Em Portugal a reabertura ainda não aconteceu, na Catalunha o aumento de casos de infeção com o novo coronavírus provocou um recuo. O jornal espanhol El País escreveu “acabou-se a festa” e escreveu-o porque o Governo da região da Catalunha (Generalitat) ordenou o encerramento de espaços de diversão noturna, pelo menos por um período de 15 dias, face ao ritmo de crescimento diário de infeções em muitos pontos da região.

As restrições agora definidas, que entram em vigor já este sábado, vão incidir sobre 14 “municípios catalães onde há restrições sociais devido ao aumento dos casos e surtos”, que incluem a área metropolitana e a cidade de Barcelona  e que se estendem a Lérida e Girona.

De este sábado em diante, por um período mínimo de 15 dias, os bares e restaurantes terão horário limite de encerramento: meia-noite. Também as discotecas e salas de festa “continuarão encerradas” — ao contrário do inicialmente previsto — e espaços como casinos ou salas de bingo poderão funcionar apenas com horário mais reduzido, até à meia-noite, nota o jornal El Mundo.

Citado pelo jornal El País, o secretário da Saúde Pública em Espanha, Josep Maria Argimon, explicou que “a situação da Catalunha é complicada e temos pouca margem, poucos dias, para atuar”. Só nas últimas 24 horas foram registados mais três mortes e mais 1.493 casos de infeção com o novo coronavírus na região da Catalunha. E são cada vez mais os países — França, Bélgica, Noruega — que desaconselham ou tentam impedir os seus cidadãos de viajar para esta região espanhola. O Reino Unido poderá mesmo recuar na decisão anunciada na sexta-feira e retirar a Espanha dos destinos seguros que dispensam quarentena no regresso, tal como já acontece com Portugal.

Ao todo, as autoridades municipais contabilizam quase 90 mil infeções na região desde o início do surto (mais concretamente, 89.727) e atualmente estão internadas em unidades de cuidados intensivos da região 71 pessoas — o número de internamentos em UCI cresceu face ao dia anterior, tendo sido contabilizadas mais seis pessoas, entre novas entradas e saídas (por óbito ou recuperação clínica), face ao mesmo período 24h antes.

107 infetados em discoteca de Córdoba. Há 15 surtos relacionados com diversão noturna

A Catalunha não é, contudo, a única região de Espanha a fazer marcha-atrás na intenção de reabrir espaços de diversão noturna como discotecas, consideradas — por funcionarem em espaço fechado e por serem locais de habitual concentração e proximidade física de pessoas — como focos de risco de contágio.

Na região de Múrcia, a decisão de recuo à reabertura de discotecas foi semelhante e outras regiões como Euskadi e Andaluzia estão também a ponderar apertar mais a malha do que o inicialmente previsto a espaços comerciais de diversão noturna.

A experiência de reabertura e funcionamento de espaços de diversão noturna, em especial discotecas, não está a ser especialmente feliz em Espanha: em Córdoba (Andaluzia), 107 novos contágios terão estado relacionados com um surto numa discoteca e na região de Múrcia foram detetadas 62 infeções alegadamente ocorridas em zona de movida noturna. De acordo com o ministério da Saúde espanhol, citado pelo jornal El País, há atualmente 15 surtos relacionados com infeções ocorridas neste tipo de ambientes de socialização.

Tal como o decidiram agora as regiões da Catalunha e Múrcia, a reabertura de discotecas nas zonas turísticas de Maiorca e Ibiza mantém-se apenas como hipótese projetada para um futuro não imediato. Isto apesar das diretrizes e reforço de medidas de segurança garantidas pelos espaços de diversão noturna, como controlo de temperatura à entrada, registo de nome e contacto de cada cliente (para facilitar o rastreamento de possíveis infeções em caso de deteção de casos positivos), uso obrigatório de máscara, fixação de dispensadores de álcool gel e reconversão de pistas de dança para zonas sentadas, com sofás e mesas.

O El País, contudo, refere que há relatos de “trabalhadores do setor” que “admitem” que “chegadas certas horas” e com o consumo de álcool, há “protocolos” que são “difíceis de cumprir”.

Em Portugal, não há data para reabrir. Empresários sentem-se “ignorados”

Em Portugal, ainda não há data prevista para a reabertura de bares e discotecas. Os empresários de diversão noturna afirmam sentir-se “ignorados” pelo Governo e criticam a falta de informação das autoridades políticas e de saúde quanto à previsão para a reabertura destes espaços comerciais.

“Há milhares de pessoas sem trabalho”. Bares e discotecas dizem que só querem “uma resposta” e avançam com manifestação

No início deste mês, a Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) pedia aliás uma de duas coisas: ou que fosse dada luz verde à reabertura de bares e discotecas, ou que o Governo reforçasse os apoios para empresários e agentes económicos que, face à paralisação do seu setor de atividade, estão impedidos de trabalhar.

A AHRESP enviou ainda ao Governo um manual com sugestões de práticas para o funcionamento seguro deste espaços. A lista inclui a proposta de marcas inscritas no chão para garantir o distanciamento físico mesmo em espaços fechados de diversão noturna.

Como podem reabrir os bares e discotecas