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Os testes à Covid-19 estão a ser realizados na chegada à Alemanha. As despesas ficam a cargo do governo

dpa/picture alliance via Getty I

Os testes à Covid-19 estão a ser realizados na chegada à Alemanha. As despesas ficam a cargo do governo

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Testes à chegada, uso de máscaras ao ar livre e proibição de fumar na rua. As medidas para travar nova vaga de Covid-19 na Europa /premium

O aumento de casos em vários países fez com que fossem dados vários passos atrás para conter uma possível 2ª vaga. Espanha admite fechar escolas se for necessário. E a Grécia já restringe o turismo.

O dedo está a ser apontado essencialmente aos jovens. Os novos casos de Covid-19 que voltaram a subir em vários países da Europa registam-se em pessoas entre os 20 e os 39 anos, ou seja, naqueles que têm mais atividade social, seja para ir trabalhar ou para conviver. Com o desconfinamento, e a abertura de restaurantes, discotecas e bares, mas também lojas ou centros comerciais, além do regresso ao trabalho e às escolas, os números de contágios pelo novo coronavírus na Bélgica, França, Alemanha, Grécia, mas sobretudo Espanha atingiram números que não se registavam desde maio. Há quem fale numa segunda vaga ou numa segunda onda que é preciso controlar antes que atinja as proporções da primeira.

Daí as medidas drásticas que estes países têm estado a anunciar nos últimos dias, dando passos atrás e impondo medidas mais apertadas para tentar travar e controlar uma nova vaga da infeção antes que seja tarde demais.

A segunda vaga ainda não chegou a Portugal, mas é “quase inevitável” que venha em setembro

A Alemanha está a impor testes à Covid-19 para pessoas que regressem ao país vindas de áreas consideradas de risco; várias cidades francesas, incluindo Paris, decretaram o uso obrigatório de máscaras em locais mais lotados; em Espanha passou a ser proibido fumar em espaços ao ar livre, a não ser que o fumador consiga manter uma distância de segurança em relação às outras pessoas. O Governo espanhol também aprovou o encerramento de discotecas, bares e salões de baile.

Alemanha: testes à chegada de países considerados de risco

Nas últimas 24 horas, a Alemanha registou 1.449 novos casos de Covid-19. É, pelo segundo dia consecutivo, o maior aumento de infeções desde maio, indicou o Instituto Robert Koch (RKI), que monitoriza a saúde pública no país. No auge da pandemia, no início de abril, o país contabilizava cerca de seis mil novos casos por dia. O número infeções começou a diminuir logo a meio desse mês, mantendo uma tendência decrescente em maio. Mas em junho voltaram a surgir mais casos e o número de infeções tem vindo a aumentar progressivamente até ao momento, como se pode ver pelo gráfico.

Esta quarta-feira, o ministro da Saúde, Jens Spahn, disse estar preocupado com o aumento do número de infeções, que se têm registado em particular nos jovens — a  idade média dos infetados é 34 anos e, em finais de abril, era de 50 anos —, justificando que este aumento se deve não só às festas e às reuniões familiares, mas também ao regresso dos cidadãos ao país depois de passarem férias no estrangeiro. Na véspera, de acordo com o Deustche Welle, Spahn já tinha pedido à população para respeitar as medidas de higiene, em particular para usarem máscaras, manterem uma distância de segurança em relação às outras pessoas e evitarem um contacto próximo com os outros durante eventos sociais.

Desde julho que se apelava a que todas as pessoas que chegassem ao país fizessem um teste à Covid-19, quer viessem de países considerados de risco ou não. No entanto, tendo em conta este novo cenário, desde o passado dia 8 de agosto que a Alemanha está a obrigar todos os cidadãos a serem testados à chegada, independentemente da sua nacionalidade, caso venham de locais considerados de risco (tenham ultrapassado a barreira dos 50 novos casos por 100 mil habitantes nos últimos sete dias). Segundo a lista do RKI, estas áreas incluem Espanha Continental e as Ilhas Baleares — só ficam de fora as Canárias; a região de Antuérpia, na Bélgica; o Luxemburgo; os Estados Unidos; a Rússia; e o Brasil; entre outros. Portugal não consta.

