1233kWh poupados 1233 kWh poupados com a
i

A opção Dark Mode permite-lhe poupar até 30% de bateria.

Reduza a sua pegada ecológica.
Saiba mais

i

Victor Machado

Victor Machado

Universidade Lusíada: quatro décadas a formar Portugal

Quando abriu portas, em 1986, Portugal abria-se ao exterior. A Universidade Lusíada acompanhou a evolução do ensino e do país. Aos 40 anos, o foco é preparar estudantes para um mundo em mudança.

Quando, em junho de 1986, a Universidade Lusíada abriu portas, Portugal vivia uma das maiores transformações da sua história recente. Meses antes tinha aderido à Comunidade Económica Europeia (CEE), iniciando um novo ciclo de crescimento económico, abertura ao exterior e modernização. Os primeiros fundos comunitários começavam a chegar e uma geração inteira via no Ensino Superior uma oportunidade inédita de mobilidade social. Em poucos anos, o número de estudantes quase triplicou, enquanto o sistema público revelava dificuldades em responder ao aumento da procura.

Foi neste contexto que nasceu a Universidade Lusíada, uma das mais antigas universidades privadas portuguesas. A cooperativa que lhe deu origem foi constituída a 23 de junho de 1986 e, cinco dias depois, era publicada a autorização oficial de funcionamento. Resultante de uma cisão da Universidade Livre, pretendia afirmar uma identidade própria, assente no humanismo, na cidadania e na qualidade científica.

Uma universidade nunca está concluída. Tem de estar permanentemente preparada para mudar, sem perder os princípios e os valores que a definem.
João Redondo, chanceler da Universidade Lusíada e presidente da Fundação Minerva

“Já se adivinhava uma explosão muito grande na procura do Ensino Superior”, recorda João Redondo, chanceler da Universidade Lusíada e presidente da Fundação Minerva. “O Ensino Superior público não vivia os seus melhores tempos”, acrescenta, recordando um período marcado por greves, conflitos internos e dificuldades em responder ao crescente número de candidatos. “A universidade privada apresentava-se como uma alternativa.”

A Lusíada iniciou atividade com as licenciaturas em Direito, História, Matemáticas Aplicadas e Gestão de Empresas, às quais rapidamente se juntaram Economia e Psicologia. Mais tarde, haveriam de se juntar outras tantas, com especial destaque para a Arquitetura, Relações Internacionais e Serviço Social. Desde o início, a escola apostou num corpo docente de reconhecido prestígio, integrando académicos como Veríssimo Serrão, Paulo Cunha e Motta Veiga, entre outras personalidades que conferiram credibilidade a uma instituição que dava os primeiros passos num setor ainda visto com algum ceticismo.

Formar pessoas de forma integral

O objetivo, explica João Redondo, nunca foi apenas criar mais uma universidade privada. “O projeto assentava num conjunto de valores, inspirados na ética, na cidadania e no humanismo, muito presentes na doutrina social da Igreja, mas sobretudo numa ideia de formação integral da pessoa.”

Essa ambição refletiu-se também na dimensão do projeto. Enquanto outras instituições privadas surgidas na mesma época tinham uma implantação regional, a Lusíada nasceu com vocação nacional. “Até o próprio nome traduzia essa intenção. A Lusíada surgiu com o propósito de ser um projeto de dimensão nacional.” Por isso, rapidamente abriu um polo no Porto e, mais tarde, em Vila Nova de Famalicão.

E paulatinamente a universidade foi crescendo. Se, em 1986, contava com cerca de 1.500 alunos, hoje reúne aproximadamente 6.500 estudantes, oferecendo formação da licenciatura ao doutoramento em áreas como Direito, Arquitetura, Economia, Gestão, Psicologia, Serviço Social, Engenharia Informática, Design, Comunicação e Música.

Victor Machado

Mas a principal transformação destas quatro décadas foi mais profunda do que o crescimento do número de cursos ou estudantes. Mudou a própria ideia de universidade. “Deixou de ser um lugar onde se assiste a aulas para ser um lugar onde se desenvolvem atividades. Além disso, passou a prestar serviços à sociedade. Deixou de ser apenas uma instituição de ensino para passar a ser uma instituição em permanente cooperação com a sociedade envolvente, que desenvolve novos produtos, novas competências e novas áreas de formação. Deixou de ser um local apenas para produzir licenciados, mestres ou doutores, para fazer formação ao longo da vida. Ou seja: há uma grande mudança relativamente àquilo que era a universidade há 30 ou 40 anos”. Hoje, às funções tradicionais de ensino, juntam-se a investigação científica, a inovação pedagógica, a cooperação com empresas e instituições, a internacionalização e a formação ao longo da vida.

Novos desafios, novas formas de ensinar

Mudanças que, obviamente, se refletem na sala de aula, que deixaram de ser grandes anfiteatros para passar a ser locais mais pequenos, onde se fomenta o debate. Ao longo das últimas quatro décadas alteraram-se as metodologias de ensino, a relação entre professores e estudantes e o próprio papel da universidade. Hoje há uma aposta crescente na avaliação contínua, na participação dos estudantes em projetos de investigação desde os primeiros anos, na aproximação ao mercado de trabalho e em metodologias mais participativas.

