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Esta frase é retirada da eterna obra de O Principezinho, que aborda a perda da inocência à medida que as pessoas vão crescendo e adicionando os chamados filtros, que muitas vezes as impedem de serem mais livres, genuínas e de valorizarem mais a simplicidade.

Ao voltar a ler este livro recentemente e em alguns desafios que o principezinho enfrentou, nas lições que daí retirou, pensei nos nossos desafios de adaptação e mudança ao longo deste ano e em algumas lições que também daqui retiramos e que são particularmente pertinentes agora, para nós próprios e para as marcas com que trabalhamos.

Que a imaginação e a criatividade são elementos cruciais à transformação e criação de valor na relação das marcas com os consumidores; que as necessidades simples e humanas de pertença, confiança, estima, relacionamento, reconhecimento e autorrealização não mudam e, por isso, é fundamental conseguir preenchê-las, a marca deve reconhecê-las e ter uma voz, uma atitude que seja verdadeira, coerente e dê razão à sua existência; que a intuição ajuda a equilibrar as decisões e por isso é fundamental manter o equilíbrio entre o que já conhecemos e resulta e o que é intuitivo e poderá resultar ainda melhor; que uma relação duradoura constrói-se a partir de muitos momentos e da capacidade da marca em conseguir chegar às pessoas de uma forma relevante, verdadeira e empática.

É conseguir cativar como o principezinho fez com a sua flor no seu planeta. E saber cativar pressupõe, entre muitas outras coisas, criar confiança, gerar cumplicidade e conseguir manter a relação com os consumidores em todas as dimensões. É saber criar novas oportunidades e formas de comunicar, com mais parcerias, novos intervenientes e novas abordagens, sobretudo nos canais digitais, sem nunca perder o propósito e, claro, tendo como objetivo, ser eficaz.

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A eficácia não se consegue sem uma estratégia de comunicação elaborada a médio e longo prazo e, naturalmente, neste contexto que atravessamos, sem pensar em possíveis cenários no curto prazo. Vai ser mais um ano desafiante na construção de cenários e na procura de antecipação de decisões que melhor respondam ao que as pessoas ambicionam e precisam, ao mesmo tempo que respondam ao que as marcas querem e podem oferecer. Um ponto de interceção desafiante, que reúne várias variáveis, muitas impossíveis de controlar, mas que agrega também algumas certezas: uma presença relevante e coerente em todos os canais da marca; valorizar os seus elementos distintivos para que possa ir construindo esta relação duradoura; criar novas experiências e trabalhar em conteúdos valorizados pelas pessoas; ter uma atitude positiva, construtiva e um papel impulsionador.

Os jovens na competição Young Lions, tal como o principezinho, vão à descoberta de um novo mundo, um novo desafio. Que mantenham sempre o espírito da tal “infância inconsciente” bem presente, para que a intuição e o coração consigam ver mais além, tenham coragem para arriscar e acreditem que a solução está quase sempre na simplicidade e na compreensão das motivações humanas.

Inês Jardim é presidente de júri nos Young Lions Portugal na categoria Media. Este texto insere-se numa série de artigos de opinião publicados no âmbito das iniciativas organizadas pela MOP, representante oficial do Festival Internacional de Criatividade Cannes Lions, um dos festivais mais prestigiados pela indústria criativa em comunicação. Cada texto apresenta a visão de vários profissionais do setor, de tendências e perspetivas de futuro.