Os protestos em Portugal não são sobre o racismo. A discriminação racial é apenas um pretexto para os verdadeiros objectivos das esquerdas radicais: querem derrubar a democracia pluralista, a economia de mercado e enfraquecer as instituições tradicionais. Sempre quiseram e nunca mudarão. São movimentos anti-democráticos que sempre defenderam regimes totalitários. São a versão fascista da esquerda.

Aliás, não admira que sejam contra a democracia. Quantas vezes viram um partido das esquerdas radicais vencer eleições? Durante todo o século XX e as primeiras décadas deste século, aconteceu duas vezes: na Venezuela com Chavez e na Grécia com o Syriza. No caso de Chavez, notem a miséria que provocou na Venezuela. Até o Bloco já tem vergonha de defender Maduro em público. Na Grécia, o Syriza acabou a fazer políticas socias democratas e a aceitar programas de austeridade piores do que os aplicados em Portugal.

No resto, desde a União Soviética e a Europa até à China e à Ásia, chegaram ao poder através de revoluções (na Rússia e na China) ou de conquistas militares (Europa de Leste, Coreia do Norte e Vietnam). Em Portugal, o Bloco e o PCP juntos não passam dos 20% dos votos, quando alcançam os seus melhores resultados. A verdade é que a maioria dos portugueses recusa-se a votar no PCP e no Bloco. E nem a pior crise financeira das últimas décadas, em 2011, mudou a desconfiança em relação aos comunistas e aos neo-comunistas.

A extrema esquerda usa as ruas para tentar alcançar a influência e o poder que não conquistam através de eleições. A política de protestos é uma manifestação de fraqueza democrática e de raiva contra a maioria do eleitorado. Tal como os seus avôs Bolcheviques, as esquerdas radicais consideram que a aliança entre a democracia e o capitalismo os impede de chegar ao poder e, no fundo, continuam a pensar que a maioria dos portugueses vive alienada e manipulada. Ou seja, não reconhecem legitimidade ao regime democrático e defendem a revolução violenta. Não o dizem, mas é assim que pensam. Obviamente uma causa nobre, como a luta contra o racismo, esconde as suas verdadeiras motivações. Permite que os lobos revolucionários apareçam nas televisões como os cordeiros da igualdade e do progresso.

Mas o radicalismo das extremas esquerdas acaba sempre mal. Desta vez, foi com a vandalização da estátua do Padre António Vieira. Mostraram a sua verdadeira face a todos os portugueses. Quantas centenas de votos o Chega ganhou com aquela estupidez?

Os partidos das esquerdas radicais, aparentemente, estão preocupados com a discriminação racial e com a falta de oportunidades das populações negras. Sendo assim como se explica que o PCP e o Bloco nunca tenham tido líderes ou outras figuras relevantes negras? Não há operários negros em Portugal? Não há activistas anti-racistas negros em Portugal? Por que razão não têm igualdade de oportunidades no PCP e no Bloco? A verdade é que há um problema grave de discriminação racial em Portugal, como de resto em toda a Europa. Não há líderes políticos, não há líderes sindicais, não há CEOs, não há generais negros em Portugal. Mas nisso, o PCP e o Bloco não são diferentes de todas as outras instituições da sociedade portuguesa.

Obviamente, os negros em Portugal deveriam ter mais e melhores oportunidades. Mas para que isso acontecesse, seria necessário reformas que a maioria de esquerda não está disposta a fazer. Como podem as minorias ter mais oportunidades se o a tendência do governo é reduzir as oportunidades e a liberdade dos portuguese em geral?

Há sempre uma ironia imensa quando vemos partidos que nunca tiveram líderes negros, como o PCP e o Bloco, que apoiaram regimes comunistas profundamente racistas, como a União Soviética e a China, a atacarem o racismo de um país que elegeu duas vezes um Presidente negro, os Estados Unidos. A hipocrisia da extrema esquerda consegue estar ao nível do seu radicalismo. Não é fácil.