Também os estudantes mudaram. “Há um problema que nunca conseguimos resolver: os professores estão cada vez mais velhos e os estudantes têm sempre a mesma idade.” O desafio, explica João Redondo, passa por adaptar o ensino a gerações que chegam à universidade com uma forte literacia digital e novas formas de aprender. “Eles chegam com uma bagagem tecnológica que muitas vezes ultrapassa a dos próprios professores. O desafio é captar a sua atenção com metodologias diferentes das que existiam há quarenta anos.”

É neste contexto que surge também a inteligência artificial. Para a Universidade Lusíada, trata-se de uma ferramenta que deve ser integrada no processo de aprendizagem, sem substituir o conhecimento. “Se a utilizarmos para aprender, é uma ferramenta extraordinária. Se a utilizarmos apenas para substituir o conhecimento, deixa de cumprir essa função.”

A abertura ao exterior constitui outra das mudanças marcantes. Se, há quarenta anos, a internacionalização era limitada, hoje faz parte da experiência académica através do programa Erasmus e de dezenas de protocolos com universidades estrangeiras. “Os estudantes de hoje têm muito mais mundo do que nós tivemos. Muitos fazem um semestre em Itália, França, Alemanha, Noruega ou Brasil. Essa experiência transforma-os tanto como as próprias aulas.”

Victor Machado

Também a investigação ganhou um peso muito diferente do que tinha em 1986, com a criação de centros acreditados, o reforço da publicação científica e a consolidação dos programas de doutoramento. Para João Redondo, um dos momentos decisivos da história da instituição foi, aliás, a capacidade de conferir o grau de doutor e o reconhecimento científico entretanto alcançado. “Nunca olhámos para esses reconhecimentos como prémios. Sempre os entendemos como novas responsabilidades, que nos obrigam a trabalhar cada vez mais e melhor.”

E não há melhor reconhecimento que o dos alunos. E foram muitos os que ao longo destas quatro décadas passaram pela Universidade Lusíada e que hoje ocupam lugares de relevo em diferentes áreas. “Magistrados, arquitetos, gestores, economistas, músicos. Uns mais conhecidos que outros, mas temos um vasto conjunto de antigos diplomados com percursos profissionais muito reconhecidos.” Entre os antigos alunos encontram-se figuras como Passos Coelho, Mariana Leitão, Maria Luís Albuquerque, José Luís Carneiro, Matos Correia, Mariana van Zeller, Alberta Marques Fernandes, Mimi Froes e Syro.

Formar cidadãos

Quarenta anos depois, os desafios são diferentes dos de 1986. Atualmente, a prioridade passa por acompanhar a transformação tecnológica, reforçar a internacionalização, consolidar a investigação e continuar a adaptar a oferta formativa às necessidades da sociedade, mantendo um corpo docente qualificado e um modelo pedagógico inovador. “Queremos colocar na sociedade gente com qualidade, capacidade e conhecimento para responder aos desafios que a sociedade hoje coloca. E queremos estar preparados para os receber de volta sempre que for necessário, no âmbito da formação ao longo da vida.”

Com uma grande intervenção arquitetónica prevista para os próximos anos, desenhada por alunos e corpo docente, João Redondo espera que, daqui a quatro décadas, a Universidade Lusíada seja reconhecida como uma instituição histórica do ensino superior privado português. “Uma universidade nunca está concluída. Tem de estar permanentemente preparada para mudar, sem perder os princípios e os valores que a definem.”

É essa ideia que resume os primeiros quarenta anos da Universidade Lusíada. Cresceu em paralelo com um país que se transformou profundamente desde 1986 e procura continuar a responder aos desafios de um ensino superior em permanente evolução, sem abdicar dos princípios que estiveram na origem da sua fundação.

Ofereça este artigo a um amigo

Enquanto assinante, tem para partilhar este mês.

A enviar artigo...

Artigo oferecido com sucesso

Ainda tem para partilhar este mês.

O seu amigo vai receber, nos próximos minutos, um e-mail com uma ligação para ler este artigo gratuitamente.

O seu plano não inclui a oferta de artigos

Para poder oferecer artigos aos seus amigos, faça upgrade para um plano de subscrição superior.

Ofereça até artigos por mês ao ser assinante do Observador

Partilhe os seus artigos preferidos com os seus amigos.
Quem recebe só precisa de iniciar a sessão na conta Observador e poderá ler o artigo, mesmo que não seja assinante.

Este artigo foi-lhe oferecido pelo nosso assinante . Assine o Observador hoje, e tenha acesso ilimitado a todo o nosso conteúdo. Veja aqui as suas opções.

Atingiu o limite de artigos que pode oferecer

Já ofereceu artigos este mês.
A partir de 1 de poderá oferecer mais artigos aos seus amigos.

Aconteceu um erro

Por favor tente mais tarde.

Atenção

Para ler este artigo grátis, registe-se gratuitamente no Observador com o mesmo email com o qual recebeu esta oferta.

Caso já tenha uma conta, faça login aqui.