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A Câmara de Oeiras lidera a lista de autarquias que mais gastaram em concertos nos últimos três meses
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▲A Câmara de Oeiras lidera a lista de autarquias que mais gastaram em concertos nos últimos três meses

carlos.santos

▲A Câmara de Oeiras lidera a lista de autarquias que mais gastaram em concertos nos últimos três meses

carlos.santos

Autarquias gastaram 18 milhões em concertos nos últimos três meses

Câmaras chegam a gastar 60 mil euros por concerto. Oeiras, Lisboa e Loures lideraram despesa. Autarquias justificam aumento com inflação e rejeitam concertos como campanha para as autárquicas.

Nininho Vaz Maia é um dos músicos com maior cachet em Portugal. Para garantir um espetáculo do cantor português, os promotores culturais chegam muitas vezes a desembolsar mais de 60 mil euros. Contudo, o preço elevado não deixa de fora da corrida para a sua contratação as câmaras municipais. Nem mesmo as mais pequenas. Só nos últimos três meses, as performances de Nininho custaram um total de 351.450 euros aos cofres públicos.

Nos nove contratos celebrado nesse período entre o cantor e municípios de todo o país, destacam-se os 63,7 mil euros pagos pela Câmara de Góis, os 60 mil euros pagos pela Câmara de Castelo de Paiva e os 55,1 mil euros pagos, pelo município de Ponte da Barca, sendo que o montante auferido pelo artista pode variar bastante. E Nininho não é caso único. Durante os mesmos três meses, os Calema foram contratados três vezes para atuar em espetáculos promovidos por câmaras municipais. Por concerto, o duo são-tomense recebeu, em média, 47.667 mil euros.

Com um cachet mais reduzido, os Anjos amealharam 60.200 euros em dinheiros públicos no segundo semestre deste ano, com dois concertos para os quais foram contratados pelas Câmaras de Chamusca e Amarante. Se os irmãos Rosado alegam ter visto concertos serem cancelados após a publicação do vídeo de Joana Marques que motivou um processo judicial, a popularidade da dupla entre as autarquias até parece ter crescido nos últimos anos. Nos doze meses anteriores à publicação da humorista redes sociais, foram celebrados três contratos, num valor total de 46.750 euros — uma média de 15.583 euros, por concerto.

Despesa em eventos musicais aumenta 3,2%

Além das despesas com cabeças de cartaz, as autarquias também abrem os cordões à bolsa para suportar outros custos associados à produção dos espetáculos. No segundo trimestre de 2025, as juntas de freguesia e câmaras municipais de todo o país gastaram mais de 18 milhões de euros em eventos musicais, de acordo com dados obtidos pelo Observador através dos contratos registados no Portal Base. Em comparação com o período homólogo, regista-se um aumento de 560 mil euros (3,2%). Assim, em ano de eleições autárquicas, o aumento da despesa em concertos fica apenas ligeiramente acima do nível da inflação registada em junho de 2025 (2,4%).

Contudo, há um evento em específico que insuflou as contas de 2024: os 50 anos do 25 de Abril. Enquanto, no segundo semestre de 2025, as autarquias portuguesas celebraram 38 contratos, num valor total de 731.923 euros, para realizar espetáculos musicais de celebração do 51.º aniversário da Revolução, no ano anterior, o gasto tinha sido mais de duas vezes maior. Para celebrar o cinquentenário da Revolução, foram feitos 60 contratos, correspondentes a 1.485.445 euros.

▲ Bárbara Bandeira no encerramento das Festas de Lisboa, no Terreiro do Paço

EGEAC

Lisboa, Oeiras e Loures é onde mais se gasta

O município que lidera a despesa em concertos, a nível nacional, é Oeiras. De acordo com os contratos publicados no Portal Base, foram gastos 684 mil euros no segundo semestre de 2025, correspondendo principalmente a contratações para a edição deste ano das Festas de Oeiras. Rivalizando com o cartaz de qualquer festival de música nacional, passaram pelo palco deste evento artistas como Xutos & Pontapés, Ornatos Violeta, Ana Moura, GNR ou Tony Carreira.

A Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC)— a empresa municipal de Lisboa encarregue de gerir a programação cultural da cidade — surge em segundo lugar com uma despesa de 630 mil euros, entre abril e junho deste ano. Ainda que se registe uma distribuição menos díspar entre diferentes eventos, quase metade de toda a despesa do segundo trimestre do ano (300 mil euros) foi dirigida aos concertos de encerramento das Festas de Lisboa. No passado dia 28 de junho, subiram ao palco do Terreiro do Paço nomes como D.A.M.A, Bárbara Bandeira e Ágata para celebrar o fim da época festiva na capital.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 8.º e último episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui, o quarto aqui, o quinto aqui, o sexto aqui e o sétimo aqui]

A terceira Câmara Municipal com mais despesa foi Loures, que seguiu o mesmo método de Oeiras: um festival com artistas célebres reclama a maioria dos 455,5 mil euros gastos. Mc Kevinho, Herman José, Emanuel, António Zambujo e Mariza Liz são alguns dos nomes que vão subir ao Palco Loures, nas festas do município a realizar no início do presente mês de julho.

A completar o top 5 estão a Câmara Municipal de Loulé — com 429,5 mil euros gastos, nomeadamente na realização de concertos da Feira Popular da cidade e do festival Petiscos de Pescador — e a Câmara do Seixal— com uma despesa de 402,6 mil euros, principalmente dedicada à produção do Festival do Maio.

▲ A EGEAC dedicou quase metade do orçamento do último trimestre aos concertos de encerramento das Festas de Lisboa

FRANCISCO ROMÃO PEREIRA/OBSERVADOR

Câmaras rejeitam estratégia eleitoral

O aumento do despesismo em ano de autárquicas, nomeadamente na promoção de eventos lúdicos, é frequentemente criticado por constituir uma forma de influência do eleitorado, procurando dividendos no dia das eleições. A hipótese é rejeitada por algumas das maiores Câmaras Municipais do país ouvidas pelo Observador.

No primeiro semestre de 2025, a Câmara Municipal de Matosinhos registou um aumento de 10% na despesa em concertos contratados e executados, em relação ao período homólogo, de acordo com dados detalhados da autarquia ao Observador.

“Esta variação de cerca de 10% prende-se essencialmente com o aumento do preço das contratações dos concertos (cachês, equipas técnicas, montagem e desmontagem de palcos, etc.)”, de acordo com o gabinete da presidente da Câmara Luísa Salgueiro. Acrescenta-se ainda que a diferença “não tem nada que ver com o facto de haver eleições autárquicas”.

No mesmo sentido, a Câmara Municipal de Gaia rejeita que o aumento da despesa em concertos esteja ligado ao aproximar das eleições marcadas para 12 de outubro, lembrando que Eduardo Vítor Rodrigues não se pode recandidatar por ter chegado ao limite de mandatos — ele que vai deixar a presidência do município no final do mês depois ter sido condenado à perda de mandato.

Ao Observador, fonte oficial do executivo municipal diz que “faz sentido que [o município] aposte numa programação cultural que corresponda às expectativas dos seus cidadãos”, não só ao nível dos  concertos (de maior envergadura), como ao nível das iniciativas que estão ao dispor de todos nos nossos equipamentos culturais”.

A Câmara assinala ainda que, pela primeira vez, foi realizado o evento Páscoa na Praça que “incluiu, entre outras atividades, diversos concertos, nomeadamente de Mickael Carreira, Marisa Liz, Ivo Lucas, Marchinha do Botequim, Miss Cindy, Arritmia Brass Band e o ventríloquo João Seabra.” Além destes foram promovidos concertos com Ivandro, para celebrar Capital Nacional de Juventude, e com Bárbara Bandeira, para assinalar o 10º aniversário de outra iniciativa municipal, o GAIAaprende+.

O Observador tentou ainda entrar em contacto com as Câmaras de Oeiras, Loures e com a EGEAC, mas não obteve respostas até à data da publicação do artigo.

*Imagem principal do artigo alterada às 9h11. Na anterior, Carlos Moedas surgia ao lado de Nininho Vaz Maia, ainda que a autarquia lisboeta não tenha contratado o artista durante a presidência de Moedas

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