Conhecido como um forte produtor de batata, a Bielorrússia enfrenta, esta primavera, uma escassez deste alimento provocada pela política de controlo rígido de preços introduzida por Alexander Lukashenko, que tem motivado muitas críticas da oposição ao Presidente bielorrusso, avança o Politico.

Ao contrário do pretendido pelo Chefe de Estado, que queria baixar os preços das batatas (evitando a inflação), os limites impostos em outubro de 2022 tornaram a produção pouco lucrativa para os agricultores.

Uma vez que o aumento dos preços de venda não acompanhou o aumento do custo de produção, os agricultores viram-se obrigados a tomar uma opção: ou vendiam as batatas para a vizinha Rússia, ou cultivavam menos.

A oposição acredita que foram as medidas de Lukashenko que provocaram uma queda significativa na produção do tubérculo na Bielorrússia. De 4 milhões de toneladas de batatas colhidas em 2023, o país do leste europeu passou para 3,1 milhões.

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“Se conheces a história da União Soviética, [sabes que] quando as pessoas não têm motivação não as podes forçar a fazer bem o seu trabalho”, denunciou Lev Lvovskiy, diretor do BEROC, o centro de estudos académicos e económicos mais importantes da Bielorrússia.

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Os críticos entendem que a viragem dos produtores para o mercado russo é uma humilhação para o regime de Minsk e denunciam a postura do Chefe de Estado, que incentiva os cidadãos a fazerem queixa dos supermercados que infringirem as regras impostas, prejudicando estes estabelecimentos, além dos agricultores.

Segundo os dados do BEROC, citados pelo Politico, as batatas custam o dobro na Rússia em comparação com a Bielorrússia, o que favorece os produtores que optam por fugir ao mercado interno. Em 2024, os bielorrussos eram os principais fornecedores deste alimento básico para os vizinhos russos, com 200 mil toneladas exportadas.

A boa relação entre os dois países — e entre Lukashenko e Vladimir Putin — levou o Presidente bielorrusso a implorar aos agricultores que produzissem o suficiente para “ajudar parentes russos” e, “além disso, “ganhar um bom dinheiro com isso”.

A escassez, no entanto, obrigou o Chefe de Estado a proibir, temporariamente, a exportação deste alimento sem licença a partir de dezembro de 2024. No entanto, impedidos de lucrarem com vendas para a Rússia, muitos agricultores começaram a colocar rótulos de batatas estragadas em batatas saudáveis e continuaram a enviá-las para a Rússia, contou Lvovskiy ao Politico.

Como resultado, têm-se multiplicado as batatas pequenas e podres nos supermercados bielorrussos. Ales Alachnovic, conselheiro económico da líder da oposição exilada, Sviatlana Tsikhanouskaya, considera que esta situação mostra que “Lukashenko e o governo podem criar, artificialmente, défices de alimentos que antes eram enormes”.

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O regime bielorrusso defende que o Governo fez várias alterações à resolução “com base na realidade”. “Todas as tendências negativas no comércio e na indústria foram eliminadas pela raiz. A regulação de preços não causou desequilíbrios. Há uma quantidade suficiente de produtos nas prateleiras a preços razoáveis”, alegou Ivan Vezhnovets, vice-ministro de Regulação Antimonopólio e Comércio em março.

Um mês depois destas declarações do governo, o executivo viu-se obrigado a aumentar o preço máximo de venda de batatas, para incentivar os agricultores a cultivar mais batatas. Já em maio, o estado reverteu a proibição de importação de batatas de países da União Europeia considerados “hostis” para tentar resolver a escassez autoinfligida. “Agora está a melhorar”, disse Lvovskiy.

Em maio, o Comité de Controlo do Estado incentivou as pessoas a denunciarem os comerciantes que não vendessem batatas, ou que as colocassem a um preço superior ao estabelecido. “Parte da estratégia era perseguir os vendedores na esperança de que eles, com medo da prisão, arranjassem batatas do nada”, acrescentou Lvovskiy.

Este mês, Lukashenko não só atirou a culpa para “certos indivíduos” que fabricaram a escassez para castigar a política económica do governo, como também valorizou a ação repressiva do executivo: “Havia batatas em abundância, mas o fornecimento era limitado para demonstrar efeitos adversos da interferência do presidente nas práticas de preços. Mas quando [o Comité de Controlo do Estado] apareceu com ‘algemas’ e as colocou em cima da mesa, as batatas ficaram disponíveis”.