O primeiro caso conhecido de uma doença associada a coronavírus ocorreu na China, a 31 de dezembro de 2019, mais propriamente na província de Hubei, na cidade de Wuhan. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), causou cerca de 4500 pessoas adoeceram, tendo sido declaradas 100 mortes até 26 de janeiro de 2020.

A partir do epicentro na China, há casos diagnosticados nos Estados Unidos, Austrália, França e Alemanha. Até ao momento, os únicos casos mortais registaram-se na China. De realçar que o número de casos pode ser muito maior do que o total oficial e que este coronavírus pode ser de menor gravidade do que aquele que provocou a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) entre 2002 e 2004.

Do ponto de vista de saúde pública, a OMS considerou a China de risco muito alto e elevado a nível regional e global, e a única forma de conter a propagação da infeção é o isolamento para os doentes e a quarentena para os contactos, dado não se dispor de outros meios de prevenção, como a vacinação. Na China, 15 cidades adotaram medidas de quarentena, afetando cerca de 57 milhões de pessoas. Quanto aos doentes, a única medida disponível é o de suporte de vida, para as situações mais graves, por forma a dar tempo a que os mecanismos de defesa do hospedeiro atuem e a infeção seja debelada.

Os coronavírus é uma vasta família de vírus, com provável origem em morcegos, e que se propagou para outros mamíferos e aves, bem como ao homem, sendo responsável nestes últimos, principalmente no inverno, pelas constipações de transmissão pessoa-pessoa. Os coronavírus dos animais raramente se transmitem ao homem, mas podem causar doença grave, como a SARS, com provável origem na civeta (gato dos Himalaias) ou a Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS) com origem no camelo. Na SARS, cerca de 25% dos infetados desenvolveram doença grave, com uma mortalidade de 9% a 12%.

2019-nCoV (nova estirpe de coronavírus), tal como para os coronavírus responsáveis pela SARS e pela MERS, são vírus de transmissão ambiental, responsáveis principalmente por infeções nosocomiais, evoluindo para pneumonia grave, em particular em idosos, e naqueles com diabetes e outras doenças crónicas respiratórias, cardíacas, renais e hepáticas e, ainda, nos imunossuprimidos.

No caso de 2019-nCoV, em Wuhan, parece ter havido ligação a um grande mercado de peixe e animais vivos, sugerindo transmissão animal-homem. Porém, as autoridades chinesas admitem que, atualmente, domina a transmissão pessoa-pessoa. Entre nós, o risco depende da exposição, em particular para os profissionais de saúde em contacto com doentes infetados por 2019-nCoV. Para a população em geral, com exposição pouco provável ao vírus, o risco é considerado baixo.

Aconselha-se, portanto, a não viajar para a China e para aqueles em que seja essencial deslocarem-se àquele país recomenda-se evitarem o contacto com doentes, deslocarem-se aos mercados de animais e a não comerem alimentos crus e, ainda, lavar as mãos com frequência.