David de Gea, Wan-Bissaka, Fred e Bruno Fernandes nem chegaram a sair do banco, Maguire, Martial e Rashford foram suplentes utilizados. A terceira eliminatória da Taça de Inglaterra foi aproveitada por Ole Gunnar Solskjaer para promover uma grande rotatividade na equipa, abrindo a porta da titularidade a alguns elementos que têm sido menos utilizados como Tuanzebe, Van de Beek, Juan Mata, Lingaard, Greenwood ou Daniel James. A aposta correu bem, com um triunfo pela margem mínima frente ao Watford em Old Trafford, mas a aposta estava bem centrada nos compromissos que se seguiam, em particular o jogo fora com o Burnley ainda a contar para a primeira jornada da Premier League. Razão? Em caso de vitória ou empate, os red devils saltavam para a liderança.

Apesar dos empates com Manchester City (casa) e Leicester (fora), o Manchester United, que fez apenas sete dos 18 primeiros pontos que disputou no Campeonato, fez uma série de dez encontros consecutivos sem perder (e com oito triunfos) após a derrota caseira com o Arsenal, subindo todas as jornadas mais alguns lugares até uma posição onde jogava pelo primeiro lugar isolado mais de três anos depois. Isso mesmo, mais de três anos, num total de 40 meses e 1.221 dias, quando José Mourinho era treinador e um empate a dois fora frente ao Stoke City permitiu ficar com um ponto a mais do que o Liverpool, a 9 de setembro de 2017. Por isso e por haver deslocação a Anfield no próximo domingo num encontro determinante para apurar o líder no final da primeira volta, todos os holofotes estavam centrados no duelo desta noite frente a Burnley a precisar de pontos para fugir à despromoção.

Mais uma vez, Bruno Fernandes surgia como grande destaque no regresso à titularidade, depois dos 11 golos e das sete assistências feitas nos 16 jogos disputados na Premier League esta temporada (não falhou nenhum, saiu do banco num e foi substituído em seis). Mais do que isso, levava quatros golos nos últimos quatro encontros na prova, o que permitiu mesmo uma aproximação aos melhores marcadores apenas atrás de Salah (13) e Son (12). “Mostrámos como melhorámos durante o ano. Na última vez perdemos com o Arsenal no dia de Ano Novo, agora estamos a ficar cada vez melhores e mais fortes. Temos um plantel focado, cheio de vontade de aprender e isso é o mais importante. Golo de Bruno Fernandes?  Ele sente-se confiante para bater penáltis e isso é o mais importante. É um jogador que não tem medo de falhar. Está muito seguro e extremamente confiante”, comentou o técnico norueguês depois do triunfo no dia 1 frente ao Aston Villa, no último jogo do Campeonato disputado.

O segredo, esse, foi aproveitar, como revelou em entrevista à NBC onde recordou a conversa com Cristiano Ronaldo antes de se mudar do Sporting para o Manchester United. “Sim, falei com ele, até porque conhece o clube melhor do que eu. Deu-me alguns conselhos e foi importante. Creio que teria vindo de qualquer das formas mas quando falas com o Cristiano sobre isso é sempre melhor. Falámos sobre o clube, sobre o quão grande é e como seria bom para mim. A oportunidade que teria de me juntar a um clube enorme, ter a chance de lutar por títulos. Esse foi o melhor conselho que me deu. Disse-me ‘Vai, desfruta. Vais adorar os adeptos e eles vão adorar-te a ti. Por isso limita-te a fazer o teu jogo e o melhor de ti aparecerá'”, contou o internacional português.

Foi também nessa entrevista que Bruno Fernandes explicou a ligação com Paul Pogba, médio que quase todas as semanas parece ter um pé fora de Old Trafford até pelas várias ausências mas que continua a mostrar que é um dos melhores médios da atualidade. “A relação que tenho com o Paul [Pogba] é boa. Ele fala italiano e eu também, quando cheguei já o conhecia de Itália e ele a mim. É fácil trabalhar com ele. Quando cheguei ele estava lesionado mas via-o a recuperar e a treinar num campo ao lado do nosso. A meio do treino ele às vezes chamava-me e dizia ‘Estou a ver os jogos, estou a ver os teus movimentos, não te preocupes. Quando estiver em forma, vou mostrar-te que consigo encontrar-te [em campo]. Vejo os teus movimentos, para a direita, para a esquerda, nas costas. Quando eu voltar, vou mostrar-te que posso combinar contigo’. Isso mostra a confiança que ele tem em ti, como quem quer ajudar-te a ser ainda melhor e também pretende que o ajudes nesse sentido”, recordou.

“Acabámos a época muito bem a jogar juntos mas claro que depois o início da época foi difícil para o Paul, porque teve Covid-19. Sabemos que não é uma brincadeira, é difícil voltar depois de 15 dias de isolamento sem fazer nada. Foi muito difícil para ele voltar a encontrar a sua forma mas acho que agora já está muito melhor e sente-se muito mais confiante. O golo com o West Ham deu-lhe imensa confiança. A equipa precisa dele e ele tem a qualidade necessária para nos ajudar”, acrescentou. E o médio português parecia estar adivinhar o que ia acontecer: num jogo onde Solskjaer apostou de início em Martial, Rashford e Cavani, o Burnley criou muitas dificuldades ao ataque do Manchester United, Maguire ainda marcou num lance anulado, Bruno Fernandes teve poucas oportunidades para visar a baliza mas o médio francês, com um remate de meia distância já na segunda parte (71′), conseguiu marcar o golo que deu a vitória e a liderança isolada aos red devils apesar do final sofrido com os visitados a terem duas grandes oportunidades para chegarem ao empate mas sem efeitos práticos.