Passageiros que aterraram no Aeroporto Internacional de Colónia-Bona aguardam para fazer o teste à Covid-19

Getty Images

O testes só não são obrigatórios para as pessoas que não venham de zonas consideradas de risco e para aqueles que já tragam consigo um teste à Covid-19 negativo feito, no máximo, 48 horas antes da chegada à Alemanha. As pessoas que façam o teste em território alemão terão de ficar de quarentena até terem um resultado negativo.

Os principais aeroportos do país já estão a realizar estes testes, sendo que as despesas ficam a cargo do governo alemão. Para aqueles que cheguem ao país por via terrestre e caso não haja um local de testagem na entrada — as estações de autocarros de Berlim, por exemplo, realizam testes — , terão de os fazer em centros de testes ou unidades de saúde até três dias depois de chegarem à Alemanha.

Uma mulher usa o seu telefone para ler o código QR para se registar e fazer o teste à Covid-19 numa estação de serviço, junto a uma autoestrada na Alemanha

dpa/picture alliance via Getty I

Este aumento de casos coincide com o início do ano escolar na Alemanha, que está a ser retomado de forma faseada. No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no passado dia 7 — dias depois do regresso às aulas — , duas escolas fecharam devido a casos de Covid-19 e centenas de crianças foram enviadas para casa. O mesmo aconteceu no estado de Schleswig-Holstein, onde uma escola perto da cidade de Husum fechou preventivamente depois de uma professora ter testado positivo.

Na Alemanha, segundo o Deutsche Welle, as regras para as escolas não são iguais em todo o país e cada estado é responsável pelos seus próprios estabelecimentos, mas há regras comuns: o uso obrigatório de máscaras, o distanciamento social, as medidas de higiene e grupos de alunos fixos. Há também vários estados que oferecerem testes à Covid-19 sem custos aos professores, antes do início do ano escolar. Em termos de higiene, as escolas têm de disponibilizar o acesso a soluções desinfetantes, têm de limpar com regularidade as casas de banho e garantir uma boa ventilação das salas de aula.

Ainda assim, o uso das máscaras não é igual em todos os estados. Há escolas que só obrigam à sua utilização nos corredores ou em salas usadas para as pausas, mas não durante as aulas, mas noutros, como no da Renânia do Norte-Vestefália — o maior do país — ficou estabelecido que, até pelo menos ao final de agosto, o uso de máscaras era obrigatório em todos os locais das escolas, caso não seja possível manter a distância mínima de um metro e meio entre as pessoas. Só os alunos da primária estão isentos.

Primeiro dia de aulas para as crianças do primeiro ano de uma escola perto de Bona, na Alemanha 

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Os alunos devem ser organizados em grupos, com um só professor, e não se devem misturar, não só para evitar o contágio entre eles, mas também para serem facilmente isolados, caso venha a ocorrer um caso de infeção. No entanto, nem sempre tem sido possível cumprir estas regras, nomeadamente no que toca ao distanciamento nas salas de aula, além de que não há nem salas nem professores suficientes para dar aulas a pequenos grupos de alunos.

A Alemanha soma atualmente mais de 222 mil casos de infeção e mais de nove mil vítimas mortais desde o início da pandemia, de acordo com o Worldometers — nas últimas 24 horas registaram-se mais 14 mortos.

França: máscaras ao ar livre e eventos com mais de 5 mil pessoas proibidos

“A situação ligada à epidemia de Covid-19 degradou-se nos últimos dias”, afirmou o primeiro-ministro francês esta terça-feira, indicando que, desde há duas semanas, a situação está a evoluir no “mau sentido” e que a contaminação é mais elevada nas camadas jovens.

E os números comprovam isso mesmo: há três semanas contabilizavam-se mil casos por dia e atualmente são dois mil, sendo que o número de internamentos também aumentou. A taxa de incidência entre os 20 e os 29 anos subiu para 45 por cem mil habitantes e para 26.5 entre os 30 e os 39 anos, quando em maio era de 7 e 6.1 por 100 mil habitantes respetivamente.

Como se pode ver pelo gráfico, o auge da pandemia no país foi em finais de março. Desde então, o número de casos diminuiu, apesar de se notarem dois picos em maio, mas voltaram a baixar em junho. Até que em meados/finais de julho, voltaram a contabilizar-se cada vez mais casos de infeção.

