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Por esta altura da I Liga na temporada passada o Famalicão tinha sete pontos. Há duas épocas tinha quatro, este ano chegava à quarta jornada sem nenhum. E o jogo deste sábado era logo frente ao campeão nacional Sporting, que além deste “peso” trazia ainda três vitórias nos primeiros três jogos do campeonato.

“Têm zero pontos, mas jogam contra o Sporting, o que retira muita responsabilidade”, disse Rúben Amorim antes do jogo. Tem lógica o que o treinador dos leões disse, mas a verdade é que os famalicenses apareçam muito sérios dentro de campo. E isto não tem a ver com atitude ou brio, mas sim com a forma como Ivo Vieira montou a sua equipa, poucas vezes destapando a “manta”, mas ao mesmo tempo chegando ao intervalo com oito remates, contra dois dos leões.

O Sporting teve mais bola, claro, e até podia ter marcado pelo quase inevitável Pedro Gonçalves aos 17′, mas a equipa de Famalicão soube estar e vestir os sapatos necessários para “dançar” cada parte do jogo e à equipa de Rúben Amorim estava a faltar alguma coisa. Os passes longos ou mais diretos, muitas vezes usados pelos verdes e brancos, não saíam, ao mesmo tempo que um adversário muito coerente evitava o jogo por dentro. Nem sempre, claro, mas o suficiente para evitar mais lances que assustassem muito os adeptos do Famalicão.

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Adeptos estes que se levantaram seguramente da cadeira duas vezes, mas acabaram por sentar-se desiludidos com o resultado final das jogadas, visto que Adán, guarda-redes do Sporting, negou dois golos a Ivo Rodrigues até ao intervalo, que chegou com o Famalicão a equilibrar o jogo e com as melhores chances.

Ao intervalo era claro que o Famalicão não se fazia rogado se tivesse bola e conseguia muito rapidamente colocar homens na zona de finalização, ao mesmo tempo que numa espécie de 4x2x4 defensivo muito bem conseguido nas laterais iam bloqueando a equipa de Alvalade. Para a frente, Jaime era o “maestro”, mas não estava sozinho…

a segunda parte começou com o mesmo Jaime a ficar a centímetros do golo, continuando assim a senda de bons minutos do Famalicão. Mas rapidamente o Sporting assumiu o jogo como talvez o devesse ter feito de início e quando Rúben Amorim colocou Porro e Nuno Santos os dois criaram logo um lance em que o avançado número 11 acertou no poste.

Mas os lances que passavam pelos pés de Jaime eram sempre um perigo e quando este isolou Ivo Rodrigues pela terceira vez, o extremo português resolveu fintar Adán e colocar a bola na direção da baliza para o golo. Estava feito o 1-0. No entanto, o golo não é “seu” porque Gonçalo Inácio e Nuno Mendes foram atrás da bola e foi o lateral esquerdo o último a tocar na bola antes desta entrar.

O Sporting assumiu ainda mais a bola e o golo acabaria por chegar, mas de bola parada. Na sequência de um pontapé de canto, aos 82′, um desvio ao primeiro poste deixou a bola em Palhinha que encostou para o empate. Passados dois minutos, Porro cruzou e Paulinho cabeceou de uma zona em que costuma fazer golo, mas acertou no guarda-redes adversário. Mais um minuto e uma boa defesa de Luíz Junior após cabeceamento de Tiago Tomás. O Sporting apertava e Porro entrou muito, muito bem.

Mas que guarda-redes é que voltou a dar nas vistas? Adán, pois claro, que negou mais um golo. O espanhol não foi sempre pressionado, claro, mas tem a qualidade de estar sempre pronto, dizendo presente sempre que necessário.

Muita, muita correria no final do encontro com um pressing óbvio do Sporting e o Famalicão a tentar aguentar-se. Pois bem, aguentou-se, ganhando o primeiro ponto do campeonato frente a, nada mais, nada menos, que o campeão nacional. Muito mérito de Ivo Vieira e da equipa da casa. Muito mesmo.