A realizar um início de temporada algo abaixo das expectativas, com duas vitórias, dois empates e duas derrotas e a desilusão da Supertaça perdida para o Sporting, o Sp. Braga olhava para a Liga Europa como um eventual trampolim para o patamar que a equipa deseja alcançar. E foi António Salvador, o presidente dos minhotos, que deixou esse aviso à navegação.

“As expectativas são boas. Vamos iniciar esta competição europeia com confiança, por aquilo que o Sp. Braga pode vir a fazer e pelo que tem feito no passado. O Sp. Braga tem história nesta competição, tem estado permanentemente na fase de grupos, tem passado quase sempre à fase seguinte. Sabemos que temos de fazer mais e melhor do que aquilo que temos feito no arranque do Campeonato, muito mais e melhor do que aquilo que fizemos no último jogo contra o P. Ferreira, porque para se ganhar jogos não chega a qualidade, é preciso trabalhar, ser intenso, agressivo, correr. Vamos ter de ter tudo isso na quinta-feira”, afirmou Salvador. Mas no primeiro jogo da fase de grupos da Liga Europa, em Belgrado e contra o Estrela Vermelha, Carlos Carvalhal lembrava que os minhotos enfrentavam “um grande desafio”.

“O Sp. Braga não entra em nenhum campo para empatar mas sim para vencer. Vamos respeitar um adversário difícil, que joga o seu campo, que está invicto em casa há 46 jogos. É um grande desafio mas nós gostamos de grandes desafios e vamos estar à altura dele. Nós respeitamos o adversário mas não tememos ninguém. É uma equipa boa, com bons jogadores, quase todos internacionais e muito experientes, que valem pelo seu todo. Mas temer… Não tememos ninguém”, atirou o treinador na antevisão da partida, deixando logo essa ideia de que o objetivo passava por interromper a série de 46 partidas consecutivas, desde 2019 e contra o Bayern Munique, sem perder em casa do Estrela Vermelha.

Inserido no Grupo F da Liga Europa e para além do Estrela Vermelha, o Sp. Braga tinha como adversários os dinamarqueses do Midtjylland e os búlgaros do Ludogorets. Ou seja, de forma teórica, tinha um grupo em que o apuramento para os 16 avos de final parecia acessível e plenamente ao alcance de uma equipa que nas últimas quatro temporadas superou a fase inicial da competição em três ocasiões. Mas, para isso, era preciso entrar bem na Sérvia — onde o grupo de Carlos Carvalhal recebeu a visita e o apoio de Mladen Karoglan, antigo avançado croata que representou o Sp. Braga entre 1993 e 1999 e fez 400 quilómetros, da Croácia até Belgrado, para cumprimentar os jogadores minhotos.

No onze inicial, Carlos Carvalhal fez cinco alterações face à equipa que no fim de semana empatou em Paços de Ferreira: saíram Yan Couto, André Horta, Fábio Martins, Chiquinho e Mario González, entraram Fabiano, Lucas Mineiro, Galeno, Piazon e Abel Ruiz. O Sp. Braga atuava com uma linha de três defesas formada por Paulo Oliveira, Diogo Leite e Tormena, com Galeno e Fabiano a ficarem responsáveis pelos corredores. Do outro lado, a grande figura acabava por ser o treinador Dejan Stankovic, antiga glória do futebol sérvio que ganhou a Serie A com Sérgio Conceição na Lazio e a Liga dos Campeões com José Mourinho no Inter Milão.

O Estrela Vermelha começou melhor, empurrando o Sp. Braga para o próprio meio-campo durante os minutos iniciais, mas depressa os minhotos conseguiram aliviar à pressão e equilibrar as dinâmicas. A equipa portuguesa foi mesmo a primeira a criar perigo, com remates por cima de Abel Ruiz (3′), Galeno (9′) e Ricardo Horta (14′), sendo que os sérvios responderam também com um pontapé demasiado alto de Ivanic (15′). Pouco depois, Ricardo Horta acabou por ter nos pés a melhor oportunidade do jogo até então: Galeno fez um passe a rasgar a defesa, Ivanic falhou a interceção e deixou o avançado português com tudo para abrir o marcador mas Horta voltou a atirar por cima (22′).

