No artigo “A esquerda é contra a natureza humana” referi que a esquerda é contra os dois instintos básicos dos seres humanos, a competição e a cooperação.
A esquerda é contra a competição porque defende o primado do colectivo na condução dos assuntos económicos de uma sociedade, privilegiando uma economia planificada assente em iniciativa pública, empresas públicas, regulação extrema e condicionamento da concorrência, ou seja, uma sociedade comandada pelo Estado.
A esquerda é contra a cooperação porque defende o primado do individual na condução dos assuntos relacionados com a convivência entre pessoas, privilegiando a autonomia das pessoas com poucas restrições na segurança (polícia e defesa mínimas), na imigração (entrada sem exigências de integração), na justiça (subterfúgios para escapar), na relação entre pessoas (aborto, mudança de sexo, eutanásia, prostituição, consumo de drogas, ocultação do rosto), ou seja, uma sociedade sem paz e sem coesão.
Quais são as motivações da esquerda para ser contra a natureza humana?
No campo económico, a motivação principal é a esquerda precisar da pobreza.
A esquerda promove activamente a pobreza porque sabe que isso lhe dá votos. As pessoas com pouca capacidade de aumentar os seus rendimentos sem ajuda do Estado tendem a votar em quem lhes promete subsídios de toda a espécie e aumentos de rendimentos para os grupos em que se inserem. São as chamadas clientelas, por exemplo pensionistas (mais de 34% da população), grupos de trabalhadores (há mais de 300 sindicatos), ou outros grupos sociais (há mais de 70.000 associações e outras entidades dedicadas a grupos étnicos, etários, sexuais, religiosos, ambientais, culturais, entre muitos outros). Para o Estado beneficiar esses grupos, precisa de impostos elevados, que dificultam o desenvolvimento económico e o enriquecimento das pessoas. É isso que a esquerda defende, ao ponto de haver esquerdistas que têm como objectivo declarado ou dissimulado “acabar com os ricos”.
Além de impostos elevados, a esquerda também defende restrições à actividade económica. Por exemplo, na legislação laboral, Portugal é o país da OCDE com maior rigidez no despedimento individual. O impacto é brutal para as empresas portuguesas que competem com as empresas estrangeiras, tanto no mercado interno como no mercado externo, porque têm menos competitividade, o que as obriga a ter salários baixos e a usar modelos de contratação que lhes dão mais flexibilidade.
Por coincidência, a esquerda está a promover uma greve geral para 11 de dezembro devido às alterações que o governo pretende fazer na legislação laboral. A esquerda sabe que os salários são baixos, sabe que a taxa de desemprego jovem é elevada (cerca de 18%, a qual seria muito superior se não houvesse o êxodo massivo do país de jovens depois de acabarem os estudos), sabe que a elevada emigração dos jovens adultos limita o crescimento económico do país e sabe muito mais sobre as dificuldades das empresas. Também sabe que a legislação laboral dificulta a geração de riqueza e o consequente enriquecimento das pessoas. Mas faz de conta que não sabe.
Por isso, a greve geral marcada para dezembro ilustra bem como a esquerda promove a pobreza. Todos os partidos políticos de esquerda apoiam esta greve.
Para quem tiver dúvidas sobre a intencionalidade da esquerda em promover a pobreza, basta analisar os resultados económicos em Portugal nas últimas três décadas. Desde 1995 que a esquerda domina o governo do país, com breves interrupções entre 2002 e 2004 (quando deixou o país “de tanga” em 2002) e entre 2011 e 2015 (quando deixou o país à beira da bancarrota em 2011). Ou seja, nos 28 anos entre 1995 e 2023, a esquerda governou 21 e os partidos mais à direita (ou menos à esquerda) apenas conseguiram governar 7 precisando de recuperar a economia sem ter grande capacidade de investimento.
Neste período de elevado crescimento económico mundial, com média anual de aumento do PIB real per capita de 3,2% entre 1995 e 2023 (dados do Banco Mundial), Portugal teve o pior desempenho dentro da União Europeia quando comparado com a média dos países que eram mais pobres em 1995, conforme se pode ver no gráfico abaixo sobre a evolução do PIB real per capita (que desconta o efeito da inflação), considerando 1995 como base 100. Em 2023 o resultado de Portugal foi 141 (41% acima de 1995), enquanto os países que em 1995 eram os mais pobres da UE tiveram resultado 250 (150% acima de 1995).
Poderá haver quem pense que o ponto de partida desses países mais pobres era mais baixo e por isso era mais fácil de crescer. Sendo verdade, não impediu os países que em 1995 eram os mais ricos de terem resultado 153 (53% acima de 1995), portanto também com desempenho melhor do que o nosso país.
Além disso, os países que ultrapassaram Portugal (Malta em 2006 e Eslovénia em 2008) no PIB real per capita continuaram a crescer mais.
Para termos uma ideia clara do fraco crescimento da União Europeia, que está inundada de políticas de esquerda, o resultado do mundo todo foi de 244, que inclui a UE com apenas 168 e Portugal com míseros 141.
Podemos concluir que o domínio da esquerda em Portugal não promove um bom crescimento económico do país. E isso é propositado, a esquerda é contra o enriquecimento porque precisa de pessoas vulneráveis que dependam de benesses do Estado.
Isso explica a razão de o Estado ficar com 51% do salário mínimo bruto e com 73% do salário bruto de 5.500€, como descrevi no artigo “O politicómetro explica a voragem fiscal”.
Isso também explica a carga fiscal sobre os rendimentos do património. Por exemplo, depois das pessoas pagarem uma exorbitância de impostos sobre os rendimentos e sobre o consumo, quando compram um imóvel com o pouco que sobra, o Estado cobra-lhes impostos sobre o montante da compra e mais tarde vai cobrar-lhes impostos sobre as mais-valias resultantes da venda. Quando acabará este escândalo?
Se os governos de Portugal continuarem a aplicar políticas de esquerda, como o actual governo está a fazer, certamente que este e outros escândalos continuarão e não haverá muito enriquecimento das pessoas. Aliás, é provável que haja empobrecimento, porque uma das razões fundamentais do crescimento do país tem sido a subsidiação através de fundos europeus, que irá reduzir drasticamente no futuro próximo.