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Depois da interrupção de terça-feira, para que na Assembleia da República se assinalassem os 50 anos do 25 de Novembro (e para que deputados se envolvessem num inédito despique floral entre rosas brancas e cravos vermelhos), regressaram nesta quarta-feira os trabalhos que antecedem a votação final global do Orçamento do Estado para 2026, após a discussão na especialidade. |
Essa votação final está marcada para amanhã, quinta-feira. Nesta quarta-feira, prossegue o debate e são feitas as últimas votações (que podem resvalar para a manhã de quinta-feira, nos casos em que as propostas forem levadas a plenário). Ao início da tarde de quinta-feira, está previsto, será então feita a votação final global. |
Eis um pequeno resumo da matéria dada, até ao momento. No primeiro dia da “maratona orçamental”, a quinta-feira passada, foram aprovadas 30 propostas de alteração ao orçamento do Estado para 2026, com destaque para a área das pensões, onde passou apenas a proposta do PSD para que no próximo ano possa haver um suplemento aos pensionistas se houver folga orçamental. Os partidos que apoiam o Governo conseguiram aprovar nove propostas e o PS sete – o Chega apenas uma, nas contas da Alexandra Machado, da Ana Sanlez e da Ana Suspiro. |
No dia seguinte, sexta-feira, segundo dia de votações, o Governo pôde respirar de alívio porque, ao contrário do que poderá ter receado, as principais medidas que podiam abalar a execução orçamental (tornando um défice o resultado mais provável) foram chumbadas. Entre elas, a pretensão do Chega de voltar a isentar de IVA um conjunto de produtos alimentares (e, também, a proposta do PS para fazer regressar o IVA zero a alguns bens alimentares na proporção da reversão do desconto do ISP). |
Já no terceiro dia de votações, a última segunda-feira, o dia parecia que ia acabar com poucas surpresas, até que o Chega, na 25ª hora, reverteu o sentido de voto e levou ao congelamento das propinas do ensino superior, associando-se ao PS. |
Este é um processo que continua – e pode segui-lo, ao minuto, neste liveblog. A votação mais esperada para esta quarta-feira era uma proposta do PS para a isenção de alguns troços de portagem na A6 e A2, na zona do Alentejo, para residentes e trabalhadores – que acabou mesmo por ser aprovada (pelo PS e pelo Chega). Ainda assim, o “espinho” não será gigante: segundo o PS, a medida irá custar 20,5 milhões mas, para a UTAO, são 23,8 milhões em perda de receita. Foi também, contudo, aprovada pelos mesmos PS e Chega a proposta de estender a isenção de portagens a toda a A25. |
Depois da votação de quinta-feira, Dia de Ação de Graças nos EUA, o Governo deverá ter razões para dar graças por ter sobrevivido a este processo orçamental sem muitas agruras. Agora, cabe-lhe executar e mostrar que é mesmo possível ter um saldo positivo de 0,3% nas contas públicas no próximo ano, mesmo com uma despesa que, alertou Bruxelas, “corre o risco de exceder significativamente” os valores máximos previstos nas regras europeias. |
A partir de abril, além de sair dos supermercados com sacos cheios poderá entrar assim também |
Será uma espécie de vending machine, mas ao contrário: aqui, introduz o produto e recebe o dinheiro depois. Vai começar a vê-las a partir de meados de abril, serão máquinas em que se pode trocar garrafas e latas por alguns cêntimos – um valor que, como explica a Ana Sanlez, poderá ser pago ao cliente em voucher, dinheiro ou cartão. |
Em causa está o chamado Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), que vai implicar que se pague mais algum dinheiro por bebidas engarrafadas ou enlatadas mas que, depois, permite uma devolução do valor se a garrafa ou lata for colocada numa dessas máquinas. Vão chamar-se “Volta” e serão cerca de 2.500 espalhadas pelo país. |
Mas quanto é que se pode receber por cada lata ou garrafa que se devolva? Ainda não se sabe, mas deverá saber-se em breve com a publicação de um despacho em Diário da República. Leonardo Mathias, presidente da associação (e antigo secretário de Estado Adjunto e da Economia no governo de Pedro Passos Coelho) diz que “se o montante do depósito for muito alto aumenta a vontade de fraude, se for muito baixo não terá adesão”. |
TAP vai ser decidida entre três grupos europeus |
A fase de recolha de manifestações de interesse na TAP, que terminou às 17h do último sábado, não teve candidatos surpresa e será, mesmo, entre três grupos europeus que se irá decidir a privatização da TAP. Os 44,9% da companhia aérea deverão, então, ser comprados ou pela franco-holandesa Air France-KLM, pela IAG, dona da British Airways e da Iberia, ou pela alemã Lufthansa. |
