1227,6kWh poupados 1227,6 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

Depois da queda do Governo no Parlamento, o PS esteve em Belém para ser ouvido pelo Presidente da República.
i

Depois da queda do Governo no Parlamento, o PS esteve em Belém para ser ouvido pelo Presidente da República.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Depois da queda do Governo no Parlamento, o PS esteve em Belém para ser ouvido pelo Presidente da República.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

PS define guião para arranque de campanha. O tiro a Montenegro e o flirt ao centro

No dia em que foram recebidos pelo Presidente, os três mais altos dirigentes do PS dispararam em entrevistas a lançar um "manto de dúvidas" sobre Montenegro. Mas também já ensaiam outros argumentos.

    Índice

    Índice

Nos últimos dias os mais altos representantes do PS quase que se atropelam em entrevistas televisivas e declarações públicas para marcarem a posição socialista no campo eleitoral. São cautelosos quanto ao resultado, mas não fazem tabu do que farão em caso de derrota — para pedirem o mesmo à AD se o desaire for do lado de lá. Já se namora o centro e jura-se que a reposição de carreiras também constava nas suas prioridades — num apelo aos grupos profissionais que sentiram impacto no bolso nos últimos meses.

Mas, por agora, o principal objetivo é mesmo explorar a fragilização de Luís Montenegro — num caminho que não é pacífico dentro do partido onde há manifestações de desconforto com as suspeitas levantadas sem provas e a manutenção de um inquérito mesmo se Montenegro perder eleições. No topo do partido a linha é, no entanto, cobrir o primeiro-ministro com “um manto de dúvidas” e acusá-lo de fugir a esclarecimentos. O Observador analisou o que tem sido dito ao mais alto nível e conta aqui como o PS se está a preparar para o combate eleitoral que nenhum partido queria, mas nenhum evitou.

Governabilidade: garantias mínimas para PS, mas também para Montenegro

A questão da governabilidade é um ponto-chave para os socialistas que exploram esse problema à direita, insistindo que a IL não se pode entender com um líder do PSD em quem não confia — “a direita incapaz de se entender”, de que tem falado Pedro Nuno Santos. Mas com uma maioria de esquerda (tão desejada pelo líder socialista) a afigurar-se difícil de conquistar, a questão pode ser mais intrincada para o PS, caso fique à frente nas legislativas.

A posição socialista tem vindo a ter algumas clarificações nos últimos dias, com intervenções dos mais altos responsáveis. Internamente, começou por Pedro Nuno Santos que, na terça-feira na Comissão Política Nacional do partido, disse que o PS exigiria “um mínimo” ao PSD, caso vencesse sem ter uma maioria para o apoiar no Parlamento. Esta quarta-feira falou em “reciprocidade”. Ou seja: o PS exige ao PSD o mesmo que deu neste ano de legislatura. E o que fez o PS? Permitiu uma investidura sem dramas (sem rejeição do programa de Governo), viabilizou o Orçamento do Estado (embora com uma conturbada negociação e sem promessas de voltar a fazê-lo), permitiu a eleição do presidente da Assembleia da República (ficando com meia legislatura) e chumbou duas moções de censura (mas também chumbou a de confiança).

"Se ganhar a AD o PS deve fazer o que já fez. Se ganhar o PS, a AD deve fazer o que o PS fez"

Sobre este mesmo assunto, Carlos César, veio esta quarta-feira acrescentar um ponto, em entrevista à RTP3, ao dizer que “o que é necessário é sentido de responsabilidade pelo PS e a AD. Se ganhar a AD o PS deve fazer o que já fez. Se ganhar o PS, a AD deve fazer o que o PS fez”, diz. O aviso do presidente do partido somava, assim, uma garantia por parte do PS: a reciprocidade exigida não diz apenas respeito ao passado, o PS compromete-se a mantê-la caso seja o PSD a ficar à frente das próximas eleições.