Esta quinta-feira, somaram-se mais 2.669 infeções e 17 mortes, elevando assim o número de casos para mais de 209 mil e o número de vítimas mortais para mais de 20 mil desde o início da pandemia, segundo o Worldometers. Desde maio que não se reportavam tantos casos de infeção.

"Vou pedir aos autarcas para alargarem o máximo possível a obrigatoriedade de usar máscaras nos locais públicos exteriores"
Jean Castex, primeiro-ministro francês

No final do mês passado, o Conselho Científico, que aconselha o governo francês relativamente à pandemia, anunciou que era “altamente provável” que haja uma segunda vaga epidémica “no próximo outono ou inverno” e divulgou um documento onde considera essencial que as autoridades de saúde se antecipem e ponham em marcha planos de prevenção, aconselhando ainda as 20 grandes cidades, onde os riscos de propagação do vírus são mais elevados, a preparar “um confinamento local” de acordo com a epidemia.

Vou pedir aos autarcas para alargarem o máximo possível a obrigatoriedade de usar máscaras nos locais públicos exteriores. Em 330 municípios, essa obrigação foi promulgada. Temos que ir mais longe, e essa é a instrução dada aos presidentes de câmara”, afirmou o primeiro-ministro francês, Jean Castex, esta terça-feira.

Desde dia 20 de julho que se tornou obrigatório o uso de máscaras em locais públicos fechados para maiores de 11 anos. Uma medida que surgiu precisamente para estancar o crescimento da pandemia — e cujo não cumprimento pode dar direito a uma multa de 135 euros. Desde então houve várias cidades que optaram por estender esta obrigação para as zonas ao ar livre, depois de o ministro da Saúde, Olivier Véran, ter afirmado que as autarquias podiam tomar essa decisão.

Foi o caso de Lille, Nice, Nantes, Bordéus, Toulouse, Marselha, entre outras citadas pelo France 24, onde as máscaras se tornaram obrigatórias em determinados locais no exterior. Em Paris, por exemplo, o uso de máscaras em zonas sobrelotadas ao ar livre passou a ser obrigatório, desde o passado dia 10, para maiores de 11 anos. Esta medida será aplicada durante um mês, com possibilidade de renovação, e estes locais serão regularmente controlados para garantir o cumprimento desta medida. Uma decisão tomada após as autoridades francesas anunciarem que a taxa de testes positivos em Paris era de 2.4%, em particular nos jovens entre os 20 e os 30 anos, enquanto a média nacional estava nos 1.6%.

“Os critérios são locais com pessoas onde seja difícil respeitar as distâncias de segurança, locais de festa, onde pode haver uma relaxamento das medidas de higiene“, afirmou Nicolas Nordman, adjunto da Câmara de Paris responsável pela segurança, citado pelo jornal Le Figaro.

Jean Castex anunciou ainda que o Conselho de Defesa francês decidiu prolongar a proibição de ajuntamentos com mais de cinco mil pessoas até ao dia 30 de outubro. Ainda que, neste caso, os presidentes da Câmara possam não cumprir esta medida, têm de garantir que são respeitadas as medidas sanitárias.

Será também reforçado o controlo das medidas que evitam a propagação do vírus, nomeadamente o cumprimento das medidas de higiene, o uso de máscara e será obrigatório fazer uma declaração, quando houver um ajuntamento de mais de 10 pessoas.

Além destas medidas, segundo o jornal Le Monde, que têm como objetivo evitar o confinamento, o primeiro-ministro francês indicou que está a ser ponderada uma forma de “generalizar ao máximo o uso de máscaras nos locais de trabalho“, descartando contudo desde já a sua obrigatoriedade, e prometeu uma melhoria na política de testagem.

Ainda relativamente a máscaras, importa recordar que, no passado dia 27 de julho, o governo francês aconselhou às empresas que criassem um stock de máscaras para dez semanas, de forma a fazer face a uma potencial nova vaga e garantir a proteção dos trabalhadores para, assim, manterem a sua atividade. O stock tem de ser avaliado “tendo em conta as situações em que não pode ser garantido o respeito da distância física de um metro entre duas pessoas”, lê-se numa nota assinada pelos ministros da Saúde, do Trabalho e da Indústria, sendo que o “empregador também pode decidir generalizar o uso coletivo da máscara dentro da empresa”. “Se não reagirmos coletivamente, expomo-nos a um risco alto de retoma da epidemia, que será difícil de controlar”, disse ainda Jean Castex.

