A Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) vai apresentar na quarta-feira uma nova ferramenta de divulgação das suspeitas de reações adversas a medicamentos, criada para reforçar a transparência da farmacovigilância em Portugal.

Segundo adiantou o Infarmed, este novo ‘dashboard’ constitui um meio de divulgação dos dados do Sistema Nacional de Farmacovigilância (SNF), criado em 1992, que pretende “otimizar a transparência relacionada” com essa informação.

Na prática, a ferramenta vai permitir a qualquer pessoa ter acesso à informação sobre notificações de suspeitas de reações adversas a medicamentos (RAM), explicou o Infarmed.

As informações incluídas no portal RAM dizem respeito a notificações de suspeita de reações adversas (efeitos indesejáveis), ou seja, acontecimentos clínicos que foram observados após a utilização de um medicamento ou vacina, mas que não estão necessariamente relacionados ou causados por este.

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Desde o início do sistema de vigilância, o Infarmed registou um aumento sustentado do número de notificações, que passaram de apenas nove em 1992, primeiro ano de funcionamento, para 39.267 em 2021.

Já em 2022, recebeu 26.932 notificações de suspeitas de reações adversas, sendo que 5.902 (22%) foram recebidas por via direta e 21.030 (78%) através da indústria farmacêutica.

Antes de qualquer medicamento ser autorizado, é sujeito a uma fase experimental em que é alvo de estudos para comprovar a sua qualidade, eficácia e segurança.

Esses ensaios clínicos permitem detetar as reações adversas — conhecidas por efeitos secundários — mais frequentes, no entanto, podem existir reações adversas raras ou de aparecimento tardio, que não são detetadas durante a fase experimental do medicamento.

Segundo o Infarmed, podem notificar suspeitas de reações adversas qualquer profissional de saúde, mas também qualquer cidadão, quer seja o doente que sofreu a reação, quer seja familiar ou cuidador.