Rádio Observador

Fact Check

Há um homem sem memória a precisar de ajuda num hospital em Guimarães?

Publicação que pedia ajuda para encontrar a família de um homem que tinha perdido a memória em Guimarães é falsa, já foi desmentida, mas continua a ser partilhada (mais de 58 mil vezes).

A frase

“"Pedido de ajuda urgente! Este homem deu entrada hoje no Hospital Beatriz Ângelo em Guimarães sem qualquer tipo de identificação e com aparente perda de memória. Partilhem para que possamos encontrar a família!”

— Utilizador do Facebook, 9 de fevereiro de 2019


A história falsa foi divulgada por um utilizador do Facebook a 9 de fevereiro e depressa se tornou viral. Os ingredientes estavam lá todos: a fotografia de um homem entubado, que teria, segundo o texto que acompanhava a imagem, dado entrada num hospital em Guimarães, e que não tinha memória. Na verdade, a fotografia é um frame da série “Walking Dead” e, apesar de o próprio utilizador (Nuno Folgado) ter dito publicamente que tudo não passou de uma “brincadeira” (e de terem sido publicadas várias notícias a desmentir a falsidade), a história continuou a ser divulgada — e já teve mais de 58 mil partilhas. No mês de maio voltou a ser muito partilhada no Facebook.

O texto que acompanhava a fotografia tinha uma grande carga dramática: “PEDIDO DE AJUDA URGENTE! Este homem deu entrada hoje no Hospital Beatriz Ângelo em Guimarães sem qualquer tipo de identificação e com aparente perda de memória. Partilhem para que possamos encontrar a família!”. Muitos utilizadores caíram no engodo, numa publicação que já teve quase três mil comentários e mais de duas mil interações.

Na verdade, o homem na fotografia é Andrew Lincoln, na imagem a interpretar Rick Grimes na série de zombies “The Walking Dead“. Trata-se de um frame do primeiro episódio da primeira temporada da série, intitulado “Days Gone Bye”.

Por outro lado, o texto do utilizador do Facebook, fala no “Hospital Beatriz Ângelo em Guimarães”. Ora, o Hospital Beatriz Ângelo fica em Loures e não no Minho.  O próprio Nuno Folgado — numa altura em que o texto ainda só tinha 25 mil partilhas, dois dias depois da publicação — disse em declarações à NiT que colocou a “cidade do hospital errada de propósito, para as pessoas perceberem que se tratava de uma brincadeira”. Mas não resultou, muitos acreditaram e a notícia falsa circulou por milhares de pessoas.

Nuno Folgado disse ainda à mesma publicação que “no fundo” queria era “alertar para as fake news”. O utilizador diz que se preocupa com “as fake news, mas à séria, como as das páginas de direita política”. O mesmo utilizador — que acabou por ser responsável pela proliferação de uma notícia falsa — defende que “devia haver um exame de aptidão para quem usa o Facebook”: É por causa de muitas destas pessoas [mais ignorantes] que pessoas como o Bolsonaro e o Trump são eleitos”.

O caso chegou também ao Brasil e, segundo a AFP Checamos, já foi utilizada em outros contextos similares como um homem baleado no bairro Belford Roxo no Rio de Janeiro, ou de um homem vítima de um acidente que estava numa “unidade da Santa Casa.” Houve ainda uma outra versão (de 5 de fevereiro; ou seja, anterior à de Nuno Folgado) em que o utilizador assumia que se tratava de uma brincadeira no próprio texto que acompanhava a fotografia. Ainda assim, entre as 89 mil partilhas, havia quem acreditasse que a personagem de uma série era alguém a precisar de ajuda.

Conclusão

A notícia é completamente falsa. O homem que supostamente precisava de ajuda é na verdade um ator e a fotografia não passa de um frame de um episódio da série “The Walking Dead“. O utilizador do Facebook que a partilhou disse mais tarde que pretendia alertar para as “fake news” e não criar uma, mas não apagou a publicação — que, desde essa altura, mais do que duplicou o número de partilhas.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

Errado

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook e com base na proliferação de partilhas — associados de reportes de abusos de vários utilizadores — nos últimos dias

O Observador é signatário e entidade verificada pelo International Fact-Checking Network (IFCN)
Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: rpantunes@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)