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A IA em destaque no Encontro Fora da Caixa

“Inteligência Artificial: o motor para a próxima revolução industrial?” foi o tema do Encontro Fora da Caixa, em Braga. No evento foi discutida a importância da IA no futuro das empresas.

Perante um auditório cheio, Paulo Moita de Macedo abriu mais um Encontro Fora da Caixa. O Presidente da Comissão Executiva da Caixa analisou como é que a IA pode ajudar a criar valor para a Economia. Dando o exemplo da banca, Paulo Moita de Macedo referiu que, para dotar as empresas de resiliência e prepará-las para a transformação, é necessário ter em consideração os inputs – as pessoas e os assuntos certos aliados à tecnologia adequada – para se conseguir os outputs pretendidos.

Tânia Carreira

Para o gestor da Caixa Geral de Depósitos (CGD), a Inteligência Artificial é um suporte para a estratégia e as necessidades tecnológicas das empresas e é necessário analisá-la para perceber que tipo de inovação, eficiência, automatização e criatividade é que pode proporcionar aos negócios.

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Inteligência Artificial e Sustentabilidade

No campo da sustentabilidade, Paulo Moita de Macedo acredita que a IA vai ajudar-nos a ter organizações mais sustentáveis, com a otimização de processos, o aumento da eficiência, a redução de custos, a tomada de decisões mais informada, a criação de oportunidades de negócio, e o impulso da inovação.

Mas, a par das oportunidades, a IA também implica alguns desafios. Segundo um quadro apresentado em 2023 pelo World Economic Forum, os principais riscos identificados, no curto prazo, estão relacionados com a tecnologia, com a desinformação e informação falsa a liderar as preocupações. Já durante a próxima década, os riscos ambientais são os que ocupam o topo dos riscos mais graves a enfrentar. No entanto, como salienta Paulo Moita de Macedo, “nas preocupações a longo prazo não desaparece nenhuma das questões relativamente aos dados”.

Paulo Moita de Macedo, Presidente da Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos

Tânia Carreira

O cliente no centro do negócio

O setor bancário concentra grande parte do seu serviço nos clientes mais seniores, porque é nesta base de clientes que está o maior património, a maior relação com a banca e a maior proximidade. No entanto, com a entrada da Geração Z em cena, é preciso mudar a forma como a banca se relaciona com os clientes. De acordo com o gestor da Caixa, os clientes mais novos “querem ter uma experiência quase como têm quando vão à Amazon”. Paulo Moita de Macedo relembra que a tecnologia serve para fazer melhor, harmonizar os diferentes canais e tornar os clientes o centro dos negócios.

Concluindo a sua intervenção, afirmou a disponibilidade da CGD para financiar atividades relacionadas com a IA, já que as considera necessárias para o futuro e para o desenvolvimento da Economia.

As tendências macroeconómicas para 2024

Rui Martins, Diretor de Estratégia da Caixa Gestão de Ativos, falou à plateia do momento que estamos a viver atualmente, a nível económico, e daquilo que podemos esperar nos próximos tempos. Para 2024, prevê-se que a tendência de abrandamento da Economia continue, quer nos EUA, quer na Zona Euro. A desinflação também vai continuar, de forma mais gradual, mas a taxa de inflação irá manter-se acima dos 2%, que é o objetivo dos bancos centrais.

Rui Martins, Diretor de Estratégia da Caixa Gestão de Ativos

Tânia Carreira

No que diz respeito aos mercados acionistas, o primeiro trimestre de 2024 continua a ser de excelentes resultados. Principalmente as empresas relacionadas com a Inteligência Artificial registaram desempenhos substancialmente elevados nos últimos tempos: entre dezembro de 2022 e março de 2024 os negócios que estão ligados à IA subiram 96% na bolsa.

A primavera da Inteligência Artificial

Arlindo Oliveira, professor do Instituto Superior Técnico e Administrador da Caixa Geral de Depósitos, deu início à sua intervenção com um pequeno resumo da história da IA. Focando-se nos últimos 75 anos, explicou que os desenvolvimentos na área da IA têm sido sistemáticos, com avanços profundos na última década. Depois dos “invernos”, em que houve um grande desânimo no desenvolvimento desta área, estamos, segundo o professor, na “primavera mais quente da inteligência artificial”.

O administrador da Caixa divide a IA em três grandes grupos: a analítica, ou seja, colecionar, organizar e explorar informação para criar valor económico; a automação, que é a substituição de seres humanos em funções que são passíveis de serem automatizadas através de programas inteligentes; e a Inteligência Artificial geral, que é a área relacionada com os sistemas cuja inteligência se aproxima cada vez mais da inteligência humana.

Arlindo Oliveira, Professor do Instituto Superior Técnico e Administrador da Caixa Geral de Depósitos

Tânia Carreira

Além das vantagens, cada uma destas áreas levanta, igualmente, riscos. A analítica apresenta desafios ao nível da privacidade, da desinformação e da radicalização. A automação pode criar problemas de desemprego e desigualdade, e a Inteligência Artificial geral levanta riscos de segurança e perda de controlo. Em relação a este último ponto, o professor do IST deixou a dúvida no ar: será que o eventual domínio da IA é uma ideia só da ficção científica? A verdade é que, mesmo dentro da área, não existe consenso.

