Vivemos num mundo com uma nova ordem política. Espero que já não haja dúvidas. Os líderes europeus têm que ter a coragem de tomar decisões difíceis. Chega de discursos, de declarações e de acreditar que mais legislação resolve os problemas da Europa. Não resolve. Pelo contrário, só complica.
Os líderes europeus precisam de coragem para tomar decisões arriscadas e que produzam resultados eficientes. Há um debate sobre a percentagem de PIB que os países europeus devem gastar em defesa. O compromisso com a NATO é de 2%. Mark Rutte, o novo SG da NATO, já fala de 3%. Trump quer 5%. Mas o debate sobre os gastos nacionais não é o debate correcto. O aumento da despesa nacional em defesa aumenta as capacidades nacionais mas não desenvolve a defesa europeia. Para ganhar autonomia estratégica, a UE precisa de uma política de defesa ambiciosa, eficiente e diferente.
Há três questões centrais para a defesa europeia. Em primeiro lugar, é fundamental levantar dívida comum para gastar na defesa. A UE precisa dos chamados “defence bonds.” A Alemanha tem sido a grande opositora à dívida europeia para a defesa, ao contrário da França, da Itália e da Polónia. Mas o líder da CDU, Merz, e provável vencedor das eleições no fim deste mês, já deu a entender que está aberto a mudar a posição alemã. Investimentos comuns europeus são muito mais eficazes do que simplesmente aumentar os orçamentos nacionais de defesa.
Em segundo lugar, seria muito importante que os países europeus fizessem aquisições comuns de material de defesa. É irrealista pensar em aquisições comuns pelos 27 Estados membros, mas muitas aquisições de material militar podem ser feitas por grupos de 3, 4, 5, 6 ou 7 países. As burocracias nacionais não gostam dessa ideia, os comissionistas também não, mas os governos devem mostra força e impor o que interessa aos países europeus. Com aquisições comuns, poupa-se dinheiro e compra-se material militar de melhor qualidade. Os aliados da NATO que não estão na UE, como o Reino Unido, a Noruega, ou a Turquia deveriam participar nestas aquisições comuns.
Por fim, as fusões entre empresas de defesa de países europeus são fundamentais. A Europa não pode continuar a fabricar mais de 20 tanques diferentes, ou fragatas, ou misseis, ou drones. As fusões vão dar origem a empresas mais eficazes e com maior capacidade de produção. Além disso, serão empresas com poder industrial para competir globalmente. Uma indústria de defesa exportadora é um activo diplomático relevante.
Uma ressalva para terminar. Os países europeus devem consolidar as suas indústrias de defesa, mas a UE não deve ser protecionista. A ideia do “buy European” é má. Os países europeus devem comprar material militar de qualidade, americano, britânico, israelita, japonês ou sul coreano. E as empresas europeias devem fazer fusões com empresas não europeias.
Se os governos europeus tomarem estas decisões, começam finalmente a construir uma defesa europeia capaz de defender os países europeus e que não dependa de ajudas externas. A nova ordem global é de conflitos e de guerras. Está na altura da Europa ser realista e deixar de acreditar em fantasias multilaterais. Esse mundo acabou.