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“Na noite de 12 de agosto fui atacado no exterior da discoteca K Urban Beach, em Lisboa, Portugal, com a minha irmã mais nova a ver.” É assim que Ruben — um jovem de 20 anos, de nacionalidade francesa a viver nos Estados Unidos, que pediu ao Observador para não revelar o sobrenome — começa a relatar a terceira vez que tentou entrar naquele espaço e também aquela que acabou numa situação de violência. Já em julho de 2015 tinha aproveitado a sua passagem por Lisboa para (tentar) ir ao K Urban Beach com um grupo de amigos. À entrada, o porteiro ter-lhe-á pedido 350 euros para entrar. Mas só a ele. O resto do grupo poderia entrar sem pagar. “Eu sou preto e os meus amigos são brancos”, aponta Ruben na publicação que fez nas redes sociais. Na altura, o jovem admitiu que a sua aparência podia não estar de acordo com as regras da casa: tinha um “cabelo afro muito grande” e “umas calças com um padrão africano”.

Por isso, voltou lá em dezembro do ano seguinte com “roupas aceitáveis”. Não foi suficiente: ter-lhe-ão pedido 350 euros para entrar. Recusou pagar e acabou por ir embora. No início deste mês tentou novamente. Estava acompanhado de um grupo que descreve como “diversificado”: dois amigos (um português e outro afro-caribenho), a sua irmã de 16 anos e um amigo dela (caucasiano). “Talvez quisesse acreditar no meu amigo português que me disse que [a discoteca] era muito divertida. Talvez quisesse provar a mim mesmo que não era a minha cor que sempre me manteve à porta“, admitiu Ruben.

Nessa noite, enquanto estava na fila para entrar, Ruben reparou que, à sua frente, “um grupo de quatro homens brancos” tinha entrado, sem que lhes fosse pedido dinheiro. Quando chegou a sua vez, o porteiro ter-lhe-á dito que estava a decorrer uma festa privada e tinham de pagar 250 euros. O grupo acusou o porteiro de racismo e começaram a discutir. Ruben pediu para acabarem com a discussão e começou a afastar-se da discoteca, levando consigo a irmã e um dos amigos. Mas o jovem português e o amigo da irmã ficaram para trás e continuaram a discutir com o porteiro. Ruben voltou-se para os amigos para lhes dizer que “não valia a pena”. No momento em que o fez, terá visto um deles a “levar um murro na cara de um dos seguranças”.

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