Praticamente à mesma hora em que César o dizia, a líder parlamentar do PS defendia o mesmo no canal ao lado. Na SIC-Notícias, Alexandra Leitão era questionada sobre o que o PS deveria fazer caso o PSD ganhasse nas condições de há um ano: “Deve fazer o que fez nesta legislatura, em que permitiu a passagem do programa do governo e viabilizou o primeiro Orçamento. Acho que deve ser isso que faz, numa lógica de dar o mínimo de condições”, considerou.

PS alinha com vontade do líder, prepara-se para combate eleitoral, mas pede-se “serenidade” e “decência”

O PS surge, assim, disponível para reabrir a porta da governação ao próprio Luís Montenegro. Ainda que o tema possa não ser pacífico entre socialistas e ainda esta quinta-feira, num artigo de opinião no Expresso, Ascenso Simões colocou duas vermelhas: “o PS deve garantir que viabilizará um governo da AD desde que este não coloque o Chega na equação; “esse governo não poderá ser liderado por Montenegro, sob pena de termos um novo problema nos meses imediatos e consagrarmos uma situação semelhante à da Madeira.

[Terapia de Casal é o podcast que pode acabar com o casamento do Guilherme Fonseca e da Rita da Nova. Ouça aqui o novo episódio, que também está disponível na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music.]

A diabolização de Montenegro…

O PS está apostado em fazer destas eleições um combate ético, sobre quem pode ser o primeiro-ministro mais idóneo. O próprio líder socialista disse, na declaração que fez depois do Presidente esta quinta-feira, que “as eleições são, também, uma oportunidade de clarificação. A escolha será, portanto, entre dois projetos e duas lideranças. E a confiança no projeto depende da confiança na liderança”, começou por dizer. E acrescentou, mais à frente, que nesta campanha se confrontam “diferentes projetos, diferentes lideranças, diferentes formas de estar na política, de encarar o exercício da atividade política.”

A precipitação de eleições é colocada pelo partido (que também tinha poderes para as travar) como uma “fuga” de Luís Montenegro à comissão parlamentar de inquérito, uma indisponibilidade do social-democrata que é primeiro-ministro em prestar esclarecimentos sobre um “grupo muito elevado de suspeições”, como as descreveu Carlos César ou o “manto de dúvidas”, nas palavras de Pedro Nuno Santos.

E os socialistas têm carregado nas tintas destas suspeitas. À cabeça está a eventual violação da regra de dedicação exclusiva pelo primeiro-ministro, com a empresa familiar a ter avenças com empresas que têm relações com o Estado, eventuais “vantagens indevidas”, a procuradoria ilícita associada à Spinumviva e até fraude fiscal — a enumeração vai sendo feita pelos altos responsáveis do partido nos últimos dias, tentando criar a ideia de um volume de suspeitas insuportáveis às costas de um líder de Governo.

O caminho tem trazido críticas de dentro do PS e de quem está à volta. Fernando Medina condenou, esta semana na Antena 1, “muitas insinuações, calúnias e falsidades sem qualquer demonstração”: “Vi tentativas de aproveitamento político contra o primeiro-ministro que não me pareceram próprias de um debate que não se deve confundir com esclarecimento.” E na Rádio Observador, esta quinta-feira, o ex-ministro e advogado Pedro Siza Vieira disse que Montenegro “não precisa de advogado”, já que, nesta altura, não há “implicações do ponto de vista de legalidade e muito menos de relevância criminal” — ainda que tenha dito que o primeiro-ministro fez “avaliação incorreta” da sua situação pessoal. Siza diz que também não tem gostado de ver “insinuações terríveis sobre as intenções do primeiro-ministro” que tem ouvido “do outro lado”, da oposição.

Siza Vieira: “Montenegro não precisa de advogados”

… e beatificação de Pedro Nuno

No carril paralelo ao da diabolização de Montenegro, o PS vai tentando esculpir a imagem de um líder que já foi virado do avesso. É o próprio Pedro Nuno Santos que faz questão de o lembrar, ao falar nos “cinco meses” que durou a comissão parlamentar de inquérito à elevada indemnização que autorizou, quando era ministro, à antiga gestora Alexandra Reis. E também das “várias notícias” que diz que existiram sobre a sua “vida patrimonial”: “Só não se tornaram problemas políticos sérios para mim porque respondi a todas as perguntas”.

