1243,9kWh poupados 1243,9 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

i

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Francisco Assis: "O PS real já está a apoiar o António José Seguro"

Francisco Assis, eurodeputado socialista e apoiante da candidatura de António José Seguro, lamenta as críticas no interior do PS ao ex-líder, mas relativiza: a partir deste momento, são irrelevantes.

Esteve na primeira fila quando António José Seguro apresentou formalmente a sua candidatura e não poupa elogios ao antigo secretário-geral do PS. Sabe em que campo vai estar na corrida pela sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa, relativiza a indefinição da liderança do partido neste momento e desconsidera as críticas que, a partir do PS, alguns elementos vão fazendo a Seguro. “A partir deste momento, as posições críticas no interior do PS são absolutamente irrelevantes.”

Em entrevista ao Observador, no programa “Vichyssoise”, Francisco Assis diz não compreender as observações negativas que Augusto Santos Silva têm feito a António José Seguro, ao mesmo tempo que vai argumentando que o antigo presidente da Assembleia da República não tem as “condições mínimas” para ser candidato. Mesmo que o venha a ser, acrescenta, tal não deverá beliscar a candidatura de Seguro. “A base eleitoral seria tão ínfima que nem por aí poderia pôr em causa a possibilidade de Seguro ser eleito Presidente da República.”

A eventual concorrência de António Vitorino seria diferente, concede. Mas, para Assis, já não há grandes dúvidas: o antigo ministro de António Guterres não será candidato a Belém, a questão está perfeitamente resolvida. Assis deixa, aliás, um recado às ‘viúvas’ de António Costa: deixem de pensar tanto no que achará o antigo líder e pensem de forma mais descomprometida sobre Seguro. “A corrida a Belém não deve ser um motivo de preocupação de António Costa”, ironiza.

[Ouça a entrevista a Francisco Assis]

“Santos Silva não tem condições mínimas”

“Seguro foi sempre um homem livre”

O PS tem alguma margem para não apoiar António José Seguro?
Creio que vai acabar por ser o único candidato da área do PS e da área mais ampla da esquerda democrática. Tenho verificado nos últimos dias, sobretudo após a apresentação da candidatura, uma coisa muito simples e evidente para todos nós: o PS real já está a apoiar o António José Seguro. O PS institucional ainda não tomou uma posição sobre o assunto — e, pelo que tenho visto, não pretende tomar até às eleições autárquicas.

Acha compreensível e razoável esta hesitação do PS?
Não acho que seja uma hesitação. Parece ser uma decisão. O futuro secretário-geral do PS terá tomado a decisão de só levar esta questão à apreciação dos órgãos do partido após a realização das eleições autárquicas.

Mas é uma boa decisão?
Tão legítima como outra qualquer. O que me parece importante é o seguinte: António José Seguro tem dito reiteradamente – e bem — que esta candidatura não é de natureza partidária, não é uma emanação da vontade institucional de um partido político; é uma candidatura que surge de um ato de vontade individual e que resultou da constatação da existência de múltiplos e diversos apoios na sociedade portuguesa. Naturalmente, ficará satisfeito com o apoio do PS — e é normal que esse apoio se venha a concretizar. Se o líder do partido entende que é melhor que o assunto seja discutido depois das eleições autárquicas, não vejo nenhuma vantagem em estarmos a estabelecer qualquer discussão sobre a bondade dessa solução.

Mas não vai desgastar a candidatura de António José Seguro? Passará os próximos meses a falar sobre a possibilidade de o PS vir ou não apoiar.
Não, porque a candidatura não depende do apoio do PS. Se esta candidatura fosse uma candidatura que dependesse estruturalmente do apoio do PS, seria, evidentemente, um problema. Mas ele já deixou claro que esta é uma candidatura que não tem uma origem partidária. Estou mesmo convencido que é uma candidatura que vai ter essa enorme capacidade de agregação de apoios, muito para além das fronteiras partidárias e até das fronteiras doutrinárias da esquerda democrática. A questão do PS, não sendo uma questão de somenos importância, não é a mais relevante.

Disse recentemente que “não precisamos de um Presidente da República contra os partidos políticos que invoca uma espécie de pureza especial”. Não é essa “pureza” que Seguro está a tentar invocar quando diz que não vem da política tradicional?
Creio que o que ele quer dizer é que não vem de uma certa forma de política mais tradicional. Da política ele vem, naturalmente, e não pode renegar isso — é um homem que fez todo um percurso político no PS. Porém, uma coisa é ficar refém dos aparelhos partidários; outra coisa é saber impor-se em determinados momentos e confrontar os aparelhos partidários. António José Seguro foi sempre um homem livre, que disse o que pensava, que agiu em consonância com as suas convicções mais profundas, mesmo quando essas convicções não eram aquelas que suscitavam maior adesão momentânea no PS. Por isso mesmo é que, em determinado momento, foi afastado da liderança do PS — porque não cedeu àqueles que entendiam que ele devia radicalizar a sua forma de ser oposição. Tinha uma linha de oposição séria, responsável, moderada e estou convencido que, se tivesse sido prosseguida. teria levado a que o PS em 2015 tivesse tido resultados bem melhores.

