), de Orson Welles, e um citadíssimo telegrama enviado ao seu amigo e colega Ben Hecht: “Aceitas 300 dólares por semana para trabalhar para a Paramount? Todas as despesas pagas. Há milhões para serem ganhos aqui e a tua única concorrência são idiotas. Não espalhes isto”.

Tal como muitos dos seus brilhantes colegas argumentistas da época, alguns dos quais, como o citado Ben Hecht, ele tinha “importado” de Nova Iorque e da famosa Mesa Redonda do Hotel Algonquin, a que pertencera, Mank tinha um profundo desprezo pelos estúdios que lhe pagavam regiamente, e pelo próprio cinema. Sentia-se inferiorizado, subaproveitado, profundamente frustrado pelos ignorantes patrões dos grandes estúdios para que escrevia, pela banalidade estereotipada e comercial da maioria da produção, e pelo filistinismo militante de Hollywood em geral. Um amargo poema que escreveu sobre este tema acaba assim: “Sim, roubo-vos as carteiras todos os dias / Mas vocês, sacanas, partem-me o coração.”  

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