Com o regresso escolar marcado para o início do mês de setembro, a 5 de agosto foi publicada uma nova versão do protocolo sanitário para os estabelecimentos de ensino. As máscaras são obrigatórias para todos os alunos com mais de 11 anos, tanto em espaços fechados, como no exterior, sempre que não for possível garantir uma distância de um metro entre as pessoas. No caso dos professores, todos devem usar máscara, à exceção dos que estejam nos jardins de infância, a não ser que estejam a mais de um metro dos alunos.

Em Nantes, em França, o uso de máscara no centro da cidade passou a ser obrigatório

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Segundo o jornal Le Figaro, de forma a que todos os alunos consigam voltar às salas de aula já no próximo mês, deixou de ser obrigatório manter uma distância de segurança tanto no exterior, como em espaços fechados, caso não seja “materialmente possível ou que não permita o acolhimento de todos os alunos”. “Ainda assim, os espaços são organizados de forma a manter a maior distância possível entre os alunos”, lê-se no documento.

Os alunos deixam de estar impedidos de estar em bancos e espaços coletivos exteriores, sendo que “objetos partilhados” — como bolas, livros, jogos, lápis, entre outros — só devem ser disponibilizados dentro da mesma sala de aula ou grupo. As escolas também deixam de estar obrigadas a não juntar alunos de turmas diferentes: “Em função do seu tamanho, as escolas e estabelecimentos escolares organizam o dia a dia e as atividades escolares de forma a limitar, dentro do possível, os cruzamentos importantes.”

Reino Unido: quarentena a quem chega de outros países

O secretário de Estado dos Transportes do Reino Unido anunciou, esta quinta-feira, que a França, os Países Baixos e Malta iriam ser retirados da lista dos países que constam no corredor aéreo britânico, passando assim a fazer parte da “lista negra” no que toca a restrições de viagens, onde continuam Portugal, Espanha, Luxemburgo e Bélgica. Ou seja, a partir de sábado, qualquer pessoa que chegue ao Reino Unido vindo de um destes destinos terá de ficar em isolamento durante 14 dias.

A constante atualização dos países considerados seguros (ou não) para viajar é apenas uma das medidas impostas pelos britânicos, para fazerem face ao aumento de casos de Covid-19. Esta sexta-feira, o Reino Unido registou mais 1.441 infeções e mais 11 mortes nas últimas 24 horas, elevando assim para mais de 316 mil casos de Covid-19 e mais de 41 mil vítimas mortais desde o início da pandemia. É o quarto dia seguido em que se contabilizam mais de mil casos no país. Ainda que os números atuais em nada se comparem com o que o Reino Unido registou entre os meses de abril e maio, nota-se uma tendência crescente desde o início de agosto.

Mas há muitas outras medidas de contenção em vigor consoante a zona do país. Em Inglaterra, por exemplo, é proibido socializar num espaço fechado com pessoas que pertençam a mais de dois agregados familiares, não é permitido estar com mais do que seis pessoas de famílias diferentes em espaços ao ar livre e também é proibido organizar ou participar em celebrações, como festas, onde seja difícil manter a distância de segurança.

No caso da Escócia, no que toca a espaços ao ar livre, é possível juntar até 15 pessoas de, no máximo, cinco agregados familiares diferentes, desde que se mantenha uma distância de segurança de dois metros. Já no País de Gales é possível estar com um número ilimitado de pessoas no exterior desde que façam parte de duas famílias. Na Irlanda do Norte é permitido o convívio de até 30 pessoas ao ar livre, refere a BBC.

Em Manchester, em Inglaterra, as pessoas que não sejam da mesma família não podem conviver

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Mas estas regras não se aplicam aos locais obrigados a ficar em isolamento devido a surtos de Covid-19, como área metropolitana de Manchester, Leicester, e várias cidades e localidades nos condados de Lancashire e West Yorkshire, como Oldham, Blackburn, Burnley e Preston. Aqui, as pessoas que não sejam da mesma família não podem conviver e não estão autorizadas visitas a pessoas que vivam fora destes locais mais afetados. Não são também aconselhados os convívios com pessoas que não façam parte do mesmo agregado familiar em locais fechados, como restaurantes, bares ou locais de culto, e as visitas a amigos ou familiares que estão em lares.

