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“Sabia que na última volta seria necessário algo especial, tinha que ser a volta mais perfeita e um pouco mais para bater os carros da Red Bull porque eles foram muito rápidos durante todo o fim de semana. Honestamente não sabia se poderíamos fazer isso, não esperava estar à frente dos dois carros da Red Bull”. Apesar de ter feito a 99.ª pole position na carreira, Lewis Hamilton admitiu no final da qualificação do Grande Prémio de Emília Romanha que esse era um cenário mais improvável do que à primeira vista poderia parecer, relativizando as duas primeiras sessões de treinos livres onde os Mercedes tinham dominado para se centrar nos tempos da terceira sessão de treinos livres, onde não foi além do terceiro tempo atrás de Max Verstappen.

Apesar de todos os carros terem rodado um pouco abaixo do que acontecera em 2020, também por causa das mudanças na aerodinâmica que afetam sobretudo as velocidades em curva, o piloto britânico conseguiu um importante passo num circuito com menos oportunidades de ultrapassagem, deixando para trás Sergio Pérez e Max Verstappen com um Ferrari (Leclerc), um AlphaTauri (Gasly) e os dois McLaren (Ricciardo e Lando Norris) até ao oitavo posto de Valtteri Bottas. No entanto, a margem para nova corrida discutida até ao final, como veio a acontecer no arranque da temporada no Bahrain, era grande. E com os Red Bull como principais destaques.

Antes, na habitual entrevista antes do arranque dos “trabalhos”, Hamilton tinha falado à imprensa e elegeu a rivalidade com Sebastian Vettel como “a favorita”. “Sei o quanto é difícil estar onde estamos hoje, sei que estava a competir contra um piloto incrível e um grande homem como o Seb. Ele é tetracampeão mundial e a Ferrari era muito forte na época”, atirou sobre o germânico que acabou a qualificação pela Aston Martin no 13.º lugar e que, à semelhança de outros nomes pesados que andam agora em posições mais modestas como Fernando Alonso, andava por outras lides que não aquelas que pisaram quando se tornaram campeões.

Max Verstappen conseguiu arrancar melhor e ultrapassou Hamilton antes da primeira curva, estando na frente da corrida quando o safety car entrou pela primeira vez após um acidente aparatoso de Nicholas Latifi depois de um toque no russo Nikita Mazepin (cada vez mais olhado de lado entre os corredores). Mas esta ia mesmo ser uma corrida imprevisível, ou não fosse este um dos traçados com mais história na Fórmula 1 e não estivesse a chover, o que trouxe outros condimentos à prova. E, mais uma vez mesmo não valendo vitória no final, com a “sorte” a bafejar Lewis Hamilton, que em condições normais teria a corrida acabada depois de uma saída de pista que lhe deixou a asa dianteira partida do lado direito mas que beneficiou de outro aparatoso acidente, agora entre o Mercedes de Bottas e o Williams de George Russell, para passar pelas boxes e recuperar tempo.

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No recomeço, com a pista praticamente seca, Lando Norris confirmou a excelente corrida e conseguiu chegar ao segundo lugar, ultrapassando Charles Leclerc quando Verstappen seguia na frente a tentar fixar uma vantagem confortável que lhe permitisse outra tranquilidade. Mais atrás, Hamilton conseguia ir minimizando danos, com a subida ao sétimo lugar por troca com Raikkönen e novo salto para a sexta posição aproveitando a saída de Sergio Pérez, que conseguiu surpreender na qualificação mas falhou o prolongamento na corrida. Mais umas voltas, mais um posto ganho, desta vez com uma ultrapassagem a Ricciardo que valeu o quinto lugar. E mais umas voltas, mais um posto conseguido, agora superando o Ferrari de Carlos Sainz na quarta posição. Próximo objetivo? Charles Leclerc. E essa luta poderia tirar ou não aquele que seria o pódio mais novo da Fórmula 1.

A oito voltas do final, essa possibilidade caiu mesmo com o britânico, que chegou a ganhar quase um segundo por volta ao monegasco, a subir à terceira posição tendo ainda no horizonte Lando Norris, que se encontrava a pouco mais de um segundo do piloto da Mercedes.

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