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O que acontece com os resíduos orgânicos? Esta escola ensina a fazer compostagem em casa com minhocas ou farelo

A Escola a Compostar quer cada vez mais pessoas a optarem por este hábito em casa, uma forma de perceber o impacto que os resíduos orgânicos têm no ambiente. As inscrições já estão abertas.

Os resíduos orgânicos continuam a representar entre 35 a 50% dos resíduos domésticos
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Os resíduos orgânicos continuam a representar entre 35 a 50% dos resíduos domésticos

Os resíduos orgânicos continuam a representar entre 35 a 50% dos resíduos domésticos

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Produzir lixo orgânico em casa é daquelas partes da vida doméstica que se faz sem pensar, mas não devia ser assim. O que é deixado no caixote devia devia ser alvo de reflexão, sobretudo quando em vez de ir lá parar podia entrar num compostor caseiro que qualquer pessoa pode ter em casa — e quem defende esta posição é a Zero Waste Lab, a Mudatuga e as Hortas Lx. As três entidades juntaram-se para criar a primeira escola de compostagem gratuita com aulas online e sessões presenciais. A Escola A Compostar já tem inscrições abertas e decorre com turmas novas todas as semanas até outubro.

Já se tornou numa espécie de chavão ambiental, mas a verdade é que quando o ser humano interfere negativamente na natureza, está também a interferir negativamente na sua vida e nas várias dimensões do quotidiano. “Estamos num ponto em que já não dá para voltar atrás e é inevitável falar da responsabilização e cooperação de cada um e isso passa por aquilo que conseguimos fazer em conjunto”, explica Sara, uma das fundadoras da associação Zero Waste Lab. Quando Sara fundou a ZWL, em 2017, falar sobre lixo zero era uma coisa “um bocadinho estranha para ser falada nessa altura”, mas ao longo dos últimos anos a associação teve de traduzir essa questão e transformá-la num pilar de responsabilidade comunitária, assim como deveria ser a compostagem. A ela neste projeto juntou-se também a empresa de compostagem Mudatuga, cuja missão é “transformar pessoas comuns em ninjas da compostagem”, e também as Hortas Lx, que se dedicam à permacultura e agricultura biológica.

A Escola A Compostar surge com o apoio do Fundo Ambiental no âmbito do Programa “Apoiar uma nova cultura ambiental – Produção e Consumo Sustentáveis” e quer chegar ao máximo de pessoas possível numa missão de desmistificar e tornar a compostagem num tema recorrente lá de casa.

As inscrições já se encontram abertas, até porque o curso arranca esta terça-feira, 31, e prolonga-se com blocos de aprendizagem semanais. As duas turmas semanais — uma às 14h outra às 20h — ingressam na escola para um total de cinco sessões, sendo quatro delas online e a última é presencial, sendo que para já é lecionada em Lisboa, mas a ideia é que seja possível depois levar a sessão a outras cidades interessadas no tema. A primeira aula está direcionada para aprendizagens sobre lixo zero, hábitos sustentáveis em casa e economia circular, e a segunda será dedicada à compostagem termofílica. A terceira e a quarta sessões dizem respeito aos métodos de compostagem com minhocas e Bokashi, respetivamente.

A sessão presencial é de três horas e foca-se depois naquele que as mentoras do projeto dizem ser o “fechar de um ciclo” uma vez que a aula é dada com o apoio das Hortas Lx para mostrar como se podem criar hortas em casa e utilizar o composto criado.

No fim das sessões, as aulas vão ficar disponíveis numa plataforma online também ela gratuita, onde será possível a equipa continuar a acompanhar e monitorizar quem enveredou pelo curso e continua a atividade doméstica. Nessa plataforma vão ainda estar disponíveis manuais de instruções e um fórum de discussão para que os participantes possam trocar experiências. “Acreditamos que o mais importante é criar impacto em cadeia, e portanto queremos que as pessoas possam se tornar multiplicadoras da compostagem depois deste curso”, diz Maria Cristina Sousa, da Zero Waste Lab.

Para começar, o dito investimento inicial é mesmo “na educação”, dizem as duas mentoras, e para além disso, ao contrário do que é muitas vezes apregoado, não é preciso maquinaria especial nem tampouco de custo elevado para fazer compostagem em casa. Carolina explica que basta um balde — que pode ser até pedido em estabelecimentos comerciais como lojas ou pastelarias — ou até uma caixa de arrumação para começar o processo. Depois, dependendo do método escolhido é preciso optar pelo material ativo de compostagem, se as minhocas, se o método Bokashi.