Houve ainda outros locais no Reino Unido que ficaram em isolamento. É o caso de Aberdeen, na Escócia, onde foram detetados 177 casos de infeção ligados a um surto. Nesta cidade, foram impostas várias medidas, nomeadamente o encerramento dos bares e dos restaurantes e impostos limites nas visitas a hospitais e lares, que só poderão ocorrer em situações essenciais.

O primeiro-ministro britânico aumentou, esta quinta-feira, o valor das multas para quem se recusar a usar máscaras, refere o The Telegraph. Atualmente, em Inglaterra, maiores de 10 anos são obrigados a utilizar máscaras em locais públicos fechados, como transportes públicos, lojas, supermercados, museus e locais de culto, lê-se no site da Metropolitan Police. Este aumento nas coimas também se aplica aos que não respeitarem o limite de 30 pessoas em ajuntamentos — excluindo escolas e locais de trabalho.

Apesar da situação epidémica do país, Boris Johnson autorizou, esta quinta-feira, a realização de eventos em espaços fechados e ao ar livre a partir de sábado em Inglaterra, ainda que mantendo as distâncias de segurança e com limites em termos de capacidade.

O trabalho árduo do país para manter o vírus sob controlo significa que agora podemos dar um passo cuidadoso, ao permitir que o público volte às atuações em ambientes fechados, que os fãs voltem aos eventos desportivos”, afirmou o ministro britânico da Cultura, Oliver Dowden.

A partir de sábado, também poderão realizar-se casamentos e outro tipo de celebrações com um número máximo de 30 pessoas e os casinos e cabeleireiros também foram autorizados a abrir portas.

Boris Johnson avançou, esta segunda-feira, que está determinado em reabrir as escolas em Inglaterra em setembro, apesar de se notar alguma insegurança por parte dos pais e de professores. “A última coisa que queremos é fechar as escolas. A educação é a prioridade do país e é simplesmente justiça social”, afirmou o primeiro-ministro.

"A última coisa que queremos é fechar as escolas. A educação é a prioridade do país e é simplesmente justiça social"
Boris Johnson, primeiro-ministro britânico

As escolas começaram a funcionar esta terça-feira na Escócia. Segue-se a Irlanda do Norte, cuja reabertura começa a partir de 24 de agosto, e o País de Gales, a 1 de setembro. De acordo com a BBC, a maioria dos concelhos escoceses optou por receber os alunos mais novos em primeiro lugar. O uso de máscaras não é obrigatório e, por norma, não é exigido aos alunos que mantenham a distância de segurança, mas é algo que é incentivado, principalmente para os mais velhos. Os professores, contudo, terão de manter uma distância de dois metros.

O Reino Unido é o segundo país do mundo com a maior taxa de mortalidade por Covid-19: 69 mortos por 100 mil habitantes, só ultrapassado pela Bélgica.

Espanha: limites para fumar ao ar livre e restrições nos estabelecimentos noturnos

Esta sexta-feira, Espanha registou 2.987 novos casos de Covid-19. À semelhança da Alemanha e de França, é o maior aumento do número de infeções desde maio. Apesar de destacar o aumento do número de casos de Covid-19 no país, Fernando Simón, responsável pelo Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias do ministério da Saúde espanhol, considerou esta quinta-feira que situação não é igual à que se vivia em março. E efetivamente não está, como se percebe pelo gráfico, mas nota-se uma clara subida do número de infeções a partir de meados de julho. Espanha registou uma diminuição de infeções por Covid-19 a partir do mês de abril, mas a situação começou a inverter-se o mês passado.

Apesar da nota de tranquilidade, o ministro da Saúde espanhol impôs novas medidas: todos os bares e discotecas em Espanha voltarão a ser encerrados, os estabelecimentos hoteleiros e restaurantes terão de fechar novamente, no máximo, até às 1h00 e não poderão aceitar mais clientes depois da meia noite. Será também necessário garantir uma distância de um metro e meio nos locais com bares e nas mesas, cujo limite de pessoas é de 10.

