Portugal é, constitucionalmente, um país a caminho do socialismo e o Estado português tem feito, durante os últimos quarenta anos, através de vários organismos públicos como o Ministério da Educação e a Comissão para a Cidadania e Igualdade um esforço notável na educação[1] e doutrinação das futuras gerações para uma sociedade mais justa, menos desigual e mais solidária.

Infelizmente os esforços estatais de educação e doutrinação não têm produzido os resultados esperados. A grande maioria dos nossos jovens continua a não perceber o que é o socialismo, nem as vantagens da redistribuição dos rendimentos[2]. A causa deste falhanço não está, como é óbvio, na competência e dedicação dos organismos públicos mencionados, nem dos seus agentes, mas no carácter ainda muito primitivo e patriarcal da sociedade portuguesa onde a família continua a exercer um papel preponderante na formação (neste caso, deformação) social dos jovens e crianças.[3] [4]

Parece, portanto, essencial que, dado o nosso estádio de desenvolvimento societário, as famílias sejam chamadas, e treinadas, a cooperar na educação dos nossos jovens para o socialismo. O que até não será muito difícil nem exigirá muito esforço aos pais. Bastará, por exemplo, que o pai diga, num sábado de manhã, ao filho adolescente que se prepara para passar a tarde a jogar à bola como os amigos, ou para uma sessão de gaming no sofá, que precisa da ajuda dele nessa mesma tarde para montar uma estante. Atendendo que ainda estamos a caminho para o socialismo, convém que ajuste com ele uma remuneração justa e um horário digno.[5] Suponhamos que acordam 50 euros por três horas. Findo o trabalho, deverá pagar-lhe atempadamente os 25 euros acordados. “Os 25 euros acordados?” espantar-se-á o puto.

“Sim,” dirá o pai, “25 para ti e 25 para a tua irmã: 50 euros como combinámos.”

“Mas ela não fez nada!” dirá certamente o rapaz, possivelmente acrescentando que a irmã passou a tarde a falar com amigas, a dormir a sesta ou a brincar com bonecas. Este é o ponto crítico para que o jovem ganhe uma correta compreensão do que é o socialismo. Para isso bastará que o pai diga algo como:

“Sim, mas esta é uma repartição de rendimentos socialmente mais justa, mais equitativa, mais solidária e que contribui para a igualdade entre as pessoas!”, ou alternativamente ler-lhe o último discurso sobre o assunto do camarada Jerónimo de Sousa ou da camarada Mariana Mortágua. Nesse momento far-se-á luz e o jovem compreenderá o que é a justiça social. Perceberá o equidade significa. Será conquistado para a solidariedade social e redistribuição do rendimento. E começará a ansiar pela igualdade entre os homens. E é tão fácil! Em duas gerações (mais uns quarenta[6] anos…) os portugueses serão todos convictamente socialistas.

Os avtores não segvew a graphya do nouo AcoRdo Ørtvgráphyco. Nem a do antygo. Escreuew como lhes qver & apetece.

[1] Educação: Aquilo que dá a conhecer aos sábios e esconde aos néscios a profundeza dos desígnios de Deus; também serve de biombo para os ignorantes se esconderem da sua ignorância e a esconderem aos outros.
[2] Rendimento: medida científica & objetiva do sucesso social; daí que sirva de critério, em substituição do sangue, heroísmo, denodo e serviço, na atribuição de comendas e ordens honorificas em Portugal; algumas pessoas, por pura modéstia, não o declaram em sede de irs.
[3] Outra possibilidade é que o ensino para o socialismo atualmente ministrado nas escolas ser teórico demais. Sugere-se a introdução de atividades próprias de sociedades socialistas, com carater mais prático, desde sessões públicas de autocrítica até trabalhos forçados em atividades físicas penosas e inúteis.
[4] Criança: acidente do amor entre homem e mulher; produto de unidade de produção familiar; produto que warxistas de várias estripes querem eliminar completamente ou, pelo menos, em casos mais moderados de sandice ideológica, trocar o método espontâneo e natural de produção pelo do planeamento central, substituir a confeção própria pela produção subcontratada e o fabrico caseiro pelo laboratorial; período ou idade intermédia entre a idiotia da infância e a estupidez da adolescência, a dois passos dos crimes e pecados da idade adulta e a três do remorso da velhice.
[5] Trabalhos forçados e remuneração de miséria são só para quando chegarmos ao socialismo.
[6] Quarenta: o produto de quatro por dez, e vice-versa, tal como o dr. Sócrates vice-versa com o eng. Costa; sendo quatro o símbolo da plenitude, quarenta simboliza o dr. Sócrates e o seu legado para o povo Português, tal como este estadista também simboliza quarenta para os portugueses; ademais “durante quarenta anos comeu Israel o maná” (Ex. 16, 35), findos os quais tiveram que ir trabalhar; de igual modo, segundo a profecia do Pe. Mário Centavo (vide o seu Oráculos e Profecias), “durante quarenta anos comerá Portugal dos fundos europeus, findos os quais terá que ir trabalhar”; número de companheiros que qualquer estadista nacional, tipificado pelo sr. Ali-Babá, leva consigo numa expedição governativa (não inclui familiares); metade de oitenta, tal como rendimento líquido para rendimento bruto em Portugal.