O método Bokashi utiliza farelo para fazer a compostagem ©DR

Se a opção forem as minhocas estas podem ser pedidas gratuitamente através do mapa colaborativo da Mudatuga para os membros da comunidade, ou mesmo compradas na loja online da entidade. No caso do Bokashi, o elemento que difere é que em vez de minhocas usa-se um farelo especial que também pode ser adquirido na loja da Mudatuga. Sobre os mitos que vêm à baila regularmente na hora de falar sobre compostagem, Carolina esclarece: “esses mitos surgem porque algumas pessoas fazem mal e dão esse feedback”, diz. “Quem não limpa a caixa da areia do gato também fica com ambiente desagradável. Durante as sessões práticas eu quero que as pessoas cheirem o compostor, parece que as pessoas têm medo de fazer isso porque acham que vai ter um cheiro horrível. O das minhocas vai cheirar a terra e o bokashi vai cheirar àquilo que pusermos lá dentro e o farelo neutraliza o mau cheiro.”

Os resíduos orgânicos continuam a representar entre 35 a 50% dos resíduos domésticos, um valor que varia consoante  a alimentação e estilo de vida de cada família. A compostagem é um meio de redução dessa quantidade de resíduos, quantidade essa que pode bater nos 100% se optar pelo método Bokashi, porque é possível colocar tudo dentro do compostor, e mais reduzida se for pela vermicompostagem. “Com as minhocas há coisas que não podem entrar como é o caso de alimentos com muito sal, limão, alho e cebola, ou até mesmo carne e peixe”, explica Carolina. “Não é que as minhocas não consigam comer esses resíduos, mas o tempo que demoraria seria imenso, aí é que cheirava mal.”

A vermicompostagem é um tipo de compostagem com recurso a minhocas ©Mudatuga

Segundo Sara e Carolina, por conta da Diretiva Europeia 2018/851, e do DecretoLei 102-D/2020, Portugal deverá “mudar totalmente a gestão de bio resíduos no país”, sendo que a compostagem doméstica e comunitária “serão incentivadas, assim como a recolha seletiva de orgânicos nos municípios onde for viável”.

Do lixo a alimento valioso para a terra

No fim, o que acontece ao composto? Essa resposta é simples e é o que torna o fenómeno da compostagem “um fenómeno muito feliz de replicação da natureza”, diz Sara. A utilidade imediata do composto é que este vá servir de adubo para os canteiros lá de casa ou, para quem tem uma horta urbana, possa fazê-la crescer com recurso a compostos orgânicos feitos in loco. “E quando há excesso de composto o ideal é partilhar com a comunidade, é esse tipo de filosofia que queremos incentivar”, explica Sara. “O nosso objetivo também é criar a partir daqui comunidades resilientes, sustentáveis e felizes, porque quando as pessoas não estão sozinhas, tudo funciona melhor.”

As inscrições vão de vento em popa e Carolina tem uma teoria para a Escola A Compostar estar a ter o eco que nunca pensaram que teria em tão pouco tempo. “Quando as coisas dão certo desta forma só quer dizer uma coisa: as pessoas tinham uma necessidade e não havia resposta a essa necessidade. Não conseguiam aprender e era falta de oportunidade, que agora têm connosco”, refere.

Um minhocario da Mudatuga que pode ser adquirido na loja online da empresa ©DR

Outra das vantagens, aponta Sara, é a linguagem e discurso “simples” que usam nas aulas para que “qualquer pessoa que queiram gerir os seus resíduos” possa perceber todo o processo do início ao fim. “O nosso trabalho é o início de uma cadeia de valor e a partir daqui também queremos que as pessoas que participam na escola possam influenciar outras da sua comunidade e alargar a prática a cada vez mais gente”, diz.

Mas essa cadeia de valor acaba até por começar antes do próprio processo de compostagem, a ideia é começar por refletir sobre “a forma como nos alimentamos”, explica Sara, como primeira instância. “É preciso perceber que nem tudo tem de ir fora, que a comida pode ter outras finalidades mesmo que pareça que está em fim de vida”, diz Carolina, por sua vez. “Quando a pessoa começa a perceber que não pode colocar muita coisa de resíduos alimentares no compostor das minhocas, por exemplo, é aí que vês o impacto do que comes e do que gastas.”

A iniciativa, apesar de ser apoiada, pelo Fundo Ambiental tem a perspetiva de continuar a desenvolver ações como esta e, por isso, Sara e Carolina deixam o apelo a empresas ou mecenas “que se identifiquem com esta filosofia” a juntarem-se à causa e “a levar mais longe” a iniciativa.

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