Numa primeira parte sempre muito equilibrada e com muita discussão na zona do meio-campo, o Sp. Braga foi a equipa mais incisiva e objetiva, somando as melhores oportunidades de golo. Já depois de o Estrela Vermelha ser obrigado à primeira substituição, por lesão do médio Fardou Ben, Ricardo Horta voltou a ter uma boa oportunidade para marcar com um grande pontapé de fora de área que passou por cima (44′) e, já nos descontos, Galeno acertou no poste depois um primeiro desvio de Lucas Mineiro (45+1′).

Nenhum dos treinadores fez substituições ao intervalo e o jogo regressou com poucas alterações e ainda muito amarrado, embora o Sp. Braga tivesse intensificado ligeiramente a superioridade que já havia demonstrado na primeira parte. O Estrela Vermelha tinha menos bola mas parecia estar confortável nesse papel em que oferecia a iniciativa ao adversário e tentava explorar a profundidade no contra-ataque ou a eficácia nas bolas paradas. Nesse sentido, a primeira grande ocasião do segundo tempo voltou a pertencer a Ivanic, que surgiu na esquerda e rematou com pouco ângulo para uma grande defesa de Matheus (62′). Na resposta, os minhotos voltaram a acertar nos ferros da baliza de Borjan, com Lucas Mineiro a atirar de fora de área e a bola a desviar na trave depois de bater na cabeça de Ricardo Horta (65′).

Crvena Zvezda v Sporting Braga - Group F - UEFA Europa League

Dejan Stankovic, antigo jogador do Inter Milão e da Lazio, é o atual treinador do Estrela Vermelha

Nesta fase, com pouco mais de 20 minutos para jogar, Stankovic voltou a mexer e trocou Zivkovic, a referência ofensiva, por Krsticic, sendo que Carlos Carvalhal respondeu na mesma moeda e refrescou o ataque ao lançar Mario González para o lugar de Abel Ruiz. Pouco depois, Matheus evitou o golo do Estrela Vermelha numa primeira fase, com uma enorme defesa na cara de Diony depois de uma desatenção de Diogo Leite e Paulo Oliveira (74′), mas não conseguiu defender o cabeceamento de Rodic após o canto consequente, na zona da marca de penálti (75′). A vantagem dos sérvios, porém, durou pouco mais de um minuto.

Instantes depois do recomeço do jogo, no seguimento de um erro na saída de bola do Estrela Vermelha, o Sp. Braga recuperou a posse numa zona muito adiantada e Galeno, na esquerda, fletiu para dentro para rematar cruzado de fora de área (76′). Sem permitir que os sérvios blindassem a vantagem com as linhas recuadas e os setores muito próximos, os minhotos empataram de imediato e Carlos Carvalhal procurou desde logo o golo da vitória ao trocar Lucas Mineiro por André Horta e Piazon por Fábio Martins.

Já dentro dos últimos 10 minutos, contudo, Tormena acabou por deitar tudo a perder. O central do Sp. Braga chegou tarde a um duelo com Ivanic na grande área minhota e acabou por fazer uma grande penalidade que Katai converteu de imediato (85′). Carvalhal voltou a mexer e lançou Yan Couto e Sequeira e o segundo esteve perto de assistir Ricardo Horta para o empate, num lance em que o avançado desviou num movimento acrobático e Borjan voou para fazer uma grande defesa (89′).

O Sp. Braga, porém, já não conseguiu chegar ao golo. Os minhotos perderam na Sérvia com o Estrela Vermelha na primeira jornada da fase de grupos da Liga Europa e terão de recuperar nos próximos encontros para ainda lutarem pelo apuramento para os 16 avos de final. A equipa de Carlos Carvalhal não conseguiu assim inverter a semana pobre dos clubes portugueses nas competições europeias, que não registou qualquer vitória, e prolongou não só a invencibilidade sérvia em casa como o mau arranque de temporada.

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