O dia 13 de dezembro é especial para o FC Porto. Há 36 anos, no final de 1987 e meses depois da conquista da Taça dos Campeões Europeus, os dragões venceram o Peñarol em Tóquio e com muita neve à mistura e levantaram a Taça Intercontinental. Fernando Gomes e Madjer marcaram os golos decisivos — e esta quarta-feira, no mesmo 13 de dezembro, o FC Porto voltava a ter uma grande noite europeia com o objetivo de chegar aos oitavos de final da Liga dos Campeões.

No Dragão, a equipa de Sérgio Conceição recebia o Shakhtar Donetsk e só precisava de um empate para seguir em frente na principal competição europeia — sabendo desde logo que o faria no segundo lugar, já que a liderança do Grupo H estava reservada para o Barcelona. O FC Porto jogava o futuro na Liga dos Campeões na antecâmara do Clássico de Alvalade contra o Sporting, onde vai jogar a liderança do Campeonato, e o treinador dos dragões garantia que a equipa olhava para o confronto com os ucranianos como “uma final”.

Ficha de jogo

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FC Porto-Shakhtar Donetsk, 5-3

Fase de grupos da Liga dos Campeões

Estádio do Dragão, no Porto

Árbitro: István Kovács (Roménia)

FC Porto: Diogo Costa, Jorge Sánchez (João Mário, 76′), Pepe, Fábio Cardoso, Zaidu, Alan Varela, Stephen Eustáquio (Grujic, 81′), Pepê (Francisco Conceição, 81′), Galeno (Iván Jaime, 88′), Taremi, Evanilson (André Franco, 81′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, David Carmo, Wendell, Bernardo Folha, Gonçalo Borges, Danny Loader, Fran Navarro

Treinador: Sérgio Conceição

Shakhtar Donetsk: Riznyk, Gocholeishvili, Valeriy Bondar, Rakitskyi (Kevin Kelsy, 74′), Matviyenko, Bondarenko (Yehor Nazaryna, 86′), Stepanenko, Sudakov, Zubkov (Eguinaldo, 86′), Kryskiv (Newerton, 59′), Sikan

Suplentes não utilizados: Artur Rudko, Stav Lemkin, Denil Castillo, Maryan Shved, Irakli Azarovi, Pedrinho, Novatus Miroshi, Eduard Kozik

Treinador: Marino Pušić

Golos: Galeno (9′ e 43′), Sikan (29′), Taremi (62′), Stephen Eustáquio (ag, 72′), Pepe (76′), Francisco Conceição (82′), Eguinaldo (88′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Cláudio Ramos (30′), a Zaidu (30′), a Sudakov (54′), a Yehor Nazaryna (90′), a Valeriy Bondar (90+1′)

“Depois de nos enfrentarmos na primeira jornada, eles perderam em Barcelona, mas com uma prestação muito positiva. Ganharam em Antuérpia, voltaram a bater o Antuérpia em casa e derrotaram o Barcelona. Com este novo treinador adquiriram alguma consistência. É verdade que o país atravessa um momento muito difícil, ao qual todos somos sensíveis. Mas isto é um jogo de futebol. Enviaram-me um artigo do Financial Times, que não é um jornal qualquer, sobre a importância do jogo para a Ucrânia. A envolvência não será fácil. Espero que as três equipas estejam ao seu nível e que ganhe o melhor”, atirou Sérgio Conceição na antevisão da partida.

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Neste contexto, o treinador recuperava a titularidade de Fábio Cardoso, Zaidu e Galeno, mantendo Jorge Sánchez na direita da defesa apesar de João Mário já estar disponível e sentado no banco de suplentes — assim como Iván Jaime, Francisco Conceição e David Carmo. Do outro lado, Marino Pušić lançava Zubkov, Sikan e Kryskiv no setor ofensivo, sendo que o Shakhtar sabia que estava obrigado a ganhar para poder seguir em frente na Liga dos Campeões.