Estas medidas — são 11 no total — surgem depois de uma reunião de urgência com as comunidades autónomas. É a primeira vez que se tomam decisões “coordenadas em termos de Saúde Pública”, anunciou Salvador Illa, citado pelo El País. “As comunidades podem tomar medidas mais restritivas”, disse o governante, deixando ainda algumas recomendações: não ter mais de 10 pessoas em ajuntamentos e testar regularmente os funcionários dos centros sociais e lares de idosos.

São as mais recentes medidas num país cujas várias comunidades estão há semanas a impor regras mais apertadas para controlar as novas infeções. Tanto a Galiza como as Ilhas Canárias já tinham decidido proibir as pessoas de fumar nas ruas e nas esplanadas, caso o fumador não consiga estar a mais de dois metros de distância de outras pessoas.

Depois da Galiza, também as Canárias proíbem fumar em ruas e esplanadas onde a distância social não esteja garantida

De acordo com o jornal espanhol El País, a medida foi imposta nas Canárias, a partir desta sexta-feira, depois de terem sido detetados 28 surtos que tiveram origem em ambientes familiares e de lazer — a maioria dos casos são jovens com menos de 30 anos — e está em linha com o que foi recomendado pela Comissão de Saúde Pública do Sistema Nacional de Saúde espanhol.

“A nossa recomendação é que em espaços públicos, como bares, esplanadas ou zonas de reunião de pessoas ao ar livre, não se fume. O ato de fumar projeta partículas respiratórias que podem atingir outras pessoas”, afirmou Pilar Aparicio, diretora-geral da Saúde, em julho.

Outras imposições do governo das Canárias, decididas na quinta-feira, passam pela limitação do número de pessoas em encontros familiares — não pode ultrapassar os 10 elementos — e a voltarem a ser testados os idosos que se encontrem em lares e os respetivos profissionais, refere ainda o El País.

Ainda esta sexta-feira, o conselho de Saúde de Madrid anunciou que, a partir da próxima semana, irá fazer testes de despiste à Covid-19 a mil pessoas de todos os distritos da capital e municípios da região que tenham uma elevada taxa de contágios. Serão testadas, de forma aleatória, pessoas com idades entre os 14 e os 49 anos, que serão convocados por SMS.

Também a partir desta sexta-feira, passou a ser obrigatório o uso de máscaras em todas comunidades espanholas, tanto em locais fechados como ao ar livre. Esta medida – que entrou em vigor esta sexta-feira nas Ilhas Canárias – já era aplicada nas restantes comunidades. Na Andaluzia, por exemplo, desde 15 de julho que as pessoas têm de usar máscaras até nas praias e nas piscinas. Só a podem tirar quando vão à água, quando estão a comer ou quando estão sob o chapéu de sol, mas têm de garantir que estão a dois metros de distância dos outros, lê-se no jornal El Mundo. No caso de Aragão, desde dia 14 de julho que todas as pessoas com mais de seis anos têm de usar máscara, em qualquer espaço público fechado ou ao ar livre.

A Catalunha foi a primeira a impor o uso de máscaras em todos os locais, exceto nas praias e nas piscinas, e a todas as pessoas, à exceção de menores de seis anos, pessoas com problemas de saúde e que estejam a praticar desporto ao livre.

A Catalunha foi a primeira comunidade a impor o uso de máscaras em todos os locais

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Esta quinta-feira, foi divulgado um protocolo entre os conselhos da Educação e da Saúde para a reabertura das escolas na Catalunha. De acordo com o El País, que destaca algumas medidas do documento, o uso de máscaras não será obrigatório durante as aulas, mas à entrada e à saída da escola e em locais onde estejam com outros alunos que não os da sua turma. Se se detetar um caso positivo, seja um aluno ou um professor, toda a turma ficará em quarentena durante 14 dias, mesmo que tenha um teste negativo.

Um aluno que tenha sintomas compatíveis com a infeção será isolado e a família será avisada, sendo que as escolas terão uma enfermeira de referência num centro de saúde que poderá ser contactada pelo diretor, caso tenha alguma dúvida. As autoridades sanitárias poderão ainda decidir fechar uma escola que tenha dois casos positivos em dois grupos distintos.

