Desde 2018 que a história circula nas redes sociais. E tem uma base verdadeira: de facto, Sophie Johansson foi agredida no clube noturno Babel, na Suécia, em janeiro de 2018, depois de ter tentado impedir um homem de continuar a agredi-la sexualmente. Mas as restantes alegações não se baseiam em factos: não existe nenhuma prova que confirme que o agressor da jovem sueca é muçulmano — a sua identidade permanece desconhecida. Não é correto, portanto, associar a agressão à política de imigração do governo sueco.

A publicação que associa a agressão à política do governo sueco para a imigração

A agressão à jovem sueca, então com 19 anos, foi notícia em vários países. De acordo com o Daily Mail, Sophie foi agredida num espaço de diversão noturna em Malmo, na Suécia, depois de reagir contra um homem que a teria agredido sexualmente. Segundo a descrição da jovem, o homem terá apalpado as suas partes íntimas, na pista de dança, o que a levou a enfrentá-lo para o fazer parar. Em resposta, o homem deu-lhe um murro na cara e atingiu-a com uma garrafa de vidro, quando tentava sair do local.

Na descrição que fez do suspeito, Sophie Johansson não fez qualquer referência à sua nacionalidade, raça ou religião. Em declarações ao Aftonbladet, diz que não o ouviu falar, mas acredita que teria perto de 25 anos, 1,75 metros e cabelo castanho.

Nas imagens partilhadas nas redes sociais, é possível ver o rosto e o tronco da jovem cobertos de sangue. Na sequência da agressão, Sophie foi levada para o hospital, onde recebeu tratamento aos vários cortes que tinha na cabeça, alguns dos quais tiveram de ser suturados.

Nas publicações que circulam no Facebook desde 2018, há uma tentativa de relacionar o episódio com a entrada de migrantes muçulmanos na Suécia, que é um dos países do mundo com maior número de refugiados por cada mil habitantes. Contudo, tal como foi verificado anteriormente pela plataforma britânica Full Fact, a identidade do agressor não é conhecida. Não há evidências que sugiram que o homem é imigrante ou muçulmano — portanto, não é verdade que exista uma relação entre esta agressão e a política de imigração do governo sueco, que é de centro-esquerda.

Nos últimos dias, a imagem da jovem foi partilhada centenas de vezes, acompanhada de frases como “A outra face da moeda. Mulher sueca é selvagemente [sic] agredida por Muçulmanos. Na sua própria Pátria”. Existem alguns utilizadores que questionam a veracidade da publicação, mas a  maioria comenta como se se tratasse de um conteúdo verdadeiro. Nas caixas de comentários, muitos utilizadores criticam o facto de o país ser aberto à imigração: “Os suecos….estão a colher aqui que começaram a semear faz muitos anos. Sempre apoiaram terroristas e extremistas”.

Conclusão

Não existe nenhum dado que permita concluir que o agressor de Sophie Johansson é muçulmano. A mulher que aparece na imagem é, de facto, uma jovem sueca que foi agredida com violência num bar, mas a vítima não fez qualquer referência à nacionalidade ou religião do homem que a atacou.

Assim, de acordo com a classificação do Observador, este conteúdo é:

Errado

De acordo com o sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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