A relação dos Estados Unidos com a América do Sul está a tornar-se cada vez mais relevante. Há, hoje, três questões essenciais para essa relação. A primeira são as relações comerciais, sobretudo entre Washington e Brasília. No fim da semana passada, Trump recuou nalgumas tarifas que tinha imposto ao Brasil. Trump e a sua equipa perceberam que o aumento dos preços de alguns produtos alimentares contribuiu para a derrota nas eleições em Nova Jérsia e na Virgínia. Os preços do café, da carne de vaca e de muitas frutas (como a banana e a laranja) aumentaram mais de 10% (muito acima da inflação).

O recuo de Trump nas tarifas vai melhorar as relações comerciais com o Brasil. As exportações de café, carne de vaca e laranjas do Brasil para os Estados Unidos vão aumentar. Além disso, os dois grandes países do continente americano estão a negociar um acordo comercial benéfico para os dois lados. Os Estados Unidos querem acesso aos metais críticos, cujas reservas são abundantes no Brasil, como cobre, terras raras e mesmo lítio. Por outro lado, o governo brasileiro quer investimento americano e diversificar os seus mercados de exportação para não ficar demasiado dependente do mercado chinês.

O segundo grande tema são as alterações políticas e económicas que acontecem nos países da América do Sul, com uma viragem política para a direita e reformas liberais na economia. Milei é, obviamente, o grande exemplo da viragem à direita e das reformas económicas. Foi o vencedor das recentes eleições parlamentares na Argentina e a partir de agora pode formar maiorias de direita (ou pelo menos anti-Peronistas) nas duas Câmaras parlamentares. Esta maioria política será indispensável para as reformas económicas.

Ontem, realizou-se a primeira volta das eleições presidenciais e as eleições parlamentares no Chile. No momento em que escrevo este artigo, ainda não há resultados finais. Nas eleições presidenciais, apesar da provável vitória da candidata da coligação de esquerda na primeira volta, na segunda volta (em Dezembro) deverá ganhar o candidato de direita. No parlamento, é provável, segundo as últimas sondagens, que haja uma maioria de direita.

Em traços gerais, na América do Sul, a direita (na sua versão extremista de ditaduras militares) tem sido historicamente a grande ameaça à democracia. Mas as esquerdas mais radicais também têm ameaçado a democracia (Venezuela), são incapazes de fazerem reformas económicas, e têm sido demasiado corruptas. Espera-se que as direitas civis a chegar ao poder sejam impecavelmente democráticas e que tenham sucesso nas reformas económicas. Mais uma vez, Milei é um bom exemplo. Não há nada de anti-democrático no seu comportamento político.

O terceiro tema é o narco-tráfico e o regime de Maduro na Venezuela. A ditadura Chavista da Venezuela transformou-se numa organização que lidera o narco-tráfico na América do Sul. As redes transnacionais do narco-tráfico na região contam com o apoio do Presidente e das esquerdas radicais colombianas e infiltram-se cada vez mais no Brasil. Se Lula quiser ser reeleito, terá que ser muito firme na luta contra o crime organizado; e o Presidente brasileiro já percebeu. Os venezuelanos ganhariam, e muito, se houvesse uma mudança de regime, de um Presidente que perdeu as últimas eleições, mas ficou no poder através de uma ditadura militar. E ainda ganhariam mais se a oposição democrática formasse governo sob a liderança da prémio Nobel da Paz, Maria Corina Machado. A propósito da Venezuela, é incompreensível ver muitos que atacam o regime de Pinochet defenderem o regime de Maduro. Seria bom que explicassem por que razão uma ditadura militar no Chile é condenável, mas na Venezuela já é aceitável.

Em geral os países da América do Sul têm condições extraordinárias para enriquecerem. Têm populações jovens, muita gente empreendedora e muitos e variados recursos naturais. Só precisam mesmo é de governos competentes com as políticas correctas. Hoje, essas políticas só podem vir das direitas, e não das esquerdas, que fracassaram completamente desde o início deste século.