Ai, meu lindo Agosto,
As romarias, o céu vermelho e o luar enfumarado!
Haveria melhor forma de começar do que recordando Meu Lindo Agosto, de Nel Monteiro? (E não Meu Querido Mês de Agosto, de Dino Meira. Se calhar querem trabalhar um bocadinho nessas referências líricas) Haveria. Provavelmente, qualquer outra forma seria superior. Com excepção de recordando Meu Querido Mês de Agosto, de Dino Meira. Daí ter optado por Meu Lindo Agosto, de Nel Monteiro.
Bem, é verão, está tudo a arder.
Muito obrigado e bom dia.
Basicamente é isto, não é? É lidar. Aliás, em vários pontos do país, parece que, não só já se aceitou esta inevitabilidade como, uma vez que vai arder tudo na mesma, já agora deixa-se arder com pinta. Vai daí, nas Festas de Marinhais, em Santarém, toca de largar fogo de artifício 30 minutos antes de um alerta vermelho. Atente-se no cuidado de antecipar o lançamento dos engenhos pirotécnicos, por forma a que os últimos dez rebentamentos coincidissem com a contagem decrescente dos dez segundos até à hora do alerta. Alguns falarão de infantilidade, eu enfatizo o rigor e o profissionalismo.
Mas para os que preferem a infantilidade, temos a polémica lançada pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Maria do Rosário da Palma Ramalho, em torno de seios. Diz a ministra ter conhecimento de casos em que “as crianças parece que continuam a ser amamentadas (…) até andarem na escola primária”. Sobre isto, três pontos, para dar mesmo ideia de raciocínio estruturado e não de coisa em que estou a pensar à medida que escrevo (wink, wink):
Primeiro: não sei, confesso, quão frequente é o menino Zezinho passar o intervalo entre Matemática e Estudo do Meio a fazer um snack da maminha da mãe.
Segundo: ao contrário dos histéricos da sobre-população, a única questão em que levo a mal as crianças é em serem poucas — e às vezes estarem demasiado próximas. E emitirem sons. E tirarem macacos do nariz e meterem na boca. Quando eu estou a ver. Tirando isso, tudo perfeito com as crianças.
Terceiro: a julgar pelas reacções histéricas de alguns daqueles profissionais da histeria que, nos intervalos de estarem histéricos com a amamentação, estão histéricos com a sobre-população, sem captarem a ironia, a ministra pode ter um ponto. Afinal, estamos a falar de malta que, em podendo, só pára de mamar da(s) teta(s) a que consegue deitar a mão quando se reforma. Aí, pára, tira a dentadura e volta a mamar da(s) teta(s).
Portanto, em escassos dias, o estado português reconhece haver um problema com a amamentação e ameaça reconhecer a Palestina, já em Setembro. Ora, sugiro o seguinte. Se o governo português deseja, tanto, premiar os actos terroristas do Hamas de 7 de Outubro, é fazê-lo a 11 de Setembro. Invocando, assim, os aniversários de dois dos mais ignóbeis actos de terrorismo de que há memória, numa única e grande celebração de carnificina. Se a coincidência — muito feliz! — não causar uma reacção demasiado explosiva dos terroristas do Hamas e/ou Al-Qaeda, já agora, que não sei se haverá diferendos entre distintos ramos da psicopatia.
Bom, mas como é que aqui cheguei se estava a falar de seios? Recentremos a crónica, notando o seguinte: nem toda a gente que reconhece a Palestina acha o anúncio da Sydney Sweeney aos jeans nazis; mas quase 100% dos que acham o anúncio nazi reconhece a Palestina. Estes últimos são aquele tipo de pessoa do qual se costuma dizer que tende a “confundir o nazismo com as calças”.
Quando deviam ter mais calma e escutar a mensagem do reclame com atenção. Nele diz-se, apenas e só, que a Sydney Sweeney “tem bons genes”. Não se diz que “tem genes melhores que os genes A ou B”. E muito menos se diz que “tem os melhores genes”. Embora tenha, claramente, os melhores genes. No mínimo, podiam dizer, com muita segurança, que a Sydney Sweeney tem melhores genes que 99% dos histéricos da sobre-população que acham o anúncio nazi e reconhecem a Palestina.
Siga-me no Facebook (@tiagodoresoproprio) e Instagram (@tiagodoresoproprio)