Que ganhasse eleições.
Estou convencido que sim.

"Há pessoas que ainda não conseguiram ultrapassar o trauma e vivem muito dominados pela preocupação de saber o que pensa ou o que deixa de pensar António Costa. Mas António Costa, em Bruxelas, pensa muito pouco em Seguro. Se deixarem de se preocupar tanto com o que pensa o criador e antigo líder, alguns deles terão alguma liberdade de espírito para ter uma compreensão diferente daquela que têm manifestado publicamente"

“Base eleitoral de Santos Silva seria ínfima”

Já depois da apresentação da candidatura de Seguro, Augusto Santos Silva voltou a dizer que Seguro não cumpre os requisitos mínimos que um Presidente da República deve ter. Consegue compreender estas críticas?
Não faço grande esforço para as compreender. Apenas constato que Santos Silva continua na mesma linha — já disse isso três ou quatro vezes, ainda não percebi muito bem quais são esses requisitos. Ainda não os entendi e não tenho a menor curiosidade em entendê-los. Enfim, as pessoas têm todo o direito a ter as suas opiniões.

Mas entende que o próprio Augusto Santos Silva tem condições para avançar?
Muito francamente, não me parece objetivamente que ele disponha, neste momento do país, de uma base de sustentação política para poder avançar para uma candidatura presidencial. Para ser candidato a qualquer função é preciso ter um requisito fundamental: um determinado nível de popularidade, suscitar um grau de adesão na sociedade portuguesa que permita sequer ponderar a eventualidade de uma candidatura. E muito objetivamente não me parece que ele tenha condições mínimas para poder avançar com uma candidatura à Presidência da República. Será essa a razão fundamental pela qual não vai avançar com candidatura nenhuma.

Se o fizesse, hipotecaria às hipóteses do PS de disputar com seriedade estas presidenciais?
Julgo que a base eleitoral de Santos Silva seria tão ínfima que nem por aí poderia pôr em causa a possibilidade de António José Seguro ser eleito Presidente da República.

"O PS real já está a apoiar o António José Seguro. Estou mesmo convencido que é uma candidatura que vai ter essa enorme capacidade de agregação de apoios, muito para além das fronteiras partidárias e até das fronteiras doutrinárias da esquerda democrática"

“Vitorino não vai ser candidato. Tenho a certeza absoluta”

Acredita que António Vitorino ainda pode entrar na corrida?
Não. Se quisesse entrar na corrida, já o teria feito. É um homem de uma enorme inteligência política e sabe perfeitamente que este adiamento é interpretado como hesitação e que a hesitação em política é fatal. Tenho a certeza absoluta que não vai ser candidato à Presidência da República.

E é compreensível que ainda não tenha dito o que é que pretende fazer? Isto não prejudica também o próprio PS?
O espaço do PS tem hoje um candidato forte. Foi secretário-geral do PS, tem o apoio da esmagadora maioria das figuras dos dirigentes intermédios e das estruturas. Estou completamente tranquilo em relação a isso. É óbvio que António José Seguro é o candidato dos socialistas. Mais cedo ou mais tarde será o candidato apoiado pelo PS.

Mas há nomes que ainda podem aparecer e complicar estas contas. Por exemplo, António Sampaio da Nóvoa. Não há aqui ainda o risco de o partido de se voltar a dividir e a pôr em causa as hipóteses de conquistar a Presidência?
Não creio. Há uma espécie de lenda urbana, que se criou nos últimos tempos, de que há um problema entre o PS e António José Seguro. Não. Há é um problema entre uma parte muito reduzida de alguns dirigentes dos últimos anos do PS e António José Seguro. Há pessoas que ainda não conseguiram ultrapassar um trauma — curiosamente, foram eles que que ganharam e afastaram Seguro da liderança do partido. Mas vivem muito dominados pela preocupação de saber o que pensa ou o que deixa de pensar António Costa. Mas António Costa, em Bruxelas, pensa muito pouco nesta questão. Não deve ser um motivo de preocupação dele. Se deixarem de se preocupar tanto com o que pensa o criador e antigo líder, alguns deles terão alguma liberdade de espírito para ter uma compreensão diferente daquela que têm manifestado publicamente. Mas insisto: é irrelevante. A partir deste momento, as posições críticas em relação a António José Seguro no interior do PS são absolutamente irrelevantes.