“Não tive nenhum problema político porque dei as respostas todas”, repetiu durante a entrevista que deu esta semana à CMTV onde foi confrontado com a empresa do seu pai, a Tecmacal. “A empresa não é minha, esta é a primeira grande diferença. Tem quase cinco décadas”, descreveu, dizendo que os contratos públicos que a Tecmacal tem são naturais. “É uma empresa verdadeira”, disse opondo a empresa do seu pai “e do sócio” — que não é família, quis detalhar — à Spinumviva.

Empresa de Pedro Nuno Santos e do pai fez contrato com o Estado. Lei prevê demissão, ministro defende-se com parecer antigo da PGR

Pedro Nuno Santos vai vincando que a Spinumviva “não é uma empresa como as outras e que há pessoas que podem olhar para a empresa e achar que é fácil fazer dinheiro, mas não é. Ser empresário é trabalhar de sol a sol.” O argumento tenta desmontar a tese em que Montenegro tem apostado e que passa por uma tentativa de aproximação aos eleitores, quando fala na herança dos pais e no legado para os filhos que diz que estiveram na ideia original de criação da empresa.

Com este propósito, o socialista tem insistido muito na notícia avançada pelo Observador na semana passada, sobre a empresa Joaquim Barros Rodrigues & Filhos, do pai do candidato do PSD a Braga, insistindo que Montenegro não tinha experiência na reestruturação pela qual ganhou mais de 200 mil euros, por exemplo. E isto para concluir, como fez na quinta-feira passada, que “a confiança dos cidadãos num primeiro-ministro e num governo é essencial, é fundamental.”

Entre as figuras do partido menos confortáveis com as suspeitas que estão a ser lançadas sobre Luís Montenegro há dúvidas sobre o que esta tentativa de dicotomia –– o tal confronto entre as “diferentes formas de estar na política” — pode fazer pelo próprio cargo de primeiro-ministro a partir daqui. Bem como a constituição da comissão parlamentar de inquérito e a sua manutenção na próxima legislatura, que pôs o socialista e adversário de Pedro Nuno nas diretas, José Luís Carneiro, a criticar essa intenção na última reunião da bancada parlamentar do PS. O Observador apurou que Carneiro se opõe a essa hipótese aventada por Pedro Nuno — que, na entrevista à CMTV, já pareceu mais recuado, dizendo que é algo que terá de se “avaliar” depois.

Gasolineira de pai de candidato do PSD a Braga pagou mais de 194 mil euros a empresa de Montenegro

Eleições para “limpeza ética”

Com sondagens muito empatadas, os socialistas seguem cautelosos e há um receio concreto com a ideia destas eleições servirem para uma “limpeza ética”, como disse Carlos César. O presidente do partido defendeu esta semana que “as eleições não servem para absolver comportamentos irregulares e ilegais nem são uma limpeza ética”.

A tese já foi mesmo extremada por alguns socialistas que não resistiram à comparação direta com os casos de Donald Trump. No sábado passado, numa entrevista à CNN Portugal, a líder parlamentar do PS e candidata do partido à Câmara de Lisboa, disse que “há uma coisa que está a acontecer que é a doutrina Trump”. E explicou: “É a ideia que todas as irregularidades e ilegalidades — e estou a falar em abstrato de Trump — possam ser lavadas pelas eleições se aquela pessoa se sujeitar a eleições e ganhar. Não é verdade: uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.

Montenegro como Trump? PS diz que primeiro-ministro segue “doutrina Trump” que tenta “lavar ilegalidades em eleições”

Governação partidarizada

Por estes dias, a argumentação socialista tem-se centrado sobretudo nos ataques ao primeiro-ministro, pelo lado da Spinumviva. Para segundo plano têm ficado os ataques políticos que parecem estar na segunda linha das prioridades nesta altura. Ainda assim é possível detetar três áreas que o líder socialista quer ter em foco nesta campanha eleitoral: saúde, economia e habitação.