O responsável do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias do ministério da Saúde espanhol alertou, esta quinta-feira, que se for preciso fechar alguma escola ou alguma turma, fá-lo-á. E o mesmo se aplica a todas as escolas do país: “Se for necessário fechar escolas ou salas de aula específicas, terá de ser feito. E se for necessário dar mais um passo e fechar todas as escolas em Espanha, isso será feito, mas temos que aprender a conviver com o vírus”, afirmou Fernando Simón, citado pelo ABC.

Apesar da decisão desta sexta-feira de voltar a encerrar todos os bares e discotecas do país, várias comunidades já tinham introduzido medidas restritivas relativamente aos estabelecimentos de diversão noturna na tentativa de conter a transmissão de Covid-19 entre os jovens. Na Andaluzia, por exemplo, desde o início de agosto que os bares passaram a ter a sua lotação máxima reduzida a 60% e as discotecas a 40%, os bares passaram a fechar, no máximo, às três da manhã e as discotecas às cinco; e o número máximo de pessoas por mesa, tanto nos bares, como nas discotecas e nos restaurantes, reduziu-se de 25 para 12, refere o ABC. Aliás, no caso dos restaurantes, a lotação máxima foi reduzida para 75%.

"Se for necessário fechar escolas ou salas de aula específicas, terá de ser feito. E se for necessário dar mais um passo e fechar todas as escolas em Espanha, isso será feito, mas temos que aprender a conviver com o vírus"
Fernando Simón, responsável Centro de Coordenação de Alertas e Emergências Sanitárias do ministério da Saúde espanhol

Já a Catalunha, desde o final do mês passado decidiu encerrar todas as discotecas e salas de festas, sendo que os bares e os restaurantes têm de fechar até à meia-noite.

No fim de semana passado, os bares e as discotecas de Madrid fecharam portas em protesto com as medidas implementadas pelo governo regional, que passavam pela proibição de receber mais clientes a partir da uma da manhã, terem de fechar a partir da 1h30, limitar a lotação e proibição de pista de dança, destaca o El Mundo.

Espanha soma, desde o início da pandemia, mais de 355 mil infetados e mais de 28 mil mortos.

Bélgica: máscaras obrigatórias nas ruas da capital

É o país com o maior rácio de mortes por Covid-19: 85 por 100 mil habitantes. Esta sexta-feira, a Bélgica registou 544 novos casos e mais 16 mortos e, desde o início da pandemia, contabilizou mais de 76 mil casos e quase 10 mil mortos, segundo o Worldometers. Mas o número de novos casos parece estar a estabilizar, refere o jornal Le Soir, e o mesmo se depreende pelo gráfico. Ainda assim, é notório o aumento de casos que ocorreram a partir de meados de julho, depois de o número de infeções ter começado a diminuir em finais de abril.

A Bélgica reforçou, a partir de 29 de julho, as medidas para controlar a pandemia de Covid-19 no país, nomeadamente reduzir a “bolha social“, isto é, o número de pessoas com quem se pode estar em contacto, de 15 para cinco — não estando incluídos menores de 12 anos. É necessário ou manter uma distância de um metro e meio ou usar máscara, cuja utilização passou a ser obrigatória em eventos públicos. As máscaras são obrigatórias em todos os locais públicos lotados, seja ao ar livre seja fechado, desde o dia 25 de julho.

Também nos eventos públicos reduziu-se o número de pessoas: ao ar livre só podem estar um máximo de 200 e em espaços fechados 100. E as idas aos supermercados não podem demorar mais de 30 minutos. Estas medidas ficarão em vigor até ao final do mês de agosto.

Em Antuérpia, na Bélgica, foi imposto um recolher obrigatório entre as 23h e as 6h

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Em Antuérpia, contudo, impuseram-se medidas mais restritivas, uma vez que é nesta província que se concentra o maior número de casos. Foi declarado o recolher obrigatório entre as 23h e as 6h, com exceção para quem tem de fazer deslocações de urgência para o trabalho — o teletrabalho é incentivado em todo o país, mas aqui tornou-se obrigatório — ou para o hospital. O governo belga recomendou ainda que se evitem deslocações até à província. As máscaras passaram a ser obrigatórias, para maiores de 12 anos, nas ruas e edifícios públicos, quando não for possível manter uma distância de um metro e meio, e os restaurantes e cafés passaram a fechar às 23h.

