É a minha sugestão para título de um novo volume da colecção de histórias da pequena Anita, a famosa personagem dos livros infantis que vive mil aventuras. Agora que o calor chegou, não só a catraia é obrigada a permanecer em casa para evitar a Covid-19, como ainda tem de ver António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa a apanharem sol na praia. O que, por si só, merecia queixa à Protecção de Menores. Afinal, quantas vezes mais teremos de ser brindados com as panças e os seios do primeiro-ministro e do Presidente da República, em canal aberto, até a ERC tomar medidas? É que, neste momento, temo poder afirmar que os seios de Marcelo Rebelo de Sousa estarão, de entre todos os existentes na Terra, no Top 3 dos seios com os quais estou mais familiarizado. Já contando com os meus próprios seios.

Tudo isto escassos dias após Marcelo ter sido fotografado no supermercado, de calções. Ui, o êxtase que a acessibilidade e a descontracção do nosso Presidente da República provocaram por essa imprensa e redes sociais fora — de Portugal ao Brasil, passando por Espanha –, com comentários como “Ele é tão próximo, simples e educado que parece um político de outro planeta” e “Quando os políticos são pessoas e não personagens” a inundarem o Twitter. É de aquecer o coração. Mas nada que se compare com o que seria a minha notícia de sonho. Imaginem, publicada, por exemplo, num New York Times:

«Presidente português volta a chocar o mundo! Desta vez, o energúmeno líder lusitano apresentou-se num supermercado envergando apenas uma gabardine, que escancarou enquanto gritava: “Tumba! Quarto ano consecutivo com a economia a crescer acima dos 5%! Ora com licença Eslovénia, Estónia, Lituânia e Eslováquia, tá a sair da frente, seus p%?%&#%& da m*$^%, que já temos os primeiros 10 lugares da Zona Euro na mira!”»

Isto sim, seria bonito. Mas íamos lá nós votar em políticos com ideias para o futuro do país. Nós não ambicionamos um político competente. Queremos mesmo é um amigo. Portanto, não é de estranhar que os nossos políticos sejam uma referência internacional, sim, mas pela forma como ocupam o seu tempo livre. Nunca pela forma como ocupam o seu tempo de trabalho.

Tempo livre que António Costa aproveitou, então, para ir à Caparica. Onde foi surpreendido pela TVI, naquele que era suposto ser um momento privado com a esposa. Com tantas praias, como terão descoberto o primeiro-ministro? Só se, agora que acabaram com o programa da Ana Leal, a TVI pôs os jornalistas de investigação que trabalhavam com ela à cata de líderes de governo no areal. Ou então deram logo uso ao subsídio de mais de 3 milhões de euros concedido pelo estado, adquirindo uma frota de drones e uma chusma de repórteres só para escoltarem António Costa para todo o lado.

Certo é que ficou na memória aquela imagem de Costa, qual Adão no paraíso socialista, a mordiscar uma maçã ao sol. A única diferença é que a árvore da qual proveio a maçã do Adão bíblico era do conhecimento do bem e do mal. Ao passo que a árvore de onde veio a maçã de Costa, estando plantada no paraíso socialista, seria certamente de um familiar de algum dirigente do PS a quem o Ministério da Agricultura adjudicou, por ajuste directo, a exploração do pomar.

A verdade é que, depois de Isaac Newton e a sua maçã, este terá sido um daqueles raros momentos da história da humanidade em que um grande pensador e o fruto de uma macieira se cruzam, criando a oportunidade para uma grande revolução no saber. Reza a lenda que, ao ser atingido na cabeça por uma maçã, Newton mudou o mundo, deslindando a teoria da gravidade. Não fica tão claro que, só por Costa papar uma maçã, a gravidade das práticas do seu governo mudará no nosso país.