Na declaração de quinta-feira, Pedro Nuno Santos pediu “confiança no PS para transformar e modernizar a economia, para que o povo português possa ter melhores salários”. Posicionou o PS como um partido que “cuidará do Estado Social e defenderá o Serviço Nacional de Saúde — que hoje está numa situação pior do que aquela que o Governo herdou — e uma política de habitação que seja para todos e não apenas para alguns” — “a maioria dos jovens continua com dificuldades em ter casa”, depois das medidas do Governo isenção do imposto selo e IMT na compra de casa.

Os mais altos dirigentes dizem que o Governo tem sido “incompetente” e, no caso da saúde, Pedro Nuno Santos tem já explorado — no ambiente de pré-campanha que o caso Spinumviva abriu — os três diretores do SNS, os três do INEM e os 14 gestores hospitalares na era Montenegro. Nos últimos meses, o PS tinha pedido a demissão da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, por diversas vezes e Pedro Nuno Santos tinha falado nisso dias antes da atual crise política, depois do relatório da IGAS sobre as greves dos serviços de emergência médica no final de outubro e início de novembro. E o socialista promete “não deixar que isso seja esquecido” nesta eleição, lembrando que “este Governo e o atual primeiro-ministro prometeram, em campanha, resolver de forma rápida e fácil os problemas da saúde. Os problemas da saúde agravaram-se. Vivemos hoje uma situação de instabilidade e de caos, em que nenhum membro do governo, a começar na ministra da Saúde e a acabar no primeiro-ministro, assumiu as responsabilidades do caos que está instalado no SNS.”

“Tenho imensa inveja disto. De ter sido o Governo da AD que valorizou determinadas carreiras, com o dinheirinho que o PS arranjou e não teve tempo para passar a essa fase”, disse Carlos César.

Numa abordagem mais genérica, Carlos César atirou a outra prática da governação AD, aquilo a que chamou “enxurrada de nomeações e demissões” para cargos técnicos que “são atribuídos a delegados locais, partidários”. O presidente socialista disse mesmo que o Governo “tem mais dimensão partidária do que nacional. Usa a residência oficial de São Bento como se fosse a São Caetano à Lapa.”

Mas por agora, nas avaliações da governação que são feitas, a questão pessoal do primeiro-ministro tem prevalecido sempre, com Pedro Nuno Santos a continuar sempre a apontar a um “primeiro-ministro impreparado” que acusa de ter “atirado o país para debaixo do comboio, com um caso que o envolve a ele diretamente.”

Flirt com o centro e com os grupos levados pela AD

O PS sabe que para crescer vai ter de recuperar eleitorado ao centro e que a imagem de radical de Pedro Nuno Santos não ajuda nesse combate. E uma das mágoas que o atual PS carrega é ter deixado o poder à direita com excedente para distribuir — que agora acusa o Governo de ter gastado e de “agora não restar nada”. Esta quinta-feira, na declaração pós-Marcelo, Pedro Nuno disse que “este governo não entrou esta semana em gestão, entrou quando se esgotou o excedente orçamental. Não há nenhuma transformação em curso, não há propósito, não há desígnio. O que o primeiro-ministro diz que está bem hoje era o que já estava bem há um ano” — a bandeira da consolidação orçamental é coisa que o PS não quer largar, tentando até acusar a AD de a ter desbaratado no ano que esteve em funções.

“Quando o governo socialista caiu em 2023, a economia crescia mais depressa do que cresceu em 2024. A dívida caía mais do que caiu em 2024, os salários cresciam mais do que cresceram em 2024 e o emprego crescia mais em 2023 do que cresceu em 2024”, disse ainda o líder do PS puxando ao PS alguns dos investimentos ultimamente anunciados por Montenegro como conquistas do seu Governo. “Vinham a ser tratados, acompanhados e apoiados pelo Governo anterior, desde logo o novo modelo elétrico da Volkswagen e o trabalho que depende muito do trabalho do ministro Costa Silva e do Governo anterior”, afirmou ainda a este propósito.

Por outro lado, também há eleitorado que o PS quer aplacar depois deste ano de AD, nomeadamente os grupos que viram carreiras revistas. E foi com esses em vista que Carlos César revelou esta semana “imensa inveja” de “ter sido o Governo da AD que valorizou determinadas carreiras profissionais”, argumentando que isso foi concretizado “com o dinheirinho que os governos do PS arranjaram e não teve tempo para passar a essa fase”. É, ao mesmo tempo, o reconhecimento de uma fragilidade.

