A Casa da Música, no Porto, celebra os 50 anos do 25 de Abril com o ciclo Música & Revolução, que arranca na quarta-feira com a conferência “Passa o Micro!”, na qual se “dá a palavra aos músicos”.

“O espírito revolucionário que quebra com o passado e desenha novos amanhãs celebra-se no festival Música & Revolução. Nos 50 anos da Revolução dos Cravos, evocamos os ideais e as lutas pela liberdade que abriram o país ao mundo”, lê-se no texto de apresentação do ciclo, que se estende até ao dia 30 de abril.

No primeiro dia, quarta-feira, o Música & Revolução “Passa o Micro!” aos músicos, numa iniciativa com entrada livre que conta com a participação, entre outros, de Dino D’Santiago, Ana Lua Caiano, Fernando Ribeiro (dos Moonspell), João Barradas, Marta Pereira da Costa, Gabriela Canavilhas e André Neves (Maze, do coletivo Dealema).

Nas várias conversas, que irão acontecer ao longo do dia, serão abordados temas como a nova realidade da música portuguesa, a projeção da música portuguesa além-fronteiras e como o ensino da música em Portugal evoluiu nas últimas décadas.

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O “Música & Revolução” prossegue na quinta-feira com a exibição do documentário “No princípio era o som”, sobre o compositor Emmanuel Nunes (1941-2012).

O filme “inclui entrevista ao compositor e depoimentos de amigos, familiares e outras personalidades do meio musical, tais como Pierre Boulez, Luís Pereira Leal e Fernando Lopes-Graça, os musicólogos Peter Szendy e Philippe Albéra e o maestro Emilio Pomàrico”. A exibição do documentário é de entrada gratuita.

Os concertos iniciam-se na sexta-feira, com “A madrugada que eu esperava”, espetáculo que junta em palco a Orquestra Sinfonia, o Coro Casa da Música e o Coro Infantil.

Para o espetáculo, o compositor Daniel Moreira musicou poemas de Sophia de Mello Breyner dedicados ao 25 de Abril.

A esta “estreia mundial imperdível”, junta-se uma outra: a estreia da versão orquestral de “American Settings”, de Vasco Mendonça, que conta com o contratenor inglês Iestyb Davies a interpretar textos de autores norte-americanos contemporâneos.

De acordo com a Casa da Música, trata-se de “poemas sensíveis onde predomina a abordagem aos problemas sociais, ao racismo e ao neocolonialismo”.

A estas duas estreias, juntam-se ainda as apresentações de “Meta-Formoses, concerto para clarinete baixo”, de Jorge Peixinho, e de “Talkin(g) (A)bout My Generation”, de Pedro Lima, pelo Remix Ensemble Casa da Música.

No dia 24 de abril, a Casa da Música homenageia José Afonso, com a obra do autor de “Grândola, Vila Morena” a ser alvo de uma releitura para orquestra.

“E que orquestra: são mais de 300 músicos, entre alunos de escolas vocacionais e membros de bandas filarmónicas. Num projeto desenvolvido em parceria com a ESMAE [Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo], este batalhão de artistas celebra o 25 de Abril da melhor maneira: apresentando em estreia mundial novos arranjos para um conjunto de canções de Zeca”, lê-se na apresentação do espetáculo “Venham mais 300”.

Em 26 de abril, ex-combatentes do Exército português juntam-se em palco a jovens músicos e estudantes de dança no espetáculo “Abril”, que “celebra a Liberdade, o fim da Guerra Colonial e os 50 anos da Democracia em Portugal”.

O ciclo termina no dia 30 de abril, com o espetáculo “Freedom”, de Hélder Moutinho, cujo alinhamento irá reunir temas do fadista “a canções de intervenção que marcaram o período revolucionário, não perdendo de vista algumas das músicas mais icónicas do mundo sobre liberdade e opressão social”.

Antes disso, em 23 de abril, a harpista Maria Sá Silva homenageia Carlos Paredes, “músico que fez da guitarra portuguesa o seu grito de liberdade”.

A programação completa do ciclo “Música & Revolução” pode ser consultada no ‘site’ da Casa da Música, em https://casadamusica.com/ciclos-e-festivais/musica-e-revolucao-2024/.