A pressão era muita, a resposta foi ainda maior: sabendo que depois das duas derrotas no Pavilhão da Luz não tinha margem de erro, o FC Porto conseguiu o seu melhor jogo, resolveu em parte os problemas no. ataque que levaram às derrotas iniciais e levou tudo para uma nova “final” este sábado no Dragão Arena. No entanto, as premissas continuavam iguais e o Benfica estava apenas a um triunfo do título.

FC Porto vence Benfica, evita título dos encarnados e leva final de basquetebol para o quarto jogo

“Conseguimos uma vitória importante e agora há que lembrar o que fizemos para conseguir esta vitória e repetir no sábado [jogo 4], mesmo sabendo que cada jogo tem uma historia diferente. Passámos por uma circunstância que é das mais difíceis que se pode ter no desporto, que foi a lesão grave do Morrison, mas conseguimos reagir bem após esse problema e mantermo-nos unidos e focados. O momento do jogo foi o terceiro período”, comentou Moncho López. “Tínhamos de vir com uma intensidade física e mental muito diferente da que tivemos. Fomos pouco eficazes no ataque, tivemos uma percentagem baixíssima de lançamentos. Temos de ser mais agressivos a atacar e a defender”, referiu Norberto Alves.

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Ainda assim, aquilo que se passou no jogo 3 continuava a marcar o jogo 4, com Ivan Almeida a denunciar insultos racistas no encontro de quinta-feira. “Os que calaram perante isto, e já passaram isto por baixo do tapete como poeira, também contribuem para o racismo. Nem a Federação de Basquetebol nem o meu clube Benfica e nem o FC Porto se pronunciaram sobre o sucedido no Dragão Caixa (“Preto, macaco, volta para a tua terra.”). O silêncio também é racismo. E sei que vem para aqui muita gente dizer para mostrar dentro do campo, para não ligar, que as pessoas são estúpidas e que outras não sabem o que dizem. Outros vão dizer não há racismo em Portugal e que me estou a fazer de vítima. Digo-vos também que por baixo deste atleta profissional africano tem um ser humano como todos”, denunciou nas redes sociais.

O Benfica mostrou-se depois desse texto solidário com o jogador que chegou à Luz durante a época após uma passagem de um ano nos polacos do Anwil Wloclawek mas não houve mais comentários em resposta, com o cabo-verdiano de 33 anos a ser um dos protagonistas iniciais do autêntico “atropelo” da formação encarnada no Dragão Arena perante um FC Porto que, ao ficar sem Kloof depois de Morrison, quase se resignou à derrota. Com isso, o conjunto lisboeta conseguiu não só quebrar um jejum de mais de quatro anos sem qualquer título no basquetebol (Taça Hugo dos Santos, 2018) como voltou a ser campeão cinco épocas depois, chegando ao 28.º Campeonato contra apenas 12 do FC Porto e nove do Sporting.

Os encarnados tiveram uma entrada endiabrada no encontro, conseguindo um parcial de 10-0 perante o total desacerto dos visitados na defesa e no ataque e um Ivan Almeida em grande destaque no jogo. Só com 4.40 minutos disputados Miguel Queiroz conseguiu dar os primeiros pontos ao FC Porto, que apesar das tentativas de Kloof nunca conseguiu uma aproximação decisiva, chegou a ter 11 pontos de desvantagem (19-8) e o máximo que conseguiu foi passar para 23-16 com um triplo de Queiroz a fechar o primeiro parcial.

O Benfica dominava por completo a partida, com Gaines a assumir também um papel importante no jogo ofensivo da equipa e a defesa a alternar entre defesa 1×1 e mista para continuar a aumentar os problemas dos azuis e brancos no ataque. Os triplos de Amarante e Kloof ainda conseguiram reduzir um pouco mais a diferença para um conjunto encarnado sem a mesma percentagem de lançamento exterior dos dois jogos iniciais mas capaz de gerir da melhor forma a vantagem, saindo a ganhar ao intervalo por 40-33 sabendo que, depois da lesão grave do poste Mike Morrison, o FC Porto perdera também Kloof por lesão.

A saída de cena de outra das principais mais valias dos azuis e brancos acabou por pesar nos argumentos ofensivos da equipa da casa, que deixou mais uma vez que o Benfica se distanciasse para os dois dígitos a ser melhor em todos os planos, do jogo interior ao ataque organizado desta vez com Broussard a ter um papel de maior protagonismo. E foi um triplo do norte-americano em cima do final do terceiro período, que colocou o resultado pela primeira vez com uma diferença de 17 pontos (64-47), foi quase um xeque-mate no jogo e no título, havendo mesmo diferenças que chegaram a 30 pontos antes do 91-63 no final do jogo.