O PS sabe que há grupos profissionais difíceis de reconquistar, nomeadamente os que o viram a reposição das suas carreiras agendada no último ano, com os professores à cabeça, mas também as forças de segurança, e tenta provar que a capacidade financeira do Estado existiu graças à gestão socialista. E também que a distribuição do excedente, corrigindo essas carreiras, estava no programa eleitoral de Pedro Nuno Santos — mas não estava nos planos do PS de Costa que, nos oito anos que esteve em funções, teve vários braços de ferro com os professores, chegando mesmo a ameaçar demitir-se caso fosse aprovada à revelia do PS a recuperação do total do tempo de carreira congelado.

Educação. Reposição do tempo de serviço já permitiu progressão na carreira a quase 12.900 professores

O avanço em direção ao centro surge também quando Pedro Nuno Santos mantém uma posição cautelosa sobre as PPP na Saúde, garantindo que não se trata de nenhum “dogma”, mas sim da convicção de que essa via dá a ideia de que “só há uma forma de resolver o problema que é a entrega aos privados”.

A mesma cautela em relação a assuntos que se arrastam há anos e sobre os quais o Governo deu um passo nos últimos meses, como é o caso do novo Aeroporto de Lisboa. Quando era ministro, Pedro Nuno tinha defendido uma localização intermédia no Montijo, antes da passagem da operação para Alcochete (onde seria o novo aeroporto), mas agora “já não estamos aí”. Na entrevista à CMTV, o socialista aproveitou o assunto para dar a ideia de estabilidade nas matérias de consenso e declarar a localização do novo aeroporto como “assunto arrumado, não se volta atrás”.

Uma campanha no atual contexto internacional trará, evidentemente, outras questões de consenso ao debate, caso do investimento em defesa. Até agora Pedro Nuno tem sido recuado sobre isso e, numa entrevista já este ano ao Expresso, foi confrontado com a eventualidade de ter de cortar em despesa social para aumentar a despesa militar. Na resposta comprometeu-se apenas com a meta de 2% do PIB em despesa militar e avisou: “Temos também que ser muito firmes na defesa de um país com uma restrição orçamental apertada, com muitos problemas para resolver e que ainda está a fazer um caminho para chegar aos 2% do PIB em matéria de despesa militar.” Mas aí ainda não havia perspetiva de campanha eleitoral, nem o esticar de corda entre a União Europeia e os EUA nestas matérias.

E se perder, sai? “Há derrotas honrosas”

Pedro Nuno Santos recusa “cenarizar” e diz-se apenas e só “focado na vitória”. Mas à sua volta sinaliza-se a vontade do líder ficar no cargo no caso de perder. São apontadas duas razões: as autárquicas que se seguem no calendário político e a possibilidade de uma derrota curta.

Na SIC-Notícias, esta quarta-feira, Alexandra Leitão disse não ver “uma ligação direta entre uma derrota do PS e a manutenção do secretário-geral” e sublinhou: “Temos legislativas e logo a seguir autárquicas, acho que [a questão] não se coloca, a não ser com Luís Montenegro que vai a eleições com uma questão pessoal”. A abertura dessa questão, fica só para depois do outro ato eleitoral.

Já Carlos César, na mesma noite, garantiu que “nunca viu, desde o último congresso, o PS tão unido, participado e ativo como está”. Mas e se o PS perder as eleições? “Não há uma regra incontornável” e “depende da forma como se perde. Há derrotas honrosas“, disse. Também deixou um aviso interno, ao dizer que “é difícil encontrar alguém que seja divergente ao ponto de poder ser considerado desafiador” no PS, neste momento. Mas esse é um quadro que a realidade político-partidária tem mostrado que muda rapidamente, além disso, a oposição interna a Pedro Nuno Santos existe e está atenta aos sinais de desânimo e falta de crença num líder vitorioso que possam vir das estruturas partidárias.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.