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Há duas décadas em Monte Real, colocado na manutenção dos aviões de caça, Rodrigo (nome fictício) rescindiu este verão o contrato com a Força Aérea. “As coisas são fáceis de perceber: vencimento, falta de investimento, disponibilidade constante. Sendo menos, há maior rotatividade entre o pessoal, mais serviços, horas extraordinárias pelo mesmo valor ao final do mês. A questão das reformas também teve um peso grande. E não há reconhecimento”, desabafa ao Observador.

A aviação civil e as condições oferecidas fora do universo militar foram outro fator a pesar na decisão. “Há muita oferta para a minha especialidade cá fora. Foi uma decisão difícil, mas a verdade é que somos vistos como mão de obra super especializada e somos muito valorizados cá fora. O destino das Forças Armadas está traçado. Cansei-me de esperar por mudanças que tardam em aparecer.”

Rodrigo está longe de ser caso único. Como ele, saíram nas últimas semanas vários militares da base onde estão estacionados os F-16. A redução cada vez maior de efetivos estende-se, aliás, a todo o ramo — e aos restantes ramos. No caso da Força Aérea, a situação atual é de tal forma preocupante que levou o Chefe do Estado-Maior da Força Aérea a dirigir um memorando à ministra da Defesa, no início de outubro, com um descritivo detalhado da evolução do número de efetivos dos últimos 10 anos (e uma previsão para os próximos dois). O cenário descreve-se com uma frase do próprio general João Cartaxo Alves: “A atual situação é, sem margem para dúvidas, a mais grave dos últimos 50 anos.”

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