O FC Porto entrou no jogo claramente à procura de ser superior, assumindo uma posse de bola dominante e que acontecia quase por inteiro no meio-campo adversário. Taremi poderia ter aumentado a vantagem logo nos instantes iniciais, com um cabeceamento que Riznyk defendeu (2′), Eustáquio rematou contra um defesa pouco depois (8′) e Galeno acabou mesmo por abrir o marcador ainda dentro dos primeiros 10 minutos. Pepe soltou um passe vertical na direita, Pepê falhou a receção e Evanilson, já em esforço, cruzou para o avançado aparecer na pequena área a encostar (9′).

Os dragões baixaram as linhas depois de chegarem ao golo, abdicando da pressão alta e eficaz que estavam a implementar e permitindo posse de bola ao Shakhtar, que aproveitou para construir de forma mais ponderada e lançar a velocidade nos corredores. Sudakov ficou muito perto do empate, com um cabeceamento que passou por cima na sequência de um livre (14′), e Diogo Costa ainda evitou o golo com uma boa defesa após remate de Gocholeishvili (27′). O empate, porém, iria mesmo aparecer à passagem da meia-hora.

Num lance polémico e caricato, Zubkov recebeu na direita, passou por Zaidu e cruzou rasteiro para a área, onde Sikan aproveitou o facto de toda a defesa do FC Porto ter parado para desviar para a baliza (29′). A defesa dos dragões parou, porém, porque o árbitro assistente ainda levantou a bandeirola para assinalar fora de jogo de Zubkov; o árbitro principal indicou-lhe que baixasse o braço, algo que aconteceu, e o golo acabou confirmado pelo VAR apesar dos protestos portugueses.

O FC Porto conseguiu recuperar o ímpeto após sofrer o empate, com Galeno a ameaçar desde logo um novo golo com um remate de primeira que Riznyk encaixou (35′), e a verdade é que os dragões não demorariam muito a reconquistar a vantagem. Bem perto do intervalo, Zaidu desequilibrou na esquerda e descobriu Pepê na área, com o brasileiro a deixar à entrada da grande área e Galeno a aparecer a atirar para voltar a marcar e voltar a bisar contra o Shakhtar tal como já tinha feito em Hamburgo (43′). No fim da primeira parte, o FC Porto estava a ganhar — e estava virtualmente apurado para os oitavos de final da Liga dos Campeões.

Nenhum dos treinadores fez alterações ao intervalo e o FC Porto manteve um ligeiro ascendente, com Taremi a ameaçar desde logo o terceiro golo com um cabeceamento que Riznyk defendeu (51′). A segunda parte ia tendo menos aproximações às balizas do que aquilo que tinha acontecido durante a primeira, mas os dragões tinham a capacidade de gerir a posse de bola no meio-campo adversário e o Shakhtar só assustava com transições rápidas e contra-ataques.

Marino Pušić foi o primeiro a mexer, trocando Kryskiv por Newerton à passagem da hora de jogo, e o FC Porto acabou por conseguir aumentar a vantagem com recurso ao que de melhor estava a fazer: pressão alta. Galeno recuperou a bola já no meio-campo adversário e acelerou na esquerda, deixando na área para Taremi atirar de primeira e fazer o terceiro golo dos dragões (62′).

O Shakhtar conseguiu reduzir já dentro dos últimos 20 minutos, através de um autogolo azarado de Eustáquio num lance em que Jorge Sánchez teve uma péssima abordagem (72′), mas o ímpeto ucraniano nem sequer teve tempo para ser lançado. Pouco depois, na sequência de um canto cobrado na direita, Pepe apareceu no coração da grande área a desviar para marcar e recuperou a vantagem do FC Porto (76′). Até ao fim, segundos depois de entrar em campo, Francisco Conceição ainda foi a tempo de marcar com um remate cruzado à saída do guarda-redes (82′), com Eguinaldo a fechar as contas à beira dos descontos (88′).

O FC Porto venceu o Shakhtar Donetsk num jogo com oito golos e garantiu o segundo lugar do Grupo H e o consequente apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões, com os ucranianos a caírem para a Liga Europa. Numa semana em que Sérgio Conceição andou a ler o Financial Times, Galeno bisou e assistiu e mostrou que a notícia era a outra: já tinha decidido que iria ser capa de jornal.