O reaparecimento de Pedro Passos Coelho foi esta quinta-feira aproveitado pelo líder do PS para apontar uma potencial instabilidade política na AD. No dia em que entregou ao presidente socialista a moção com que se recandidata às eleições diretas de março, José Luís Carneiro alinhou mesmo com algumas das críticas que foram feitas pelo antigo líder do PSD ao Governo de Luís Montenegro, tentando pôr o dedo nas feridas abertas por Passos.

Não foi preciso que nenhum jornalista lhe perguntasse, o próprio líder socialista vinha preparado para expressar a “maior preocupação sobre a capacidade da própria AD manter a estabilidade política no país”. E isto a propósito das declarações criticas de Pedro Passos Coelho na terça-feira em relação ao Governo de Luís Montenegro.

A referência ao antigo líder e primeiro-ministro social-democrata surgiu quando respondia a uma pergunta sobre as garantias que dá e relação à estabilidade política. Carneiro afirmou que “o PS não criará crises políticas, mas estará preparado para todas as responsabilidades” e logo a seguir apontou à AD que diz ser “o principal fator de instabilidade”. Porquê? “Olhando para as declarações do doutor Passos Coelho em relação ao Governo, elas de facto suscitam a maior preocupação sobre a capacidade da própria AD manter a estabilidade política no país”, referiu o socialista.

E para Carneiro, o antigo primeiro-ministro “tem razão quando diz que não há qualquer reforma do Estado, contrariamente àquilo que o Governo apresenta”, concordando também quando o social-democrata “diz que o Governo está a enxamear toda a Administração Pública com cargos de cariz partidário, fragilizando as funções essenciais do Estado”.

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O socialista falava na sede nacional do partido, onde esteve de manhã a entregar a Carlos César a moção que vai levar ao congresso de 27, 28 e 29 de março, em Viseu. Do presidente do partido ouviu rasgados elogios por se ter tornado, nestes oito meses de liderança do partido, numa “personalidade referencial, um motivo de segurança do PS e de confiança no futuro”.

O socialista falou na “coragem desde início” de Carneiro, quando iniciou o mandato com o PS “em circunstâncias de fragilidade”, depois da demissão de Pedro Nuno Santos numa altura em que o PS passou para terceira força política na Assembleia da República. E disse também que, neste período de tempo, o líder recandidato “demonstrou não só sensatez, como competência, capacidade agregadora e esperança para um futuro mais interventivo do PS na sociedade portuguesa”.

César falou também da imprevisibilidade geral da vida política, dizendo saber-se que “vivemos momentos difíceis que se alteram continuamente”, para logo a seguir dizer que confia que “o PS está a ser e será uma referência essencial da estabilidade política, da interlocução política e da participação dos portugueses na política”.

Um alinhamento com Carneiro que apresentou uma moção onde garante que o PS “não procura eleições legislativas antecipadas”. E posiciona mesmo o partido como dialogante e sem “ruturas”, tentando puxar o Governo para o seu lado, desafiando-o a resistir “ao canto da sereia da extrema-direita.” Recorde-se que o PS vai novamente a votos, dias 13 e 14 de março, já que as eleições internas de junho passado (que elegeram Carneiro pela primeira vez) foram apenas para resolver a “vacatura do cargo”, após a demissão de Pedro Nuno Santos. O partido teve de fazer novas diretas, 15 dias antes do congresso que vai realizar-se em Viseu no fim do mesmo mês.

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