Há “quase 25 anos” Emmanuel Carrère converteu-se ao Catolicismo. “O Cristianismo nunca me foi completamente estranho, mas há uma altura em que ganho uma consciência nova, muito influenciado pela minha madrinha, cuja importância é relatada no livro e que é para mim a imagem de um verdadeiro Cristão. Diria que houve um momento em que estive perdido e em que o Cristianismo apareceu como uma saída dessa confusão em que eu estava”, diz-nos ao telefone.

A partir desse momento, e durante um par de anos, Carrère passou a ir diariamente à missa, a comentar denodadamente passagens dos Evangelhos e a procurar viver em fidelidade ao dogma católico. A empreitada foi tanto mais difícil porquanto Carrère era casado, pelo que a conversão implicou um caminho de vida comum, marcado por uma mudança radical. Foi a partir deste tempo que surgiu O Reino, um livro bastante grande que devassa a sua vida espiritual. Da ideia de que alguém pode sair à rua, afirmar que alguém ressuscitou, e não ser tomado como louco, nem reconhecer na sua crença nada de errado.

O livro podia ser sobre esta conversão, e em certa medida é-o. Mas é também sobre a perda da fé e sobre este estranho fenómeno de já não nos reconhecermos naquilo que fomos.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.