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25 anos de Macarena. O que é feito do grupo que até uma primeira-dama pôs a dançar?

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Vinte e cinco anos depois do sucesso estrondoso de "Macarena", os Los del Río são anfitriões na plataforma Airbnb. À conversa com o Observador, recordam o hit que até Michael Jackson quis cantar.

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Seria difícil prever o desenrolar dos acontecimentos, quando, numa noite em 1992, a dupla Antonio Romero Monge e Rafael Ruíz Perdigones cruzou caminho com uma dançarina de flamenco numa festa privada em Caracas, na Venezuela. A forma como Diana Patricia Cubillán Herrera dançou, o ritmo e a alegria serviram de inspiração imediata para o verso “Dale alegria a tu cuerpo”, que viria a figurar numa canção viral e a fazer parte de uma das manias da dança latina mais populares desde a lambada — as palavras que formariam parte do icónico refrão foram ditas por um dos dois artistas na sequência da dança, em tributo à jovem mulher, e ficaram para a história das batidas populares que fazem o corpo bambolear sobre si mesmo sem aviso prévio. Há 25 anos, o tema “Macarena” repetia incessantemente nas rádios e ocupava o pódio nas listas mais cobiçadas.

“Todos os dias nos pedem para fazer uma versão nova. Agora estão a pedir-nos  para fazer uma versão em russo, cantada em russo”, comenta Antonio Romero, um dos nomes que segura a dupla espanhola Los del Río, sobre a ainda muito popular música. A entrevista ao Observador, via Zoom, acontece numa altura em que ambos se preparam para ser anfitriões na plataforma Airbnb, ao abrir as portas de uma villa tradicional andaluza com o objetivo de celebrar os 25 anos passados desde que a febre “Macarena” assolou terras norte-americanas (e não só). Os hóspedes — cuja estadia de duas noites acontece entre 3 e 5 de agosto — vão ter a oportunidade de, entre outras atividades, cantar em dueto com os sevilhanos.

Airbnb: Los Del Río vão ser os anfitriões

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Os dois membros de Los del Río vão abrir as portas de uma fazenda de estilo andaluz, um alojamento rural escolhido pelos próprios. O convite é para que os hóspedes experimentem uma imersão total no hit “Macarena” e para conhecerem as lendas vivas da música espanhola.

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A casa em questão tem sala privada de karaoke, onde será possível fazer um dueto com os Los del Río e tocar guitarras clássicas espanholas, mas não só. A estadia de duas noites na villa inclui dicas do grupo para aperfeiçoar a entoação e a coreografia da música, uma aula virtual conduzida por uma chef local, para aprender a cozinhar pratos típicos andaluzes, e uma experiência online de sevilhanas.

A reserva estará disponível em airbnb.com/macarena às 14h do dia 28 de junho, para uma estadia de duas noites de 3-5 de agosto de 2021. Um grupo de quatro hóspedes terá a oportunidade de solicitar a reserva por apenas 25 euros por noite (mais impostos e taxas), o que lhes dará acesso exclusivo à villa.

A estadia não é um sorteio, uma vez que o primeiro pedido de reserva recebido será o escolhido.

 

Nos tempos de ouro, “Macarena” era música que passava nos estádios de basebol da primeira liga dos Estados Unidos, tendo até servido de banda sonora nas Olimpíadas, quando a equipa de ginástica dos EUA venceu a medalha de ouro, com os membros a dançar ao ritmo da música numa exibição pós-competição, lembra uma peça do Los Angeles Times. O duo chegou até a atuar no Super Bowl em 1997. Já em 2002, sensivelmente uma década após ter sido divulgada, o canal VH1 considerou-a o melhor “One-Hit Wonder” de todos os tempos, com o tema a ocupar ainda o sétimo lugar entre os 100 melhores “hot singles” de todos os tempos da Billboard.

A música criada pela banda Los del Río, cuja fama estava essencialmente confinada a território espanhol, começou a ser escrita na noite da festa em Caracas por Romero, já ele estava no quarto de hotel. Demorou alguns minutos a concebê-la. A versão original foi lançada em Espanha em abril de 1993, três anos antes de explodir nos EUA, e depressa alcançou o primeiro lugar para depois espalhar-se pelo mundo do pop latino. Mas foi o remix feito pelos Bayside Boys, de Miami, que fez o single voar em números de vendas (a designação “Macarena” deriva de um bairro homónimo de Sevilha e é também o nome da filha de Antonio Romero).

'Los Del Rio'

A dupla com a dançarina que inspirou a "Macarena"

Gianni Ferrari/Cover/Getty Images

Estávamos em 1995 quando Jammin Johnny Caride, personalidade de rádio nas antenas de Miami, levou a música à estação onde trabalhava, a Power 96 — as chefias pediram-lhe para criar uma versão inglesa. Caride juntou-se aos parceiros na Bayside Records, Mike Triay e Carlos de Yarza, para fazer um remix da música original e adicionar letras em inglês, bem como uma nova sonoridade que facilmente levava os seus ouvintes a dançar. A publicação The Journal lembra que, no verão de 1996, existiam três versões de “Macarena” a fazer sucesso: a original de Los del Río, o remix dos Bayside Boys e um cover de Los del Mar.

