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Estava escrito nas estrelas. Primeira conjugação astral: as próximas presidenciais acontecerão exatamente 40 anos depois da mítica luta eleitoral que opôs Mário Soares a Diogo Freitas do Amaral (com Maria de Lurdes Pintasilgo e Francisco Salgado Zenha pelo meio). Segunda conjugação astral: essas próximas presidenciais serão, precisamente, as primeiras desde 1986 que exigirão uma segunda volta. Decididamente, o universo estava a mandar-nos uma mensagem. Por isso, tínhamos mesmo de fazer um Podcast Plus sobre a eleição mais louca de sempre. |
O Miguel Santos Carrapatoso, editor adjunto de Política do Observador, começou a trabalhar na história cinco meses antes da data definida para a entrega de guiões. Ainda bem que fez as coisas com antecedência porque, pelo caminho, aconteceu um imprevisto: surgiu a crise da Spinumviva, Luís Montenegro apresentou uma moção de confiança, o governo caiu, o país teve uma campanha eleitoral, houve eleições legislativas e a seguir foi formado um novo Governo. O Miguel, naturalmente, teve de acompanhar tudo isto. Ao mesmo tempo, precisou de mergulhar no arquivo da RTP, precisou de ler muitos jornais na Hemeroteca de Lisboa e precisou de encontrar muitos livros nas bibliotecas da cidade. |
Houve ainda as entrevistas. Foram mais de dez conversas, ao longo de mais de 15 horas, com protagonistas daquelas eleições, como António Barreto, Alfredo Barroso, António Campos, Isabel Soares, Daniel Proença de Carvalho, José Ribeiro e Castro, Domingos Amaral ou Joaquim Letria. O último ponto, da última frase, da última página do guião foi colocado algures na Arrifana, junto a uma piscina, onde o Miguel passava férias. |
Depois, foi preciso juntar a voz do Gonçalo Waddington, a música do Samuel Úria e ainda a sonoplastia do Artur Costa — tudo com a coordenação do João Santos Duarte. Este Podcast Plus tem uma característica que o distingue, por exemplo, do anterior, que contava como dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. É que, na “Eleição mais louca de sempre“, não há tiros, nem explosões, nem ameaças de morte. Mas há muita emoção, campanhas negras e traições (e, é verdade, umas agressões). Os momentos de maior tensão acontecem nos debates que opuseram Mário Soares a Salgado Zenha (no episódio 3) e Soares a Freitas (no episódio 5). Aí, tentámos fazer com que os ouvintes se sentissem a assistir a um combate de boxe político — foi essa também a imagem que inspirou a capa do podcast, desenhada pelo Miguel Feraso Cabral. Este podcast não é só sobre política. Esse é apenas o pretexto para contarmos uma história sobre vitórias e derrotas, sobre traições e paixões e sobre zangas e reconciliações. |
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