Mesmo sem grandes surpresas, só pelo interesse destes três grandes grupos já se pode dizer que este processo está a correr melhor do que a privatização de 2015. Nessa altura, nenhuma grande companhia europeia se chegou à frente e o concurso acabou por ser decidido entre o empresário David Neeleman, associado a Humberto Pedrosa, e o então dono da Avianca, Germán Efromovich. |
O que acontece a seguir? A Parpública tem um prazo de 20 dias (a contar desde sábado) para elaborar, de modo fundamentado, um relatório descritivo dos interessados que entregaram as manifestações de interesse – depois, os candidatos validados poderão apresentar uma primeira proposta (não vinculativa) pela parte de TAP que está à venda. O Governo quer concluir este processo até ao final de 2026. |

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A EMPRESA |
Há 150 anos, em pleno século XIX, a maior parte dos medicamentos tinham um sabor absolutamente terrível – mesmo nos casos em que até se tratava de medicamentos legítimos e não apenas mistelas manhosas vendida pelos inúmeros charlatães ambulantes que percorriam os Estados Unidos da América, de lés a lés. |
Mas em 1876, nas poeirentas ruas da cidade de Indianapolis, surgiu uma pequena oficina farmacêutica fundada por um coronel veterano da Guerra Civil americana, que tinha visto vários soldados morrerem por causa de medicamentos de fraca qualidade ou tomados em doses erradas. Foi nessa pequena oficina que nasceu uma ideia inovadora: envolver os medicamentos numa fina cápsula de gelatina. |
Além de garantir maior rigor na dosagem, a toma de um medicamento envolvido numa cápsula de gelatina resolvia o problema do mau sabor – o que, sem surpresa, rapidamente transformou essa ideia inovadora num padrão da então nascente indústria farmacêutica. E ajudou a sedimentar essa pequena farmacêutica, batizada com o nome do seu fundador, como uma das empresas mais inovadoras do setor – a Eli Lilly. |
Muito perto de cumprir 150 anos de história, esta mesma empresa tornou-se a mais valiosa farmacêutica do mundo – e a primeira companhia do setor a superar a fasquia de um bilião de dólares em capitalização de mercado – um feito que, até agora, parecia praticamente um exclusivo das grandes empresas tecnológicas. Alias, só uma empresa não-tecnológica tinha atingido esse patamar: a Berkshire Hathaway, empresa do lendário investidor Warren Buffett. |
A Eli Lilly deu aos seus investidores uma rentabilidade de mais de 700% (incluindo retorno em dividendos) nos últimos cinco anos. Mesmo tendo tido nas últimas décadas um percurso mais discreto do que outras farmacêuticas, como a Pfizer, a Johnson & Johnson e a Merck, a Eli Lilly acabou por se tornar mais valiosa do que todas estas concorrentes sobretudo graças ao lançamento do Mounjaro, um medicamento que, tal como o mais conhecido Ozempic, tem o objetivo principal de controlar a diabetes (tipo 2) mas também funciona como um potente adjuvante da perda de peso. |
Aos olhos dos mercados financeiros, o Mounjaro parece ser mais eficaz e promissor do que o Ozempic, o que ajuda a explicar que as ações da Eli Lilly tenham dado um “salto” nos últimos meses, ao mesmo tempo que a dinamarquesa Novo Nordisk está sob pressão, corrigindo dos fortes ganhos que teve há poucos anos (quando se acreditava que o “seu” Ozempic iria ser dono e senhor deste filão). Além disso, a Eli Lilly tem, também, tido resultados animadores nos ensaios de um medicamento contra a doença de Alzheimer, que foi recentemente aprovado pela Agência Europeia do Medicamento (EMA). |
Em Portugal, onde a “Lilly” também está presente, o Mounjaro já aparece frequentemente como um dos fármacos que mais faturação dão às farmácias, sendo que este não é comparticipado – ao contrário do Ozempic, que há poucos dias esteve no centro de um caso que levou à detenção de uma médica endocrinologista suspeita de lesar o Estado em vários milhões de euros ao receitar o medicamento a falsos diabéticos. Alegadamente. |
Por detrás das eventuais irregularidades, que a Justiça está a investigar, o caso reforça uma conclusão que é óbvia: o mercado para estes produtos é gigante e os mais inovadores vão ser recompensados por isso – precisamente a ideia que Jorge Portugal, diretor-geral da Cotec, quis transmitir na entrevista que deu há poucos dias ao Observador. |
Obrigado por subscrever esta newsletter e por acompanhar a informação económica no Observador. Voltaremos a surgir na sua caixa de e-mail na próxima quarta-feira, depois de um fim de semana prolongado que esperamos que seja retemperador. |