Apesar de se começarem a notar melhorias, de acordo com o jornal belga Le Soir, nomeadamente em Antuérpia, o mesmo não se pode dizer da capital.

Em Bruxelas, a partir desta quarta-feira, passou a ser obrigatório o uso de máscaras em quaisquer espaços públicos, sejam fechados, sejam ao ar livre — até esse dia só era obrigatório a sua utilização em locais públicos fechados com muita gente. Uma medida para tentar controlar o aumento de novos casos de Covid-19 que, na semana passada, registou uma média de 50 novos casos por dia por 100 mil habitantes.

Grécia: testes negativos à Covid-19 na chegada ao país

“A situação no nosso país tem a dinâmica de uma segunda vaga da pandemia”. As palavras são de Giorgos Panagiotakopoulos, um professor da Farmácia da Universidade de Patras, citado pelo jornal Kathimerini, garantindo, contudo, que a situação ainda está sob controlo. Será?

Esta sexta-feira, o país contabilizou mais 254 novos casos de Covid-19 e mais duas vítimas mortais, mas na quarta-feira registou 262 novas infeções, o valor mais alto desde o início da pandemia. O gráfico com dados do ECDC mostra precisamente isso: uma subida abrupta do número de infeções, que em nada se compara com o que se registou nos meses de março e abril. A Grécia soma cerca de seis mil casos de Covid-19 desde o início da pandemia e 221 mortos, de acordo com o Worldometers.

Esta sexta-feira, na véspera de um feriado nacional — altura em que muitos gregos vão de férias —, o primeiro-ministro, Kyriakos Mitsotakis, deixou um apelo aos jovens, para se protegerem e cumprirem as medidas de segurança e o distanciamento social. Ainda esta sexta-feira, a Proteção Civil irá apresentar novas medidas para tentar estancar o aumento do número de casos no país.

Atualmente, de acordo com o jornal grego Ekathimerini, o uso de máscaras é obrigatório em locais públicos fechados, como lojas, supermercados, transportes públicos e elevadores — uma regra que não abrange as igrejas, por exemplo — e em locais ao ar livre onde não seja possível manter a distância de segurança.

O governo grego já tinha anunciado a suspensão de todas as procissões religiosas por tempo indeterminado e, esta terça-feira, obrigou os bares, restaurantes e cafés de várias regiões do país — como Corfu, Creta, Mykonos, Santorini, entre outras —  a fecharem portas entre a meia noite e as sete da manhã. Já tinha sido proibida a presença de clientes em pé nos bares, discotecas e estabelecimentos com música ao vivo, até ao final de agosto, bem como os festivais ao ar livre, lê-se no Ekathimerini. Foi imposto também um limite de 100 pessoas em casamentos, batizados e funerais.

"A situação no nosso país tem a dinâmica de uma segunda vaga da pandemia"
Giorgos Panagiotakopoulos, um professor da Farmácia da Universidade de Patras

A ilha de Poros, contudo, está com restrições mais apertadas, tendo em conta o elevado número de casos de Covid-19. Até 17 de agosto, o uso de máscara é obrigatório em todos os locais fechados ou ao ar livre; todas as lojas terão de estar fechadas entre as 23h e as 7h; todos os eventos e procissões religiosas foram suspensos; os ajuntamentos, seja em espaços fechados ou ao ar livre, não podem ter mais de nove pessoas; em locais que sirvam refeições, não se podem sentar à mesa mais de quatro pessoas, a não ser que sejam familiares — aí o limite é de seis.

Até ao final do mês, todas as pessoas com mais de 10 anos que cheguem em voos vindos de vários países da Europa, nomeadamente Espanha, Bélgica, Países Baixos, Suécia e Malta, terão de apresentar um teste negativo à Covid-19 feito, no máximo, 72 horas antes de entrarem na Grécia. Uma regra que, de acordo com a página do governo, também se aplica a cidadãos gregos. Ainda assim, os passageiros podem ser sujeitos a um teste aleatório na chegada ao país. Segundo o jornal Ekathimerini, 20 dos novos casos contabilizados esta sexta-feira foram detetados à entrada do país.

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