Ouvem-se os primeiros acordes, suaves e económicos, como um primeiro aviso: troquem o café pelo chá, desacelerem o ritmo, travem o multitasking e prestem atenção ao que está prestes a começar. Depois chega a voz como calmante, uma voz que parece procurar alguma beleza em destroços, na desesperança que pode, suspiram os românticos que gostam de cantigas tristonhas, ser combatida na música. A canção como refúgio, como aconchego a salvo das chatices, desilusões, discussões e fúrias diárias. Elas na verdade estão todas cá — mas devidamente mascaradas, devidamente aliviadas.

Estamos a entrar no mundo dos Minta & The Brook Trout. Estamos, mais concretamente, a ouvir “Easy”, a primeira cantiga de um novo disco — Demolition Derby — acabado de editar pela banda portuguesa. E as marcas da música a que os Minta & The Brook Trout habituaram quem os ouve não se dissimulam: a contenção e a parcimónia na melodia, um certo tom melancólico-doce no canto, as palavras cantadas como se todas elas fossem sérias, como se quem as canta procurasse libertá-las cautelosamente para que este comboio não descarrile. E os instrumentos tocados (sempre) mais suave do que ruidosamente.

Na canção que se segue, “International Loss Adjusting”, ouvimos a voz de Francisca Cortesão, fundadora, compositora e principal vocalista do grupo, a cantar-nos — a explicar-nos — que esta música não se faz a partir pratos, a berrar as dores. “I’m not great at being angry”, canta ela. Pois bem, que seja: sigamos a viagem ao som dos Minta & The Brook Trout.

A capa do novo disco dos portugueses Minta & The Brook Trout, “Demolition Derby”

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.