“É o primeiro! É o primeiro dos três que vamos ganhar este ano! Agora é a vez do presidente. Agora é o presidente. O presidente quer dar uma palavrinha”. 

As imagens aproximadas da transmissão televisiva permitiram perceber nitidamente as breves palavras que Sérgio Conceição dirigiu aos jogadores na habitual roda que o FC Porto faz depois de todos os jogos. E acabado de conquistar o primeiro troféu da temporada e o terceiro do ano civil de 2020, o treinador dos dragões apontou desde logo aos objetivos que estão em cima da mesa: a Taça de Portugal e a Primeira Liga. 

Sérgio Conceição não se alongou, foi mais incisivo do que romântico e entregou desde logo a palavra a Pinto da Costa, que estava imediatamente ao seu lado na roda. Certo é que, esta quarta-feira, o técnico conquistou o quinto título enquanto treinador do FC Porto e igualou o registo que alcançou enquanto jogador dos dragões. Figura maior do projeto que Pinto da Costa tem para o que diz ser o último mandato enquanto presidente do clube, exemplo para os jogadores mais novos e líder absoluto de um grupo que conta com elementos muito experientes como Pepe ou Marcano, Sérgio Conceição chegou à quarta vitória consecutiva contra o Benfica e tem sido a cara da superioridade dos dragões face aos encarnados no último ano.

Na flash interview, o treinador lembrou que o objetivo de “cumprir”, que tinha apontado na antevisão da partida, passava simplesmente por “ganhar”. “Através daquilo que podíamos explorar na equipa do Benfica, sabendo que uma final é sempre um jogo competitivo, onde a boa agressividade está sempre presente. A bola dificultou um bocado a ação dos jogadores… Como dizemos na gíria, ‘pinchava’ muito, e era difícil de controlar. Na estratégia, sabíamos que tínhamos de ser defensivamente fortes e foi a partir desse momento que ferimos o adversário. Porque sabíamos que se ultrapassássemos a primeira linha do Benfica estávamos mais perto do sucesso. Foi assim que chegámos ao penálti. Tudo o que aconteceu foram situações trabalhadas, faladas, apesar de não termos muito tempo com os jogadores. Têm mérito por este título”, disse, considerando depois que os jogadores foram “espetaculares na interpretação” e que o Benfica não teve mais do que as três oportunidades de Grimaldo.

“Era merecido. [A Supertaça] já devia ter sido disputada há mais tempo. Ganhámos o Campeonato, a Taça de Portugal, concluímos este ano muito difícil com mais um título. Temos de aproveitar bem o dia de amanhã, com a família, com as pessoas de quem se gosta e depois, sim, pensar no V. Guimarães. Há um sentimento de felicidade pelos jogadores mais jovens e também pelos que vêm dos escalões mais baixos, que estão com a lágrima no olho após esta conquista. Vivenciarem este tipo de jogos, como já vivenciaram na Liga dos Campeões, deixa-me muito feliz”, terminou Sérgio Conceição.

O treinador português de 46 anos igualou precisamente Jorge Jesus — assim como Paulo Bento, Bobby Robson, Fernando Santos e outros quatro — na lista dos técnicos que já conquistaram duas Supertaças, num ranking que é liderado de forma isolada por Artur Jorge, que ganhou três. No fim, ainda dedicou a vitória a Pinto da Costa, sublinhando novamente a o vínculo forte que o liga à estrutura do clube. É muito raro vê-lo sorrir. Mas esta quarta-feira, a meio da quarta época como treinador do FC Porto e depois de conquistar o quinto título, Sérgio Conceição riu à gargalhada. E deixou desde logo a vontade de voltar a rir à gargalhada no final da época.