Quem não se lembra do clássico dos anos 90 “Do Cabaré para o Convento”, película em que Whoopi Goldberg é uma vedeta de cabaré que testemunha um crime e é enviada para um convento, com uma nova identidade, para poder continuar a sua vida? Pois é, vem aí sequela, desta vez protagonizada por Mário Centeno. Nesta nova versão, o ex-Ministro das Finanças é a vedeta de um autêntico circo chamado Governo do PS que, depois de testemunhar o crime que foi a sua política de cativações nos serviços públicos, é enviado para o Banco de Portugal para continuar a sua vida, qual diácono da supervisão, a fiscalizar condutas de comportamento do sistema financeiro. Anseio pela estreia, com a certeza que estará a salvo das hordas de activistas que levaram a HBO a retirar do seu catálogo o “E Tudo o Vento Levou” por perpetuar estereótipos racistas. É que, nesta nova trama, Mário Centeno perpetua estereótipos, sim, mas são estereótipos socialistas. E esses são estupendos, como é óbvio.

O pano de fundo desta filantrópica censura é, dizem, uma guerra cultural. De um lado estão os conservadores e do outro está a turba progressista de socialistas e comunistas das várias estirpes, instigadora das causas fracturantes geradoras de minorias educadas na vitimização e manipuladas a seu bel-prazer como mero instrumento de poder. Muito resumidamente, acho que é isto. No entanto, estou convencido que a teoria da guerra cultural tem uma falha grave. Por exemplo, quando o movimento Antifa — que supostamente significa “anti-fascista” — condena o legado e vandaliza a estátua de Winston Churchill, ou quando manifestantes anti-racismo exigem a retirada de monumentos a Abraham Lincoln, o que me ocorre é que este lado da tal guerra cultural não está exactamente a esforçar-se por demonstrar os méritos da sua perspectiva do conhecimento, da moral e da lei, uma vez que estes amotinados não possuem nada do primeiro, o que quer que seja da segunda, e teimam em violar a terceira.

Motivo pelo qual, especialmente nos Estados Unidos da América, a situação continua explosiva. Literal e metaforicamente. Eu vejo alguns paralelos com os tempos da Guerra do Vietname. Não tanto no que às motivações dos protestos nas ruas diz respeito, mas mais quanto à natureza do inimigo da América. No fundo, em ambos os casos, estamos perante guerrilhas. Só que enquanto no Vietname os vietcongues atacavam e voltavam para os seus túneis, a grande maioria destes modernos arruaceiros ataca e volta para a cave de casa dos pais.

Entretanto, a moda de vandalizar estátuas chegou a Portugal e a abrir o desfile esteve um trabalho realizado num monumento ao Padre António Vieira. O modelo de vandalismo apresentado foi um daqueles básicos, em que se condena à luz da moral dos nossos dias alguém que faleceu há escassos 323 anos, complementado com a sempre irónica imbecilidade de desconhecer que a vítima da pichagem foi, na verdade, percursor dos direitos que os hodiernos meliantes dizem defender. Esteve bem o Presidente da República ao afirmar que “Vandalizar estátuas é imbecil”. No entanto, esta declaração foi proferida ainda antes da notícia, essa sim chocante!, de que também a estátua do Gil, a mascote da Expo 98, foi vandalizada. Acto merecedor de repreensão muitíssimo mais veemente. Mas então o problema não eram os opressores homens brancos? Ou de agora em diante também vão tirar desforço das inofensivas criancinhas azuis?

Já em Inglaterra, o mundo académico tenta ainda redimir-se das pateticamente apocalípticas previsões do Imperial College London acerca do número de vítimas da Covid-19. Desta vez foi a Universidade de Oxford a tentar cair nas boas graças do cidadão comum, publicando um estudo no International Journal of Obesity em que garante que “Ter gordura gluteofemoral, que é como quem diz, ter um rabo grande, é importante para a saúde metabólica e cardiovascular”. Obrigado pela informação, Universidade de Oxford, esta noite haverá fritos, gorduras e doces por esses lares do mundo fora, tudo em nome da saúde metabólica e cardiovascular. Mas agora a sério. E se, em vez de andarem a inventar desculpas para analisar rabos, descobrissem mas era a vacina para o coronavírus?