"Para ser candidato a qualquer função é preciso ter um requisito fundamental: ter um determinado nível de popularidade. Julgo que a base eleitoral de Augusto Santos Silva seria tão ínfima que nem por aí poderia pôr em causa a possibilidade de António José Seguro ser eleito Presidente da República"

“Não há líderes de transição, nem há líderes no exílio”

A prestação de José Luís Carneiro no debate do Programa de Governo motivou algumas críticas no PS — pelo menos nos bastidores. Teme que o partido entre em guerra civil nos próximos anos?
Espero bem que não. José Luís Carneiro avançou como candidato único. Teve a coragem de o fazer num momento muito difícil da vida do PS. Não podemos estar agora aqui a fazer apreciações completamente inapropriadas neste momento.

Fernando Medina, Mariana Vieira da Silva, Duarte Cordeiro, Ana Catarina Mendes… Todos eles criticaram a “pressa” de José Luís Carneiro. Acredita genuinamente que estas pessoas não se vão organizar na oposição a Carneiro?
Estas pessoas são todas muito diferentes. Mas não vejo que estejam preocupadas com outra coisa que não contribuírem para a reafirmação do PS. É natural que haja divergências. A derrota que tivemos é o resultado de uma degradação progressiva da esquerda democrática em toda a Europa e estamos obrigados a fazer um grande debate interno permanente. Esse debate não se faz fechado numa espécie de clausura monástica; faz-se ativamente, dia a dia, em abertura com a sociedade e fazendo oposição ao governo ao mesmo tempo. Esse debate é natural. Essas pessoas são pessoas muito válidas e certamente podem dar um contributo importante para a discussão. Agora, o líder é um. Não há líderes de transição, nem há líderes no exílio. Há um líder do PS e esse líder vai ser o José Luís Carneiro.

[A polícia é chamada a uma casa após uma queixa por ruído. Quando chegam, os agentes encontram uma festa de aniversário de arromba. Mas o aniversariante, José Valbom, desapareceu. “O Zé faz 25” é o primeiro podcast de ficção do Observador, co-produzido pela Coyote Vadio e com as vozes de Tiago Teotónio Pereira, Sara Matos, Madalena Almeida, Cristovão Campos, Vicente Wallenstein, Beatriz Godinho, José Raposo e Carla Maciel. Pode ouvir o 5.º episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music. E o primeiro episódio aqui, o segundo aqui, o terceiro aqui e o quarto aqui]

Arrepende-se de ter apoiado Pedro Nuno Santos contra José Luís Carneiro?
Não. Não me arrependo. Em cada momento, temos que tomar decisões. Não estou nada arrependido. Acho que Pedro Nuno Santos desempenhou corretamente as funções de secretário-geral do PS, foi muitas vezes incompreendido e desempenhou-as num momento muito difícil. Há aqui dois fatores que o prejudicaram fortemente: o centro quis privilegiar a manutenção de um ciclo político liderado pela Aliança Democrática, o que é, aliás, normal e compreensível; e o voto antissistémico atingiu os dois partidos, o PSD e o PS. Nós fomos prejudicados pelos dois fatores e isso foi fatal. Tivemos de facto um resultado muito mau, que impediu que ele continuasse como líder do PS. Mas ainda na semana passada tive o prazer de almoçar com Pedro Nuno Santos e de conversar com ele. É uma pessoa válida e que deverá ter no futuro na vida do PS. É uma personalidade experiente e preparada, como demonstrou nos vários debates que travou neste período eleitoral.

Acha que Pedro Nuno Santos que ainda pode voltar à política ativa?
Sim, é uma pessoa muito nova. A vida política está cheia de pessoas que sofrem derrotas, que se afastam e depois regressam. A atividade política exige experiência, preparação e inteligência. Pedro Nuno Santos não deve ser posto de lado.

"Se Vitorino quisesse entrar na corrida, já o teria feito. É um homem de uma enorme inteligência política e sabe perfeitamente que este adiamento é interpretado como hesitação e que a hesitação em política é fatal. Tenho a certeza absoluta que não vai ser candidato à Presidência da República"

“Ventura? Deixava o meu cão com Mortágua”

Vamos avançar para o segundo segmento do nosso programa, o bloco “Carne ou Peixe”. Só pode escolher uma de duas opções.

Preferia assistir a um concerto na zona VIP do Primavera Sound com Vasco Ribeiro ou com Manuel Pizarro? 
Não há dúvida nenhuma: com Vasco Ribeiro.

A quem é que daria guarida na sua casa em Amarante? Henrique Gouveia e Melo ou Luís Marques Mendes?
Luís Marques Mendes. Tenho uma relação com ele.

Com quem é que preferia passar uma tarde a discutir o estado atual do PS: Pedro Nuno Santos ou António Costa?
Seria interessante fazer a discussão com os dois. Uma vez que já fiz com o Pedro Nuno Santos na semana passada, talvez fosse importante fazer com o António Costa. Mas acho que ele não tem tempo para isso.

A quem entregaria o seu cão para um fim de semana prolongado: André Ventura ou Mariana Mortágua?
Claramente a Mariana Mortágua.

[Ouça a primeira parte desta Vichyssoise]

LM7, Carneiro no empate e Tozé na antecipação

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.