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O Dr. Rui Rio resolveu sossegar os seus candidatos às autárquicas: podem estar confiantes, porque o “desgaste do governo” joga a favor deles. Sim, o “desgaste” dos governos geralmente beneficia as oposições. Mas em Portugal, há neste momento outro desgaste, mais importante: o desgaste do país. E esse, infelizmente, favorece o governo que dele é responsável.

O “desgaste do governo” é, para começar, um mau conceito. Pressupõe que o actual governo alguma vez tenha usufruído de grande graça e popularidade. Nunca usufruiu. O Partido Socialista não convenceu muita gente. Nem as esquerdas que o amparam. Quando passaram pela oposição, entre 2011 e 2015, esperou-se que o PS e a extrema-esquerda aproveitassem a contestação à troika para vencerem: não venceram. No governo, entre 2015 e 2019, acreditou-se que iam tirar partido das larguezas do Banco Central Europeu e da bonança turística para ampliarem a maioria: não ampliaram significativamente. Nunca uma maioria absoluta assentou em tão poucos votos. Não, este governo nunca teve um pilar tão grande que se pudesse desgastar sem provocar logo a sua queda. Se não caiu, é porque não está desgastado.

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