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A primeira e mais significativa rentrée política — um clássico desta época do ano — apareceu de mansinho, à porta fechada, em reuniões privadas esta sexta-feira em São Bento onde o primeiro-ministro estendeu o tapete aos partidos. E ao contrário do que tem vindo a dizer sobre a necessidade de alguns recuos, reagendamento de medidas e limitações, quando se sentou à mesa com o Bloco de Esquerda, o PAN e o PEV, a postura de António Costa foi de abertura total. Sem condições à partida e disponível para verter as prioridades destes partidos no Orçamento para 2021 e não só. É também de mansinho que Costa está a tentar comprometer a esquerda com um acordo de “continuidade para além de 2021”.

Na véspera destes encontros, o Presidente da República pressionou “um esforço de entendimento” e avisou que não contassem “com o Presidente para crises políticas”. Seria “uma aventura” numa crise sanitária e económica, disse Marcelo. Um argumento sensível ao Governo que não tem um apoio maioritário na Assembleia da República, nem posições conjuntas com a esquerda (como no passado recente) que o segurem. Precisa obrigatoriamente de negociar com a esquerda se quer — e quer — “voltar a reunir uma plataforma política que trabalhou para a recuperação do país na outra legislatura”, como lhe chama o secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares ao Observador. Como é que o Governo o quer fazer? Com pés de lã.

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