O Dia Mundial da Trombose acontece todos os anos dia 13 de outubro, aniversário de Rudolf Virchow, pioneiro na fisiopatologia da trombose. Médico e patologista alemão, Virchow desenvolveu o conceito de “trombose” e liderou o progresso no conhecimento desta condição.

Uma em cada quatro pessoas em todo o mundo morre devido a condições causadas por trombose.

A trombose é o evento subjacente e frequentemente evitável de enfarte do miocárdio, AVC tromboembólico e tromboembolismo venoso (TEV), as três principais causas de morte por doenças cardiovasculares. As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de morte em Portugal. É fundamental aumentar a consciencialização sobre a trombose, uma condição muitas vezes subestimada e incompreendida.

A trombose não discrimina, pode afetar qualquer pessoa independentemente da sua localização, idade, etnia ou raça.

Certos fatores podem aumentar o risco, nomeadamente o tabagismo; excesso de peso e obesidade (aumenta o risco 2 a 3 vezes); cirurgia; repouso prolongado na cama devido a cirurgia, hospitalização ou doença; gravidez (desde a conceção até 6 semanas após o parto); longos períodos sentado (mais de 4 horas), como em viagens de carro ou avião; uso de pílulas anticoncecionais com estrogénio ou terapêutica de reposição hormonal em administração oral; certas patologias cardíacas; cancro e alguns tipos de tratamentos contra o cancro (doentes com

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cancro têm quatro vezes mais probabilidade de desenvolver eventos graves), idade (embora possa ocorrer em qualquer idade, o risco aumenta com a idade). O risco de TEV é especialmente alto em pessoas com pneumonia por COVID-19. Além disso, um histórico familiar de trombose pode igualmente aumentar o risco, uma vez que pode ter subjacentes doenças hereditárias.

Os sintomas são variáveis consoante a patologia. A trombose venosa profunda geralmente manifesta-se com sintomas que podem incluir dor, edema, vermelhidão ou descoloração e/ou pele quente do membro afetado, mais frequentemente o membro inferior (perna). A embolia pulmonar pode apresentar dor no peito, dispneia (falta de ar), aumento da frequência

cardíaca, sensação de desmaio iminente ou desmaio e, em casos graves, pode ser fatal. O enfarte do miocárdio pode manifestar-se de inúmeras formas. As mais comuns incluem dor em forma de aperto, sensação de peso ou pressão no centro do peito ou na região do abdómen (acima do umbigo). A dor tende a irradiar para as costas, braço esquerdo, maxilar ou pescoço. Podem ocorrer tonturas, fraqueza, náuseas e vómitos, suores e sensação de pânico. Em casos mais graves pode levar a uma síncope (desmaio) ou até a uma paragem cardíaca. No AVC a sintomatologia pode variar de acordo com a área atingida e pode incluir: paralisias motoras, normalmente em apenas um lado do corpo; diminuição da força em um membro ou em todo um lado do corpo; perda de equilíbrio com incapacidade de se manter em pé; alterações na marcha; dificuldades na fala e boca com desvio assimétrico; alterações na musculatura da face ou desvio dos olhos; alterações visuais como visão dupla, cegueira parcial ou total; desorientação, comportamento estranho ou discurso incoerente de início súbito; diminuição do estado de consciência e crise convulsiva.

Reconhecer os sinais de alerta pode capacitar os indivíduos a procurar atendimento médico imediato, potencialmente prevenindo complicações graves e salvando vidas.

A saúde mental é, também, importante. Além dos sintomas físicos, os doentes podem apresentar uma série de problemas de saúde mental, incluindo ansiedade, depressão e perturbação de stress pós-traumático.

A Assembleia Mundial da Saúde da Organização Mundial de Saúde estabeleceu uma meta global para reduzir as mortes prematuras por doenças não infecciosas, incluindo doenças cardiovasculares, em 25% até 2025.

Na prevenção de eventos trombóticos assume particular importância uma abordagem de fatores comportamentais de risco, como a cessação tabágica (incluindo o fumo passivo), uma dieta saudável e adequada com redução da ingestão de alimentos ricos em gordura, açúcar e sal, o controlo do peso, a prática de atividade física regular, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e a redução do stress. Outros fatores de risco a controlar incluem, a hipertensão arterial, a hipercolesterolemia, a hipertrigliceridemia, a diabetes e a fibrilhação auricular.

O novo tema da campanha Move Against Thrombosis, que decorrerá entre 2023 e 2025, incentiva as pessoas a levantarem-se e a movimentarem-se para aumentar a circulação sanguínea, o que pode ajudar a reduzir o risco destes eventos. A mobilidade reduzida pode levar a um maior risco de formação de trombos e é um fator significativo de morbilidade e mortalidade.

O exercício, nomeadamente caminhadas, pode ajudar a melhorar o fluxo sanguíneo no corpo e pode ser particularmente útil na prevenção da formação de coágulos sanguíneos.

É fundamental apostar na prevenção da doença e promoção da saúde, assim como em campanhas dinamizadoras de literacia em saúde e bem-estar.