Quanto ao futuro da IA, Arlindo Oliveira fala na teoria do processo dual e diz que, quando for possível interligar o sistema 1, de intuição, ao sistema 2, de raciocínio, estaremos perante um sistema poderoso e “a sociedade vai ter de se adaptar a viver numa situação em que especialistas de determinados domínios são automatizados”.

A inteligência artificial no apoio ao cliente

Na intervenção seguinte da conferência, Rui Lopes, CEO da AgentifAI, trouxe ao auditório do Espaço Vita a aplicação da IA em serviços de atendimento ao cliente. Falando da banca, o empresário referiu que, atualmente, os clientes procuram cada vez mais um atendimento personalizado. Por isso, considera que “quem conseguir fazer um atendimento de excelência consegue transformar um centro de custos numa vantagem competitiva.”

Um atendimento ao cliente excelente passa por uma resposta rápida, personalização e eficiência. Mas os desafios que esta área enfrenta – operações críticas e caras e falta de recursos – fazem com que os clientes tenham experiências menos positivas. Então, como é que se melhora o atendimento ao cliente? Para Rui Lopes a resposta está na automação dos sistemas feita a partir da experiência humana. E dá o exemplo da assistente virtual da Caixa, criada em 2020.

Rui Lopes, CEO da AgentifAI

Tânia Carreira

O sistema integrado na aplicação Caixadirecta foi o primeiro assistente de IA transacional por voz em Portugal e um dos primeiros na Europa e no mundo, capaz de realizar operações bancárias sem intervenção humana. A Caixa foi, também, o primeiro banco internacional a lançar um processo de subscrição de crédito e a permitir a atualização de dados dos clientes através de uma interface conversacional.

O empresário conclui a sua intervenção referindo que, para ele, a verdadeira disrupção não está na Inteligência Artificial, mas naquilo que a IA permite fazer. A disrupção está na experiência de cliente. “Pela primeira vez é a tecnologia que se adapta às pessoas e não o contrário”, diz.

Aplicar a Inteligência Artificial nas empresas portuguesas

Num painel dedicado às empresas, José Manuel Fernandes, publisher do Observador e host do evento, esteve à conversa com um elenco de luxo: Carlos Oliveira, Empreendedor, Board Member & Senior Advisor, José Machado, Professor da Universidade do Minho, José Mário Fernandes, Administrador Executivo Grupo Casais, Teresa Martins, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Enermeter e Madalena Talone, Administradora Executiva da Caixa Geral de Depósitos, que debateram a importância da inteligência artificial para o futuro do tecido empresarial português e as dificuldades que Portugal e a Europa enfrentam neste campo.

Tânia Carreira

Para Carlos Oliveira, a IA é a revolução da nossa sociedade. O empreendedor diz que o grande desafio, em Portugal, é pensar nos negócios que podem ser escalados para o mundo com a ajuda da IA e saber qual o impacto que estas tecnologias têm na forma como estes são operados. Para o empreendedor, Portugal e a Europa têm o conhecimento, não estão é a ter a capacidade de criar valor económico que permita competir, dentro da área da IA, com empresas como a Google ou a Microsoft.

Já para José Machado, os grandes problemas que fazem com que a Europa não se consiga afirmar no domínio da IA são a excessiva regulamentação e a falta de investimento. Segundo o professor universitário, a Europa dedica muito tempo a questões como a legislação e a ética – questões que considera importantes – mas que podem ser prejudiciais ao desenvolvimento europeu. Além do problema da regulamentação, principalmente no que diz respeito aos dados, José Machado salienta que os países europeus não têm a capacidade de investimento dos EUA e da China.

José Mário Fernandes concorda e diz que há uma tentativa de organizar a Europa através de normas. No entanto, a normalização traz a perda de agilidade e, de forma a resolver esse problema, deixa uma sugestão: a Europa pode usar a sustentabilidade para criar uma nova economia industrial.

Para Teresa Martins o grande problema é a baixa literacia tecnológica e o facto de os empresários não estarem devidamente informados e formados para adotar estas novas tecnologias nas suas empresas. A empresária diz que Portugal precisa de trabalhar mais em cluster, “porque somos demasiado pequenos para sermos bons em muitas coisas”. Afirma que o país tem de se organizar cada vez melhor e ter empresas líderes que possam ganhar escala para a Europa e para o mundo.

Falando na perspetiva da banca, Madalena Talone diz que o setor bancário pode ter um papel relevante nesta mudança. A administradora da Caixa afirma que, primeiro, as empresas precisam de ter bem definido qual é a estratégia que querem seguir, até porque o impacto da inteligência artificial na geração de valor vai ser grande e é necessário levar isso para os negócios. A tecnologia está ao serviço das empresas e das pessoas e não se devem ignorar os riscos nem paralisar com o medo, mas sim garantir que existem processos que permitem adotar a tecnologia de forma segura e responsável. Acrescenta, ainda, que a Europa pode não ser o fornecedor deste tipo de tecnologias, mas que isso não invalida que não sejamos os melhores a usá-la.

Jazz e poesia

Para terminar numa nota mais descontraída, o Encontro Fora da Caixa de Braga recebeu Nicolau Santos, que falou sobre poesia com José Manuel Fernandes. Durante o momento cultural que encerrou o evento, Nicolau Santos juntou-se a Manuel Lourenço & Poetry Ensemble na apresentação “A Feliz Embriaguês de Existir”.

Nicolau Santos e Manuel Lourenço & Poetry Ensemble

Tânia Carreira

 
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