Segundo a Billboard, a viagem da “Macarena” levou o seu tempo e, para se tornar no hit que ainda é hoje, muito antes de “Despacito”, precisou de “quatro anos, três países, dois espanhóis e uma equipa de DJ de Miami”. A 3 de agosto de 1996 estava no topo das tabelas, liderando a “BillboardHot 100” durante 14 semanas consecutivas (só nos EUA vendeu 4 milhões de cópias). Não é à toa que a dupla garante em entrevista que a “Macarena” abriu não só as portas à sua própria carreira, ao fim de 30 anos de atividade, mas também aos temas cantados em castelhano. “[A Macarena] disse ao mundo que a música latina tem qualidade e tem casa também nos EUA”, analisam Antonio e Rafael. Além do ocasional Julio Iglesias, dizem, poucas eram as canções na língua de Antonio e Rafael que passavam nas rádios norte-americanas à época. O hit criou o seu próprio legado e, em 2017, Los del Río receberam o prémio Grammy de Contribuição em Vida nos Latin Grammy Awards, destinado às “lendas vivas” da música latina. De acordo com a edição a espanhola da Vanity Fair, o duo chegou a conhecer personalidades como a Madre Teresa de Calcutá ou o Papa João Paulo II, tendo ainda uma relação “fluída” com a família real espanhola.

Amigos de infância e de origens humildes, nascidos e criados ao redor de Sevilha, Antonio Romero e Rafael Ruíz tinham ambos 48 anos —  atuam em conjunto desde a década de 1960 — quando viram o sucesso de “Macarena” emprestar-lhes uma visibilidade nunca antes vista. Em 1996, comentavam como eram duas pessoas simples e como o sucesso instantâneo não os havia mudado. Talvez as coisas fossem diferentes em anos anteriores, admitiram, talvez tivessem perdido o controlo. “Vimos muitas carreiras promissoras desmoronarem por causa disso. Mas, depois de 33 anos neste negócio, aprendemos o que é real e o que não é”. Atualmente, continuam a dizer que levam uma vida simples, muito orientada para a família e para a região que os viu nascer. Tanto que o nome Los del Río deve-se ao rio de Guadalquivir. “Não nos conseguiram arrancar de Sevilha”, garante ao Observador a dupla que em 2022 celebra 60 anos de carreira. 

Los Del Rio Sing The Macarena

Los del Río divulgaram a música "Macarena" em 1993, mas só em 1996 é que se tornou num hit, depois do remix dos Bayside Boys

Evan Agostini/Liaison

A dança que dá para todos e a versão com Michael Jackson que nunca aconteceu

Parte do sucesso de “Macarena” foi, sem dúvida, o vídeo criado pelo francês Vincent Calvet, que junta o duo Los Del Río e 10 mulheres que dançam sobre um fundo branco. Uma delas é Mia Frey, o nome responsável pela coreografia que, independentemente dos erros ocasionais que a memória prega, continua a ser uma das mais facilmente reconhecidas. Ao francês Le Parisien, Frey contou em 2012 como a dança que criou aproximava as pessoas e como tudo aconteceu: “Dou aulas de dança, sabia o que as pessoas gostavam. Durante uma semana, experimentei a coreografia com os meus jovens alunos, simplificando-a até que funcionasse perfeitamente. Usando apenas a parte superior do corpo, permiti que todos dançassem a Macarena: dos idosos às raparigas em minissaias numa discoteca.” O facto de as pessoas se enganarem a dançar, muitas vezes saltando na direção errada no final da sequência, faz parte do charme. “Não faz mal se fizermos a dança na ordem errada”, garantiu.

A dança e o som de “Macarena” tornaram-se de tal forma populares que Bill Clinton usou-a como música de campanha em 1996. Na Convenção Nacional do Partido Democrata dos Estados Unidos desse ano, quando Clinton estava a ser nomeado para o segundo mandato, o tema do grupo Los del Río originou um momento insólito quando muitas das pessoas a assistir dançaram ao som de “Macarena” durante quatro minutos, incluindo a então primeira-dama, Hillary. Até o vice-presidente Al Gore fez uma referência à canção no seu discurso por ocasião do mesmo evento, fazendo ainda a sua própria versão da coreografia (que consistiu basicamente em ficar parado).

A popularidade da música foi tal que, asseguram Los del Río, até Michael Jackson quis gravar uma versão de “Macarena”, algo que nunca chegou a acontecer (o cantor morreu em junho de 2009). “A experiência com Michael Jackson foi muito simpática. Encontrávamo-nos com o seu advogado em Miami e ele dizia ‘O Miguel está louco por gravar uma versão com vocês’. Não dizia Michael, dizia Miguel”, lembra Rafael. Tanto um como outro repetem a mesma ideia: o artista norte-americano usava a “Macarena” nos seus espetáculos para animar o público antes de entrar em palco. Nada aconteceu com Jackson, mas sim com o rapper Tyga, que gravou uma versão da música em 2019, cujo vídeo já acumulou quase 150 milhões de visualizações. “Foi obra de Michael Jackson. Mandou um amigo seu de Los Angeles para deixar a Macarena ainda mais forte”, exclamam. Segundo a Sociedade Espanhola de Autores e Editores (SGAE), existem quase 5 mil versões da música.

Questionados sobre se anteveem a criação de um novo hit num futuro próximo, Antonio Romero conta que escreveu a “Macarena”, como tantas outras canções, incluindo a também conhecida “Sevilla Tiene Un Color Especial”, para que o mundo pudesse desfrutar dela. “Escrevemos para o mundo. Para distribuir alegria, para que haja uma vida melhor através da música.” O duo continua a trabalhar, então agora que ambos já foram vacinados e já não estão confinados em casa. Antonio reitera a importância da vacinação, sobretudo depois de ter sido “atacado” pelo vírus da pandemia. “Tive muita sorte em não ser hospitalizado, mas passei muito mal, 14 ou 15 dias muito apertado. Mas felizmente encontro-me bem e louco para escrever e que me venha a inspiração!” Só faltou terminar a entrevista com um “Hey, Macarena / ¡aaaÁÁÁH!”.

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