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A alimentação é essencial para a saúde em todas as fases da vida, mas é na infância e na adolescência que tem um papel determinante na promoção de um crescimento e desenvolvimento harmoniosos, bem como na prevenção de diversas doenças, nomeadamente da obesidade. Em Portugal, a prevalência de excesso de peso/obesidade é de 17.3% nas crianças até aos 10 anos e 23.6% naquelas com idades entre os 10 e os 17 anos, cenário para o qual contribuem o sedentarismo e o desequilíbrio alimentar. É dramático constatar que mais de 20% do consumo alimentar diário realizado por crianças e adolescentes portugueses inclui alimentos que apenas deveriam ser consumidos pontualmente. É o caso dos bolos, bolachas, snacks doces e salgados, incluindo bebidas açucaradas, que são, invariavelmente, produtos alimentares extremamente ricos em açúcar, gordura e sal.

Sem dúvida que, como refere Charles Chick Govin, “é mais fácil construir um menino do que consertar um homem“.Neste sentido e desde cedo importa proporcionar às crianças bons hábitos alimentares, apoiados em escolhas saudáveis, conscientes, equilibradas e adaptadas à idade, hábitos estes que deverão perdurar ao longo da vida. Não esqueçamos que dar o exemplo é fundamental (as crianças aprendem por imitação!), não devendo ensinar a gostar daquilo que mais tarde poderá ter de pedir para que não comam.

Mas, como escolher perante tanta diversidade de oferta? Quais deverão ser as preocupações na hora de selecionar os alimentos? A tarefa nem sempre é fácil, mas não é seguramente uma missão impossível. Ainda que devêssemos todos optar por desembalar menos e descascar mais (= menor ingestão de produtos processados a favor de alimentos em natureza), há que admitir que no dia-a-dia seria pouco prático.

A leitura dos rótulos torna-se assim uma ferramenta essencial para tomar as melhores decisões. É com base nisto que o Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS), sugere o Descodificador de Rótulos, que não é mais do que um semáforo nutricional para alimentos e bebidas. E é muito fácil de utilizar: bastará levar consigo este cartão ou, mais fácil ainda, ter a imagem na sua galeria do telemóvel. No momento da escolha, compare a informação presente no rótulo do alimento ou bebida (por 100g ou 100ml, respetivamente) no que respeita a gordura, gordura saturada, açúcares e sal, com a informação disponibilizada na imagem. Resta depois priorizar a compra dos alimentos e bebidas com nutrientes maioritariamente na categoria verde, moderando aqueles com um ou mais nutrientes na categoria amarela e evitando aqueles com um ou mais nutrientes na categoria vermelha.

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Mais recentemente, e de forma ainda mais descomplicada, surgiu o Nutri-score, um sistema usado já em muitos rótulos de alimentos disponíveis no mercado português (e em outros países europeus) para comunicar de forma muito simples e rápida a qualidade nutricional de um alimento, ajudando os consumidores a identificar de imediato as opções mais saudáveis.

Na prática, o Nutri-score é um código de cores para uma alimentação saudável que converte o valor nutricional dos produtos numa escala de 5 letras de cor diferente, em função dos teores de gordura saturada, açúcar, sal e calorias. A escala é também um semáforo: vai desde o verde com a letra A (a opção mais saudável) até ao vermelho com a letra E (a opção menos saudável).

Importante frisar que, quer no descodificador de rótulos quer no Nutri-score, a avaliação dos alimentos é feita considerando sempre 100g do alimento e não a porção recomendada pelo fabricante e é por isto mesmo que se torna possível uma fácil comparação entre alimentos da mesma categoria e/ou entre produtos de diferentes marcas.

 

Permitir que as crianças desfrutem de um doce ou de um salgado em ocasião própria, como em festas, férias ou fim de semana, é bem diferente de generalizar a sua oferta numa base diária. Lembre-se: o principal objetivo da alimentação das crianças é contribuir para que cresçam felizes, mas sobretudo saudáveis.